Administradores vendem dois hotéis da Shimao em Hong Kong por US$ 344 milhões

Administradores vendem dois hotéis da Shimao em Hong Kong por US$ 344 milhões

Receivers aceitam vender o complexo Sheraton e Four Points by Sheraton, na ilha de Lantau, por HK$ 2,7 bilhões; compradora é a Oceanfront Hong Kong.

Foto: Wolfgang Weiser (Pexels)

Os administradores judiciais dos hotéis Sheraton Hong Kong Tung Chung e Four Points by Sheraton aceitaram vender o complexo de duas marcas em Hong Kong por 2,7 bilhões de dólares de Hong Kong (US$ 344 milhões), informou nesta quinta-feira o Grupo Shimao, incorporadora chinesa do continente sob forte pressão financeira.

O anúncio saiu em comunicado à Bolsa de Hong Kong. O comprador é a Oceanfront Hong Kong Limited. O empreendimento, com 1.219 quartos na ilha de Lantau, é o terceiro maior hotel da cidade pelo número de unidades.

O que aconteceu

Segundo a South China Morning Post, os receivers — administradores nomeados para gerir ativos de uma empresa em dificuldade — fecharam acordo para alienar o complexo de duas marcas operado sob as bandeiras Sheraton e Four Points by Sheraton. A Shimao, desenvolvedora imobiliária do continente chinês em situação de estresse de dívida, registrou a operação em comunicação à bolsa da cidade.

A Oceanfront Hong Kong Limited figura como compradora. Em declaração à parte, a AlixPartners, na condição de receiver, e a Marriott — que opera o complexo — indicaram que a Oceanfront é detida, entre outros, por veículos de investimento ligados ao ParkCity Group, incorporadora malaia com projetos também no Vietnã.

Registros do Companies Registry apontam como diretores da Oceanfront Joseph Lau, portador de passaporte malaio, e Keoy Soo Lik, com documento de identidade de Hong Kong. A sociedade foi constituída em 29 de setembro. Lau é presidente-executivo do ParkCity.

O complexo na ilha de Lantau havia sido tomado pelos receivers depois que a Shimao não conseguiu vendê-lo por cerca de US$ 570 milhões no fim de 2024. O preço agora acordado, de US$ 344 milhões, fica bem abaixo daquele esforço anterior de alienação, o que ilustra o desconto exigido pelo mercado para absorver ativos hoteleiros de um desenvolvedor endividado.

A combinação dos dois hotéis sob gestão Marriott coloca o ativo entre os maiores da cidade em capacidade de hospedagem. A venda via receivers, e não por uma alienação ordinária da própria Shimao em condições de mercado pleno, reforça o caráter de recuperação de crédito e de limpeza de balanço típico de processos de estresse no setor imobiliário chinês com exposição em Hong Kong.

O que isso pode mudar

A conclusão da venda poderia ajudar a Shimao a reduzir exposição a ativos de hospitalidade em Hong Kong e a gerar liquidez parcial em um ciclo ainda duro para incorporadoras do continente. O montante, porém, fica aquém do que a empresa teria buscado no fim de 2024, o que pode sinalizar que credores e compradores seguem precificando esses imóveis com desconto elevado.

Para o mercado hoteleiro local, a entrada de um veículo ligado ao ParkCity, com a Marriott mantendo a operação, pode preservar a continuidade comercial do terceiro maior complexo da cidade em número de quartos, evitando um cenário de ativos parados sob administração judicial prolongada. Ainda assim, o impacto efetivo sobre tarifas, ocupação e concorrência na ilha de Lantau dependerá de como o novo controlador financiar e reposicionar o empreendimento.

Se outras alienações semelhantes avançarem no mesmo padrão — receivers, compradores regionais e preços abaixo das tentativas anteriores —, o episódio pode servir de referência para precificar hotéis e mistos de incorporadoras chinesas endividadas com ativos em Hong Kong. Trata-se, por ora, de hipótese: o comunicado à bolsa confirma o acordo de venda, mas não detalha sozinho o ritmo dos próximos desinvestimentos da Shimao nem o efeito sobre a recuperação dos credores.

Fontes: South China Morning Post — Receivers to sell mainland developer Shimao’s 2 Hong Kong hotels for US$344 million.

Fontes: South China Morning Post — Business

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