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Ações da Meta sobem com aposta no Muse além da publicidade

Ações da Meta sobem com aposta no Muse além da publicidade

Trimestre forte em anúncios eleva as ações, mas Wall Street já olha para o assistente Muse como possível motor maior que a publicidade.

Foto: Mindaugas Skrupskelis (Pexels)

As ações da Meta Platforms avançaram após um trimestre robusto no negócio central de publicidade digital. O movimento ganhou cor especial porque investidores passaram a enxergar no assistente pessoal Muse uma frente de receita que, no longo prazo, poderia superar o próprio mercado de anúncios.

O relatório do terceiro trimestre mostrou receita de US$ 64,6 bilhões, alta de 26% na comparação anual e acima das expectativas. No pregão estendido, o papel chegou a subir cerca de 3%, em leitura que combina execução sólida nos anúncios com expectativa crescente em torno da inteligência artificial (IA).

O que aconteceu

A Meta manteve a publicidade como âncora financeira. A demanda digital sustentou o crescimento e a empresa guiou o quarto trimestre na faixa de US$ 73 bilhões a US$ 76 bilhões, com o ponto médio ligeiramente acima do consenso. Em paralelo, o presidente-executivo Mark Zuckerberg destacou marcos no projeto de “superinteligência pessoal”, com o lançamento do Muse e do modelo Muse Wonder.

O Muse, assistente de IA apresentado em setembro, deixou de ser só narrativa de produto. Segundo Zuckerberg, mais de 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá já configuraram agentes pessoais em cerca de um mês e meio. Cerca de um quarto desses usuários entra no serviço em um dia típico, e a retenção, nos primeiros adotantes, tende a melhorar com o tempo de uso.

O caso de uso mais forte, por ora, é o shopping. Mais de um quarto dos usuários do Muse já compra pelo agente, com ticket médio acima de US$ 200. A Meta oferece planos mensais de assinatura — na ordem de US$ 20 e US$ 100 — e prepara monetização por fatia de vendas intermediadas pelo assistente. Analistas de Wall Street projetam, em cenários otimistas para 2030, dezenas de bilhões de dólares em receita potencial via assinaturas e taxas sobre transações, embora o impacto imediato nas contas ainda deva ser limitado.

A alta do papel reflete um duplo sinal. De um lado, o negócio de anúncios entregou o que o mercado esperava — e um pouco mais. De outro, a adoção inicial do Muse reforçou a tese de uma “porta de entrada” para a internet baseada em agentes pessoais, ciclo que casas como Citigroup e Wells Fargo associam a um potencial maior do que o visto em produtos anteriores, como o Reels.

O que isso pode mudar

Se a trajetória de engajamento se confirmar, o Muse poderia alterar a composição do crescimento da Meta ao longo da década. Hoje quase toda a receita ainda vem dos anúncios; amanhã, assinaturas, comércio mediado por agentes e, eventualmente, publicidade dentro do próprio assistente poderiam diluir essa dependência. Em hipóteses agressivas de pesquisa, a receita atribuível ao Muse em 2030 poderia rivalizar com fatias relevantes do negócio atual — daí a ideia de uma oportunidade capaz de “empalidecer” a publicidade.

O caminho não é automático. O Muse ainda é intensivo em computação e, por enquanto, não é lucrativo; a Meta espera ganhar eficiência a partir do próximo ano. Parte do comércio eletrônico restringe o acesso de agentes por segurança ou temor de intermediação. O gasto de capital em infraestrutura de IA permanece elevado, o que exige retorno convincente — seja em anúncios mais eficazes, seja em novas linhas.

No curto prazo, a Bolsa deve precificar downloads, usuários ativos, retenção e novos modelos, mais do que receita já materializada. No médio prazo, o que pode mudar o jogo é a conversão desse tráfego em compras e assinaturas sem corroer margens. Se isso ocorrer, a Meta deixaria de ser vista apenas como a maior máquina de anúncios do mundo e passaria a ser avaliada também como plataforma de agentes pessoais — deslocamento de tese que explica por que o trimestre forte em publicidade veio com uma narrativa ainda mais ampla.

Fontes: WSJ Markets / MarketWatch — Meta’s stock rises as investors glimpse an opportunity that could dwarf the ad business

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