App Measure no iPhone mede com câmera e LiDAR e quase ninguém conhece

Desde 2018, o iPhone traz o app Measure na pasta Utilitários. Modelos Pro usam LiDAR; a Apple quase não promove a ferramenta.
Ilustração: 떡이 민 (Pexels)
A fita métrica de sempre continua sendo o jeito mais confiável de medir um objeto. Mas, se o usuário não tiver uma à mão e tiver um iPhone, o aparelho já traz uma ferramenta nativa que usa a câmera — e, nos modelos Pro, o sensor LiDAR (detecção e alcance por luz) — para estimar distâncias.
Segundo a Engadget, muita gente nem sabe que o recurso existe. Lançado em 2018, o aplicativo Measure (Medir) quase não foi promovido pela Apple e fica na pasta Utilitários, à espera de ser encontrado.
O que aconteceu
O app veio pré-instalado em todos os iPhones a partir do iPhone 6s e do iPhone SE de primeira geração. Quem o apagou pode baixá-lo de novo na App Store. A experiência, porém, muda nos aparelhos Pro. A partir do iPhone 12 Pro, de 2020, a Apple incluiu um scanner LiDAR, mantido nas gerações Pro seguintes. O sensor dispara lasers invisíveis para avaliar profundidade e torna o Measure mais útil: há medição instantânea de altura de pessoas, linhas-guia que se encaixam nas bordas, uma vista de régua com marcas quando se aproxima e uma lista das medições da sessão atual.
Para usar, é preciso mover o telefone lentamente ao abrir o app, a fim de mapear o entorno. Em seguida, aponta-se o ponto para uma extremidade do objeto, toca-se em “+”, leva-se a câmera até a outra ponta e toca-se em “+” de novo; o comprimento aparece na tela. O botão do obturador salva um print no Fotos; há desfazer e um ícone de lixeira para zerar. Nos Pro, a lista de medições some ao fechar o app — quem precisar depois deve copiá-la ou guardar o snapshot.
O Measure também detecta retângulos: se reconhecer as bordas, surge uma caixa branca; ao tocá-la ou no “+”, aparecem as dimensões. Há ainda a aba Nível, para checar se uma superfície está inclinada em graus e para comparar a inclinação de duas superfícies até a tela ficar verde.
A Engadget cita usos práticos — bagagem de mão no aeroporto, móveis na loja — e um alerta da própria Apple: o app funciona melhor com objetos de bordas claras a cerca de 60 centímetros a 3 metros (2 a 10 pés). Em projetos caros ou arriscados, a recomendação é usar fita métrica real e tratar o recurso como checagem rápida.
No Android, o panorama é outro. O Google abandonou em silêncio, em 2021, um equivalente próprio. O Quick Measure da Samsung, pré-instalado em alguns Galaxy, encerra no fim de 2026; a empresa diz que o app deve continuar funcionando após o corte e que voltará “com serviços melhorados” em data indefinida. Nenhum Android mainstream tem LiDAR embutido como os iPhones Pro, e apps de terceiros no Play Store costumam vir com anúncios e assinaturas agressivas, segundo a reportagem.
O que isso pode mudar
Se a descoberta do Measure se espalhar, o iPhone pode ganhar peso como “ferramenta de bolso” no dia a dia — sem substituir a fita métrica onde a precisão importa. A lacuna no Android, com o fim do app da Samsung e a ausência de LiDAR de fábrica, pode reforçar a percepção de vantagem da linha Pro da Apple nesse nicho e empurrar usuários Android para soluções analógicas ou apps de terceiros menos estáveis.
Do lado da Apple, o fato de o recurso existir há anos com pouca divulgação sugere que a empresa trata o Measure como utilitário secundário. Ainda assim, em um mercado em que cada recurso nativo vira argumento de venda, a diferença entre “ter o app escondido” e “saber usá-lo” pode pesar na experiência — e, em hipóteses otimistas, até na retenção de quem troca de marca e sente falta de um medidor de fábrica confiável.
Fontes: Engadget
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