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Boom de luxo em Colombo anima chineses sob alerta de especulação

Boom de luxo em Colombo anima chineses sob alerta de especulação

Alta de imóveis premium no Sri Lanka reacende interesse chinês, mas analistas alertam para riscos de boom e crise e supervisão irregular.

Ilustração: Rafael Minguet Delgado (Pexels)

O mercado de imóveis de luxo em Colombo atravessa uma alta de preços que reacende o otimismo de desenvolvedores com laços chineses no Sri Lanka. A euforia, porém, chega acompanhada de alertas sobre especulação e supervisão irregular.

Segundo o South China Morning Post, o rally no segmento premium anima quem está por trás de um dos maiores empreendimentos do país, enquanto analistas lembram a sequência de investimentos imobiliários chineses no exterior que decepcionaram na última década.

O que aconteceu

Três novos projetos residenciais de luxo na Colombo Port City — distrito erguido em terra recuperada do mar pela China Harbour Engineering Co (Chec), unidade da China Communications Construction, em parceria com o governo cingalês — teriam atraído forte interesse de compradores locais. Os três empreendimentos, de construtoras locais de ponta, somam cerca de 650 milhões de dólares e foram anunciados com potencial de valorização de até 100% em quatro anos, segundo o jornal, citando a revista The Diplomat.

A própria Colombo Port City é um projeto de 1,4 bilhão de dólares. As obras começaram em setembro de 2014 e foram descritas pela Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais da China como o maior empreendimento de infraestrutura com investimento estrangeiro direto no Sri Lanka à época. A área recuperada foi pensada como novo centro de negócios voltado a turismo, serviços financeiros e logística, com meta de reunir 280 mil residentes e trabalhadores.

Em maio, a Chec celebrou o topping-out de um projeto de habitação pública em Colombo, com previsão de 112 unidades iniciais para famílias de baixa renda e mais 1.884 planejadas. Pesquisa do banco central do Sri Lanka apontou que mais de 20% dos apartamentos comprados no primeiro trimestre de 2026 tiveram finalidade de investimento. Cerca de 52% das vendas residenciais nos três meses encerrados em março ficaram acima de 50 milhões de rúpias (cerca de 150,6 mil dólares), ante 33% um ano antes.

O país integra a Iniciativa Cinturão e Rota, lançada pelo presidente Xi Jinping em 2013. A Autoridade de Gestão de Condomínios acompanha sobretudo edifícios já concluídos e teria capacidade limitada para regular o mercado de pré-venda, onde capital especulativo tem entrado com força.

Wang Feng, presidente do grupo financeiro Ye Lang Capital, de Xangai, afirmou que desenvolvedores chineses, após a dura lição da crise imobiliária na China, precisam manter cautela. Ele aposta que a alta recente no Sri Lanka não os fará perder o senso de risco.

O histórico no exterior reforça o tom. A Forest City da Country Garden, em Johor, na Malásia — lançada em 2016 para abrigar 700 mil pessoas em um complexo de 100 bilhões de dólares — tinha cerca de 9 mil moradores em 2020, apesar da venda de 28 mil unidades na primeira fase. No Sri Lanka, em 15 de outubro a China Merchants Port Holdings anunciou a saída de um hub logístico de 280 milhões de dólares em Colombo, joint venture de 2023 na qual detinha 70%. Em comunicado à bolsa de Hong Kong, a empresa disse que o encerramento atendia ao interesse de todas as partes.

O que isso pode mudar

Se a alta de luxo se sustentar sem aperto regulatório na pré-venda, o capital especulativo pode acelerar o deslocamento da oferta para o topo da pirâmide, aprofundando o descompasso entre demanda de investimento e habitação acessível — cenário que o avanço da Chec em moradia popular sugere tentar equilibrar, ao menos em parte.

Por outro lado, a supervisão desigual, a memória de fracassos chineses no exterior e a retirada da China Merchants Port podem frear o entusiasmo de novos players. Nesse caso, o boom de Colombo tenderia a ser lido menos como ponto de virada e mais como janela cíclica: atrativa enquanto os preços sobem, mas vulnerável a expansão e retração se a euforia superar a disciplina de risco que Wang Feng diz já estar no radar das construtoras chinesas.

Fontes: SCMP Business

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