AirPods no Galaxy perdem Siri, Find My e quase todos os recursos inteligentes

AirPods pareiam com Galaxy via Bluetooth, mas Siri, Find My, áudio espacial e saúde auditiva ficam presos ao iPhone, aponta o Engadget.
Ilustração: Antoni Shkraba (Pexels)
Abrir o estojo dos AirPods ao lado de um iPhone dispara um cartão com nível de bateria e conexão em um toque. Ao lado de um Samsung Galaxy, segundo o Engadget, nada aparece na tela.
Os fones da Apple pareiam com Android como qualquer aparelho Bluetooth, mas a maior parte das funções inteligentes permanece amarrada ao iPhone, iPad ou Mac, aponta a reportagem de Luke James publicada em 25 de outubro de 2026.
O que aconteceu
Para conectar AirPods 4, AirPods 5 ou AirPods Pro 3 a um Galaxy, é preciso dar dois toques na frente do estojo — ou manter pressionado o botão na traseira nos modelos mais antigos — até a luz piscar em branco e, só então, parear manualmente nas configurações de Bluetooth. A conexão contínua típica do iPhone não se repete no telefone da Samsung.
A Apple avisa que “não é possível usar a Siri, mas é possível ouvir e falar”. O Engadget considera o aviso insuficiente. Sem dispositivo Apple, somem a troca automática entre aparelhos, a detecção de ouvido, o rastreamento de cabeça do Spatial Audio, o teste de encaixe das ponteiras (Ear Tip Fit Test), a tradução ao vivo (Live Translation), ferramentas de saúde auditiva e o sensor de frequência cardíaca dos AirPods Pro 3. Firmware e Find My também dependem de iPhone, iPad ou Mac.
Ajustes só mudam em aparelho Apple. Sem ele, o usuário fica com os padrões ou com o último perfil gravado — inclusive a ação de pressionar e segurar a haste e a pausa automática ao retirar um fone. Spatial Audio, Adaptive Audio, Conversation Awareness e Personalized Volume seguem o mesmo caminho. A Live Translation, nos AirPods Pro 3 e AirPods 5, processa o áudio em iPhone compatível com a Apple Intelligence (sistema de inteligência artificial da Apple), a partir do iPhone 15 Pro. Teste auditivo, aparelho auditivo e proteção auditiva nos Pro 2 e 3 se configuram em iPhone ou iPad; as leituras cardíacas dos Pro 3 vão para o app Fitness.
A troca automática só funciona entre dispositivos na mesma conta Apple. Como a empresa não usa multiponto Bluetooth padrão, os AirPods não ficam ligados a dois aparelhos que não sejam Apple ao mesmo tempo. No Galaxy, tocar a haste ainda toca, pausa e salta faixas, segundo testes citados pelo Engadget, sem personalização. O cancelamento de ruído dos AirPods Pro 2 teria desempenho semelhante ao do iOS; a qualidade de áudio é mais incerta porque o fluxo usa o codec AAC, com histórico pior em Android.
Sem iPhone, iPad ou Mac na Wi-Fi, o firmware não atualiza sozinho: a Apple indica atendimento em loja ou prestador autorizado. Não há app Android oficial para AirPods, ao contrário do que a empresa oferece para fones Beats. O Find My na web exige pareamento prévio com iPhone ou iPad; sem isso, o rastreio some. Apps como CAPod e LibrePods recuperam fatias do pacote, e a reportagem aponta que donos de Samsung precisariam do One UI 9. Os AirPods Pro 3 custam US$ 249, o mesmo preço dos Galaxy Buds 4 Pro, que a Samsung diz atingir o “potencial total” com um Galaxy.
O que isso pode mudar
O quadro reforça a lógica de ecossistema fechado no mercado de fones premium. Quem troca o iPhone por um Galaxy — ou usa os dois lados — pode descobrir que pagou por um produto “inteligente” e ficou com um bom Bluetooth genérico. Isso tende a empurrar a compra para o par nativo: Buds com Galaxy, AirPods com iPhone.
Apps de terceiros sugerem que parte da experiência pode voltar pelo Android, mas a ausência de firmware e Find My oficiais deixa lacunas difíceis de fechar. Se a Apple mantiver recursos avançados só no próprio hardware, o custo de sair do ecossistema deve continuar alto — e a comparação com os Buds 4 Pro, no mesmo patamar de US$ 249, pode pesar na prateleira.
Fontes: Engadget
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