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BIS publica fala da Tailândia sobre fraude digital e Blueprint de Banguecoque

BIS publica fala da Tailândia sobre fraude digital e Blueprint de Banguecoque

Vice-governadora do Banco da Tailândia liga pagamentos instantâneos a risco de fraude e apresenta Blueprint de Banguecoque para serviços financeiros resilientes.

Ilustração: Tima Miroshnichenko (Pexels)

A vice-governadora do Banco da Tailândia, Daranee Saeju, colocou a segurança digital no centro do debate financeiro internacional ao abrir uma sessão do Fórum Econômico Mundial nas Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional e do Grupo Banco Mundial, em Banguecoque, em 15 de outubro de 2026. O eixo foi direto: quanto mais rápida e conectada fica a finança digital, mais ágil se torna a fraude — e com ela o risco de erosão da confiança no sistema.

Para a autoridade tailandesa, acesso e proteção precisam avançar juntos. Sem isso, a inclusão financeira perde sentido. Nesse marco, Saeju apresentou a agenda de Finanças Digitais Seguras e Inclusivas e o Blueprint de Banguecoque para serviços financeiros resilientes à fraude.

O que aconteceu

Nas observações publicadas pelo Banco de Compensações Internacionais (Bank for International Settlements, ou BIS), Saeju descreveu o salto dos pagamentos digitais na Tailândia. O PromptPay, sistema de pagamento instantâneo do país, processa mais de 80 milhões de transações por dia — quase dez vezes o nível de 2019. Em valor, o fluxo chega a cerca de 5 trilhões de baht por mês, 16 vezes o patamar de 2019. No acumulado de 2025, as transações somaram 54 trilhões de baht, mais do que o dobro do produto interno bruto do país.

O contraste, segundo a vice-governadora, está na proteção. Criminosos exploram redes instantâneas para mover recursos roubados entre instituições e fronteiras antes que o ecossistema reaja. Em escala global, fraudes e golpes teriam custado cerca de 579 bilhões de dólares só em 2025. A Força-Tarefa de Ação Financeira (Financial Action Task Force, ou FATF) aponta que 90% das jurisdições tratam a fraude como ameaça relevante de lavagem de dinheiro. Na leitura de Saeju, o problema deixou de ser só de proteção ao consumidor e passou a tocar confiança e estabilidade financeira.

Como anfitriã das Reuniões Anuais, a Tailândia firmou parceria com o Fundo Monetário Internacional e o Grupo Banco Mundial para desenvolver o Bangkok Blueprint for Fraud-Resilient Financial Services. Lançado com o texto The Bangkok Blueprint in Action, o documento reúne lições da Tailândia, de Hong Kong, da Malásia e de Singapura. A intenção é servir de referência prática, catalisar cooperação global e oferecer base para entidades padronizadoras.

Um workshop de julho com o Fórum Econômico Mundial testou essas considerações. A conclusão destacada: a ameaça já é integrada, mas a resposta continua fragmentada. O Blueprint busca alinhar bancos, telecoms, plataformas, reguladores e autoridades policiais. A fórmula citada — “criminosos colaboram por padrão; nossa resposta precisa colaborar por desenho” — resume a aposta em coordenação entre setores e fronteiras.

No terreno doméstico, o decreto de emergência sobre crime tecnológico permite compartilhar informações em tempo real entre bancos, telecoms, operadores de ativos digitais e plataformas. Com o Central Fraud Registry, um relato pode acionar rastreamento, suspensão de contas e articulação com a aplicação da lei. Saeju afirmou que, por um ano e meio, não houve registro de transação não autorizada de mobile banking causada por malware financeiro. Ainda assim, os criminosos mudaram de tática: em vez de invadir o aparelho, passam a convencer a pessoa a autorizar o pagamento.

O que isso pode mudar

O Blueprint, na formulação da vice-governadora, não é ponto final, e sim ponto de partida. Se a lógica de “ecossistema inteiro” ganhar tração, a hipótese mais imediata é a convergência gradual de práticas entre reguladores, bancos e plataformas — com troca de inteligência na mesma velocidade do fluxo de dinheiro.

Há uma tensão aberta. Saeju pergunta se a inteligência artificial usada pelos fraudadores também pode virar defesa — identificar comportamento suspeito, mapear redes de contas laranjas e antecipar ameaças —, desde que seja segura por desenho, transparente e accountable. Quando agentes de inteligência artificial passarem a mover dinheiro em nome das pessoas, a responsabilidade tende a se tornar o próximo nó regulatório. O aperto de controles precisa, segundo ela, proteger o usuário sem empurrá-lo para fora do sistema formal.

Fontes: BIS Speeches

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