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Ações da Moderna despencam até 25% após vazamento de dados de vacina contra câncer

Ações da Moderna despencam até 25% após vazamento de dados de vacina contra câncer

Papéis da Moderna chegaram a cair 25% após vazamento de dados parciais da vacina personalizada com a Merck, mesmo com resultados de fase 3 vistos como positivos.

Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)

As ações da Moderna chegaram a cair até 25% nesta quinta-feira (22), depois do vazamento de dados parciais de sua vacina personalizada contra o câncer desenvolvida com a Merck. A queda veio mesmo com a divulgação, ainda no mesmo dia, do conjunto completo de resultados, visto como positivo diante do que o mercado esperava.

Em linha com o relato do MarketWatch sobre a pressão nas ações após o vazamento reportado, o movimento na bolsa contrastou com o sinal clínico: a combinação do imunizante com o Keytruda, da Merck, mostrou redução relevante no risco de recorrência ou morte em certos pacientes com melanoma.

O que aconteceu

Segundo a CNBC, o tombo acompanhou o vazamento de dados parciais do produto mais vigiado da parceria Moderna-Merck. Mais tarde na quinta-feira, os números completos foram liberados e, na leitura de Wall Street, ficaram à altura ou acima das expectativas prévias — o que não impediu a volatilidade nos papéis da biotecnologia americana.

A vacina personalizada, chamada intismeran autogene, associada à imunoterapia Keytruda, reduziu em 42% o risco de recorrência ou morte em determinados pacientes com melanoma, em comparação com o Keytruda isolado. Os dados também indicaram queda de 38% no risco de o câncer se espalhar para partes distantes do corpo ou de morte, frente apenas à imunoterapia.

Os resultados detalhados do estudo de fase 3 estavam previstos para apresentação neste fim de semana na conferência da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (European Society for Medical Oncology). O MarketWatch também destaca que Moderna e Merck devem compartilhar esses dados de fase 3 no encontro médico.

A CNBC lembra que as expectativas elevadas com o produto já impulsionararam as ações da Moderna neste ano: o papel avançou mais de 530% no acumulado de 2026 até a tarde de quinta-feira. As ações da Merck, empresa bem maior, recuaram cerca de 1% no dia, após alta de quase 41% no ano.

Como o imunizante é personalizado, o processo de fabricação é complexo e pode levar seis semanas. O presidente-executivo da Merck, Robert Davis, disse à CNBC na semana passada que a companhia acredita ser possível encurtar esse prazo no futuro, o que, em tese, facilitaria o acesso de mais pacientes ao tratamento com maior rapidez.

O que isso pode mudar

Investidores enxergam a vacina direcionada como possível avanço terapêutico, com potencial de uso futuro em outros tipos de câncer além do melanoma estudado. Se o perfil de eficácia se confirmar na discussão científica do fim de semana e em etapas regulatórias posteriores — ainda não detalhadas neste relato —, o produto poderia se tornar um ativo comercial relevante no portfólio da Moderna, depois das vacinas contra Covid-19, gripe e vírus sincicial respiratório.

Ao mesmo tempo, a reação de quinta-feira sugere que o mercado pode continuar sensível a qualquer ruído de informação: um vazamento parcial bastou para provocar uma queda de até um quarto do valor da ação, mesmo com dados finais aparentemente alinhados às expectativas. Essa dinâmica pode reforçar, nas próximas sessões, a volatilidade típica de ativos biotecnológicos com narrativa de “breakthrough” precificada no preço.

Para a Merck, o impacto imediato foi mais contido, com perda de cerca de 1%. Ainda assim, a parceria mantém o Keytruda no centro da tese: qualquer leitura mais cautelosa — ou mais otimista — na apresentação da European Society for Medical Oncology pode alterar o humor em torno das duas empresas. A CNBC registra que a história segue em desenvolvimento.

No horizonte operacional, a promessa de encurtar as seis semanas de manufatura personalizada, se materializada, poderia ampliar a escala comercial do tratamento. Até lá, o que o pregão de quinta mostrou é que, neste ciclo, o preço da Moderna responde tanto aos números clínicos quanto à forma como eles chegam ao mercado.

Fontes: CNBC Top News · WSJ Markets

Leia mais em: www.mundodosnegocio.com.br