Arábia Saudita diz ter abatido mísseis e drones hutis mirando Riade

Coalizão saudita afirma ter interceptado drones e mísseis hutis rumo a Riade, Khamis Mushait e o Sul; hutis citam aeroporto e Aramco. Brent fechou sexta em máxima de seis meses.
Ilustração: Planespotter Geneva (Pexels)
A Arábia Saudita afirmou neste domingo, 25 de outubro de 2026, ter interceptado drones e mísseis lançados pelos hutis do Iêmen, alinhados ao Irã, com trajetórias que incluíam a capital Riade, a cidade de Khamis Mushait e a região sul do país. A informação veio da coalizão saudita no Iêmen, citada pela CNBC.
O episódio ocorre no mesmo fim de semana em que o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, anunciou a retomada parcial das operações, após um ataque anterior que havia suspendido os voos. No mercado, o petróleo Brent já havia fechado sexta-feira na máxima de seis meses, pressionado por temores de nova escalada no Oriente Médio.
O que aconteceu
Segundo a Agência de Imprensa Saudita, citada pela CNBC, o porta-voz da Coalizão Saudita para Restaurar a Legitimidade no Iêmen, Turki Al-Maliki, disse que dois drones e um míssil balístico foram “interceptados e destruídos” a caminho de Riade. Al-Maliki também afirmou que dez mísseis balísticos lançados pelos hutis em direção à região sul foram interceptados, assim como um míssil de cruzeiro rumo a Khamis Mushait.
Do outro lado, os hutis declararam em postagem no Telegram, conforme a reportagem, ter realizado “sete operações militares qualitativas” com mísseis balísticos e drones. Entre os alvos citados pelo grupo estavam o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, e instalações da Saudi Aramco em Yanbu, no litoral oeste saudita, além de outros aeroportos e pontos de energia no país. A Aramco não respondeu de imediato a pedido de comentário da CNBC.
O aeroporto de Riade informou a viajantes que retomava operações no domingo, com o Terminal 1 para voos domésticos e o Terminal 2 para rotas internacionais. A suspensão havia começado em 10 de outubro, após um ataque que, segundo a CNBC, matou pelo menos 13 pessoas e feriu cerca de 300 — o mais mortal contra a Arábia Saudita em mais de uma década.
A CNBC liga o clima de tensão aos combates recentes entre sauditas e hutis e a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, sugerindo que Washington e Israel planejam novos ataques ao Irã depois das eleições intermediárias (midterms) de 3 de novembro. Na quarta-feira, Trump disse que os EUA não negociavam com Teerã e que algo ocorreria “relativamente em breve”. Autoridades norte-americanas, segundo a CNBC com base no The New York Times, teriam planos de novos ataques após as midterms. Os EUA também orientaram funcionários não essenciais do governo e familiares a deixar a Arábia Saudita na semana passada, em meio aos ataques hutis.
No petróleo, o contrato futuro do Brent — referência internacional do crude — subiu 3,1% na sexta e fechou a US$ 116,72 o barril, o maior assentamento desde 29 de abril e máxima de seis meses. O West Texas Intermediate (WTI) avançou 3,8%, a US$ 103,27. Na semana, o Brent acumulou alta de 6,2%, a terceira consecutiva; o WTI ganhou 2,3%. Amrita Sen, fundadora da Energy Aspects, disse à CNBC que clientes perguntam menos “se” e mais “quando” haveria escalada, e que a visão da firma aponta maior probabilidade após as midterms do que antes.
O que isso pode mudar
Se as interceptações de domingo se tornarem rotina e os hutis mantiverem a narrativa de mirar aeroportos e energia, o prêmio de risco no petróleo pode permanecer elevado mesmo sem confirmação oficial de danos à Aramco — a empresa ainda não se pronunciou. Isso poderia sustentar preços próximos das máximas recentes, sobretudo se investidores lerem cada novo ataque como ensaio de interrupção de oferta.
Há também a hipótese de que a combinação entre combates saudita-hutis e sinais de Trump sobre ação “relativamente em breve” contra o Irã mantenha o foco do mercado na calendário das midterms de novembro. Nesse cenário, volatilidade no Brent e no WTI tende a acompanhar qualquer indício de retomada de ataques EUA-Israel, mais do que o balanço físico imediato de estoques.
Por outro lado, a retomada anunciada do aeroporto de Riade pode sinalizar, ao menos no curto prazo, tentativa de normalizar o fluxo civil sob defesa aérea ativa. Ainda assim, com mortes recentes no mesmo aeroporto e troca de fogos em curso, o equilíbrio entre operações civis e risco militar permanece frágil — e sensível a qualquer novo lançamento interceptado ou reivindicado.
Fontes: CNBC Top News
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