Casa Branca alivia tarifas de 50% sobre parte dos bens canadenses

Washington retira da lista tarifária madeira compensada, papel, máquinas e embalagens canadenses e sinaliza pressão política às vésperas das midterms de 3 de novembro.
Foto: Andre Furtado (Pexels)
Os Estados Unidos começam a retirar parte das tarifas de 50% aplicadas a bens canadenses. Em nota divulgada nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026, a Casa Branca afirmou que a medida busca “proteger a prosperidade econômica e a segurança nacional do povo americano”.
O anúncio chega a menos de duas semanas das eleições intermediárias de 3 de novembro, em meio a uma guerra tarifária que se intensificou após o colapso das conversas comerciais no verão e que tem pesado sobre estados de fronteira e sobre a percepção de custo de vida entre eleitores.
O que aconteceu
Segundo a BBC, a Casa Branca informou que determinados produtos canadenses saem da lista de bens taxados. Entre os itens citados estão folhas de madeira compensada, alguns produtos de papel, certas máquinas e equipamentos de refrigeração, além de caixas e engradados de embalagem. Esses itens seriam substituídos, na lista tarifária, por válvulas, carpetes, resíduos e outros produtos, o que sugere um rearranjo seletivo da barreira, e não o fim do conflito comercial.
A senadora republicana Susan Collins, do Maine, foi quem primeiro anunciou as isenções, ligando o alívio à agricultura do seu estado. Em disputa apertada pela recondução — e na busca do sexto mandato —, Collins disse que nove categorias de produtos ligados a produtores de mirtilo, batata, maçã e algas marinhas deixam de enfrentar as tarifas americanas sobre o Canadá. Em mensagem na rede X, argumentou que muitos agricultores dependem de equipamentos especializados, materiais de embalagem e insumos canadenses sem equivalente viável nos EUA, ou só substituíveis a custo elevado.
A BBC também registra, com base no Wall Street Journal, que as isenções concentram-se em grande parte em agricultura e silvicultura canadenses e teriam sido calibradas para ajudar Collins e outros republicanos nas midterms. O mesmo relato indica que a redução pode ser compensada por aumento de taxas sobre outros bens canadenses — leitura que reforça o caráter de troca seletiva, e não de desmonte amplo da política tarifária.
Ainda nesta sexta, o presidente Donald Trump afirmou que o Canadá está “trabalhando muito duro” em um acordo comercial com os Estados Unidos. A BBC procurou Casa Branca, Departamento de Comércio e Representante Comercial dos EUA para mais esclarecimentos.
O que isso pode mudar
No curto prazo, o alívio pode reduzir custos de insumos e embalagens para produtores americanos que dependem da cadeia canadense, sobretudo no Maine e em outros estados de fronteira, cuja economia está exponencialmente ligada ao vizinho do norte e que sentiram os efeitos da guerra tarifária ao longo das últimas semanas. Se a substituição de itens na lista se confirmar na prática, o impacto líquido sobre o comércio bilateral pode ser ambíguo: alívio em um conjunto de mercadorias e pressão renovada em outro.
Politicamente, as isenções podem servir de argumento de campanha a republicanos sob pressão do tema da acessibilidade de preços. Collins já pediu alívio adicional e um acordo comercial mais amplo. Em Michigan, o republicano Mike Rogers veiculou anúncios pedindo a Trump o fim do impasse em um estado dependente de comércio, depois de meses apoiando a linha dura. Em New Hampshire, o ex-senador John Sununu também criticou as tarifas de retaliação.
Ainda assim, sem um acordo estrutural e com a possibilidade de novas tarifas sobre outros produtos, o cenário mais plausível é de alívio pontual e negociado sob calendário eleitoral, e não de normalização imediata das relações comerciais entre Washington e Ottawa.
Fontes: BBC Business
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