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Ações de IA recuam e bolsas caem com petróleo na máxima em cinco meses

Ações de IA recuam e bolsas caem com petróleo na máxima em cinco meses

S&P 500 caía 1,3% e Nasdaq 2,4% nesta quinta; Lam Research despencava 11,1% e Meta 7,4%, enquanto o petróleo atingia o maior nível desde maio.

Foto: Yaroslav Shuraev (Pexels)

As ações ligadas à inteligência artificial (IA) puxaram as bolsas para baixo nesta quinta-feira (22), em um movimento global que atingiu com mais força a Ásia e o Nasdaq, enquanto o petróleo chegou ao maior nível desde maio diante de preocupações com o conflito envolvendo o Irã.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 recuava 1,3% e o Nasdaq Composite caía 2,4% por volta das 12h56 (horário do Leste). Fora da tecnologia, o tom foi mais contido: o Dow Jones Industrial Average perdia cerca de 40 pontos, ou 0,1%.

O que aconteceu

Segundo a Fast Company, com base em material da Associated Press, a queda das ações do setor de IA está arrastando mercados em várias praças. A Ásia, cujas bolsas concentram muitos papéis de IA e de tecnologia, registrou perdas ainda mais acentuadas do que as vistas em Wall Street no período da manhã nova-iorquina.

O nervosismo com o segmento não é novo. Há temores de que o ciclo de expansão da IA possa encontrar freios no custo elevado do crédito necessário para construir centros de dados e adquirir chips. Persistem, também, dúvidas sobre se as cotações simplesmente subiram demais ao longo de anos de euforia — mesmo com empresas do setor ainda reportando crescimento.

Um exemplo citado na cobertura é a Lam Research, fornecedora de equipamentos e serviços para a fabricação de semicondutores. A companhia divulgou lucro e receita do período de verão um pouco acima do esperado pelos analistas, resultado que em condições normais costuma sustentar o papel. Ainda assim, a ação despencou 11,1%. A orientação de lucro para o trimestre atual tinha ponto médio ligeiramente abaixo das projeções do mercado, e o papel já acumulava alta de 52,4% no ano — quase quatro vezes o ganho do S&P 500 —, o que aumentava a margem para decepção.

Outras gigantes de tecnologia também oscilaram após balanços com sinais mistos. A Meta Platforms, dona do Facebook e do Instagram e que avança com o agente de IA Muse, caía 7,4%. A receita do trimestre veio acima das expectativas, mas o lucro ficou aquém. A empresa também anunciou a criação de uma nova classe de ações para captar recursos destinados a investimentos em IA e a outras despesas.

No mercado de commodities, o petróleo atingiu a máxima em cinco meses — o maior patamar desde maio —, em meio a preocupações com a guerra envolvendo o Irã. O avanço do óleo somou-se ao recuo das bolsas, ampliando a sensação de aversão a risco no pregão.

O que isso pode mudar

Se a pressão sobre as ações de IA se prolongar, o mercado pode passar a discriminar com mais rigor quem de fato entrega crescimento sustentável e quem depende de um ciclo de investimento caro e de múltiplos elevados. Resultados sólidos, como o da Lam Research no verão, podem deixar de bastar quando a orientação futura ou a valorização acumulada sugerem risco de frustração.

Para as big techs, a combinação de lucro abaixo do esperado e planos de financiamento agressivos — como a nova classe de ações da Meta — pode reforçar o escrutínio sobre o retorno dos gastos com IA. Em tese, isso poderia tornar o custo de capital mais sensível e exigir comunicação mais clara sobre cronogramas e retorno dos centros de dados e dos chips.

Já o petróleo em máximas desde maio, se mantido, pode reacender temores de impacto na inflação e no apetite por ativos de risco, sobretudo se as tensões geopolíticas em torno do Irã continuarem a alimentar a volatilidade. O cenário desta quinta sugere um pregão dividido: tecnologia e IA sob pressão, índices amplos em queda moderada e energia como vetor paralelo de tensão — um equilíbrio que, nas próximas sessões, pode definir se o movimento fica concentrado em papéis de IA ou se se espalha para o conjunto das bolsas.

Fontes: Fast Company

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