Bolsas da Ásia fecham mistas com PIB chinês de 4,5% e volatilidade em tecnologia

Nikkei cai em Tóquio após queda do Nasdaq, Kospi sobe com chips e Xangai avança após dados do terceiro trimestre em linha com o FactSet.
Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
As bolsas asiáticas encerraram esta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, sem direção única. O pregão combinou volatilidade nas ações de tecnologia com a divulgação do crescimento da China no terceiro trimestre, que ficou em linha com o que o mercado esperava.
No Japão, o Nikkei recuou 0,62%, para 64.916,70 pontos, com SoftBank (-2,0%) e Tokyo Electron (-2,6%) entre as pressões. O movimento veio depois de o Nasdaq ter caído 4,5% na semana passada, em meio a temores renovados sobre gastos com infraestrutura de inteligência artificial. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 1,76%, a 5.768,01 pontos, puxado por Samsung Electronics (+1,2%) e SK Hynix (+0,4%).
Na China continental, os índices registraram ganhos modestos após o Produto Interno Bruto (PIB) avançar 4,5% no terceiro trimestre em termos anuais, acelerando em relação aos 4,3% do segundo trimestre e alinhado à projeção de analistas consultados pela FactSet. O Xangai Composto fechou em alta de 0,39%, a 3.730,92 pontos, e o Shenzhen Composto, em 0,10%, a 2.228,80 pontos.
O que aconteceu
Segundo reportagem do Estadão com informações do Broadcast, o pregão asiático refletiu duas forças ao mesmo tempo: o alívio com os números da atividade chinesa e a cautela com o setor de tecnologia, ainda sensível ao desempenho recente das bolsas dos Estados Unidos.
Em Taiwan, o Taiex caiu 0,61%, para 46.822,08 pontos. Em Hong Kong, não houve negociação por causa de feriado local. Na Oceania, o S&P/ASX 200 em Sydney terminou em alta de 0,44%, a 8.845,70 pontos.
O índice sul-coreano acumula recuo superior a 17% no último mês e permanece bem abaixo da marca de 9.000 pontos, patamar superado em junho no auge da euforia global com a IA, segundo a matéria. Thomas Mathews, chefe de Mercados para a Ásia-Pacífico da Capital Economics, escreveu em comentário nesta segunda que a volatilidade das ações de tecnologia tenderia a aumentar à medida que a bolha de IA continuasse a inflar, citando vendas fortes e de curta duração comuns na bolha “dotcom”, mesmo com o mercado registrando grandes ganhos líquidos ao final do ciclo.
Impacto na prática
Para quem acompanha economia e mercados, o dia reforça que o ritmo da China segue no centro das contas sobre comércio e cadeias industriais na região. Um PIB de 4,5% no terceiro trimestre, em linha com o consenso do FactSet, pode, em tese, sustentar expectativas de demanda nas economias que exportam matérias-primas e componentes para Pequim, sem necessariamente eliminar a cautela com o setor de chips e IA.
A divergência entre Tóquio e Seul sugere que investidores podem estar separando empresas mais expostas ao ciclo de gastos em infraestrutura de inteligência artificial das fabricantes de semicondutores que ainda se beneficiam de fluxo de compras. A queda acumulada do Kospi no último mês indica que, mesmo em pregões de alta pontual, o mercado sul-coreano ainda carrega o peso da correção após o pico de junho.
Em países que dependem da estabilidade financeira asiática, a combinação de dados chineses sólidos com quedas em bolsas de tecnologia pode, hipoteticamente, aumentar a oscilação de moedas e ativos ligados ao comércio internacional nas próximas sessões, especialmente se os temores sobre gastos com IA continuarem a repercutir nos índices norte-americanos.
Com Hong Kong fechado e o Taiex em baixa modesta, o fechamento misto desta segunda pode antecipar uma semana em que analistas e gestores reavaliam se o crescimento chinês de 4,5% compensa, ou apenas convive com, a volatilidade que Thomas Mathews associa ao avanço da euforia em torno da inteligência artificial.
Fontes: Estadão
Leia mais em: mundodosnegocio.com.br