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Bitcoin cai abaixo de US$ 81.500 com venda de tech e bolsas asiáticas

Bitcoin cai abaixo de US$ 81.500 com venda de tech e bolsas asiáticas

O bitcoin recuou 3,4% em 24 horas, a US$ 81.387, enquanto Nasdaq e S&P 500 fecharam em forte queda e a pressão se espalhou para Kospi e Nikkei.

Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)

O bitcoin (BTC) recuou abaixo de US$ 82 mil na noite de quinta-feira (22) e seguiu em baixa, acompanhando a venda de ações de tecnologia em Wall Street e a extensão do movimento às bolsas asiáticas na manhã de sexta. Em 24 horas, a maior criptomoeda do mundo caiu 3,4%, a US$ 81.387 às 21h30 (horário do leste dos EUA), segundo a página de preços do The Block, puxando o mercado cripto mais amplo para uma queda de cerca de 3%.

O movimento veio após um pregão americano marcado por perdas nas big techs e por dúvidas sobre o ritmo de gastos com inteligência artificial (IA). Na Ásia, o Kospi sul-coreano e o Nikkei 225 japonês também abriram no vermelho, reforçando o clima de aversão a risco que atravessou classes de ativos.

O que aconteceu

Além do bitcoin, outras criptoativos acompanharam a correção. O ethereum (ETH) caiu 3,5%, a US$ 2.388; o XRP recuou 3,8%; e o Zcash perdeu 7,7%. As liquidações no mercado cripto somaram US$ 440,9 milhões em 24 horas, das quais US$ 397 milhões em posições compradas (long), conforme dados da CoinGlass citados pelo The Block.

No mercado acionário dos Estados Unidos, o Nasdaq Composite fechou em baixa de 2,6% na quinta — a pior sessão desde junho, segundo o The Block, que remete a dados da CNBC. O S&P 500 recuou 1,21%, no pior desempenho diário desde julho. Entre as ações de tecnologia, a Meta Platforms caiu 6,98%, a Micron Technology 6,26%, a Nvidia 4,4% e a Advanced Micro Devices 8,1%, num cenário em que persistem preocupações com o nível de investimento em IA.

Na sexta de manhã, a onda se estendeu à Ásia: o Kospi da Coreia do Sul perdia 2,3% no pregão matinal, enquanto o Nikkei 225 do Japão caía 1,6%. Analistas ouvidos pelo The Block ligam a pressão no cripto ao mesmo eixo macro que atingiu as ações de risco. Dominick John, da Zeus Research, afirmou que o cripto está sob pressão macroeconómica por resultados fracos de empresas de tecnologia, tensões geopolíticas em alta e contenciosos contínuos entre EUA e Irã, fatores que reduzam o apetite por risco. Segundo ele, preocupações com avaliações de tech e gastos em IA, somadas à incerteza sobre o crescimento global, empurram investidores para uma postura mais defensiva.

Rick Maeda, chefe de mercados da Laevitas, disse que o cripto está a “negociar como uma posição de tech de alto beta” enquanto o Nasdaq caía na quinta, e apontou o financiamento de IA — em especial no caso da Meta — como principal motor. Dan Khus, analista-chefe da LVRG Research, observou que os traders passam a vigiar se os US$ 80 mil se mantêm como suporte, a persistência dos fluxos de ETFs (fundos negociados em bolsa) e qualquer nova volatilidade em ações ou no petróleo que possa prolongar a correção.

O que isso pode mudar

Se o bitcoin continuar a comportar-se como um ativo de risco espelhado na tech americana, uma eventual estabilização do Nasdaq e das big techs pode, em tese, aliviar a pressão sobre o mercado cripto — mas o contrário também vale: novos sinais de cautela com o financiamento de IA ou com o crescimento global tendem a reforçar a postura defensiva descrita pelos analistas.

O nível de US$ 80 mil emerge, neste quadro, como referência tática imediata. Caso ceda com volume e liquidações elevadas, o recuo pode ganhar amplitude; se segurar, parte do mercado pode interpretar o movimento como correção dentro de um ambiente ainda sensível a fluxos de ETFs e a choques externos em equities e commodities.

Participantes também acompanham o S&P Global Flash U.S. Manufacturing PMI de sexta-feira, indicador antecipado da atividade manufatureira nos EUA. Segundo John, da Zeus Research, o dado pode influenciar expectativas de crescimento e o sentimento em torno de cortes de juros — um canal que, se confirmar fraqueza ou surpresa positiva, pode alterar o humor de risco tanto em ações quanto em criptoativos nas próximas sessões.

Por ora, o quadro desenhado pelo The Block é de transmissão rápida da venda de Wall Street ao cripto e às bolsas asiáticas, com o bitcoin abaixo de US$ 81.500 e o mercado a calibrar suporte, fluxos e o próximo sinal macroeconómico.

Fontes: The Block

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