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Cazaquistão corta juros a 16,25% com inflação em 9,3% e tenge mais forte

Cazaquistão corta juros a 16,25% com inflação em 9,3% e tenge mais forte

Vice do Banco Nacional do Cazaquistão reporta ao governo desinflação de 12 meses, valorização do tenge e superávit externo no acumulado até setembro de 2026.

Ilustração: Atlantic Ambience (Pexels)

O primeiro vice-governador do Banco Nacional do Cazaquistão, Yerulan Zhamaubayev, apresentou em Astana, em 13 de outubro de 2026, o balanço do desenvolvimento socioeconômico e da execução do orçamento republicano de janeiro a setembro. O relatório, republicado pelo Banco de Compensações Internacionais (Bank for International Settlements, BIS), aponta desaceleração da inflação, tenge mais forte e superávit na conta corrente.

A inflação anual caiu pelo 12º mês seguido e ficou em 9,3% em setembro, com variação mensal de 0,6%. No mesmo mês, o índice de atividade empresarial — calculado com pesquisas do banco central — marcou 50,4 pontos, acima do nível neutro, sinal de atividade ainda positiva.

O que aconteceu

Segundo o relatório ao governo da República do Cazaquistão, a trajetória de preços refletiu medidas do Banco Nacional e do Executivo: condições monetárias moderadamente restritivas, elevação dos requisitos mínimos de reserva dos bancos de segundo nível, operações de “espelhamento” das compras de ouro, melhora do câmbio do tenge (KZT), ações macroprudenciais sobre a liquidez e o pacote anti-inflacionário do governo. Nesse ambiente, a taxa básica foi cortada para 16,25% em 4 de setembro.

Nos nove primeiros meses, a moeda nacional valorizou 13,7%, até 440,5 tenge por dólar. O movimento foi associado a maior oferta de divisas com demanda moderada — amparada por preços elevados do petróleo e de commodities de exportação —, à política monetária e à entrada de não residentes em títulos públicos, que chegou a 2,6 trilhões de tenge, alta de 786 bilhões desde o início do ano. Vendas de moeda do Fundo Nacional no mercado cambial somaram US$ 2,8 bilhões; a liquidez retirada pelo espelhamento atingiu 3,2 trilhões de tenge. O banco afirmou que manterá câmbio flexível para a economia se ajustar a choques externos.

No primeiro semestre, a conta corrente registrou superávit de US$ 2,4 bilhões. Exportações avançaram 25,4%, para US$ 55,3 bilhões, com ganho em mais de 80% das categorias. Importações de bens e serviços subiram 7,5%, para US$ 39,8 bilhões, sobretudo em bens intermediários e de investimento. Reservas internacionais brutas fecharam setembro em US$ 132,9 bilhões; as do Banco Nacional somaram US$ 66,2 bilhões (US$ 51,4 bilhões em ouro e US$ 14,8 bilhões em ativos cambiais). Ativos do Fundo Nacional cresceram 4,3%, a US$ 66,7 bilhões, com renda de investimento de US$ 2,2 bilhões em nove meses.

Ativos previdenciários da UAPF subiram 6,1% no ano, para 26,6 trilhões de tenge, com contribuições de 2,2 trilhões e renda de investimento de 766,3 bilhões. Saques antecipados somaram 490 bilhões de tenge, a maior parte no primeiro semestre, antes da elevação dos limiares mínimos de poupança. Depósitos expandiram 17,2% na comparação anual, a 50,2 trilhões de tenge no fim de agosto, com depósitos em tenge em alta de 23,0%, para 41,0 trilhões; a dolarização caiu a mínima histórica. A carteira de crédito bancário avançou 14,2% ante o ano anterior, a 16,4 trilhões de tenge em agosto, puxada por pequenas e médias empresas.

O que isso pode mudar

Zhamaubayev classificou a inflação em um dígito como conquista relevante, mas alertou que riscos pró-inflacionários seguem elevados no país e no exterior. Se Banco Nacional e governo consolidarem o pacote descrito, a desinflação pode avançar; se choques externos ou demanda interna romperem o equilíbrio, a queda dos preços pode perder ritmo.

Para quem tem exposição ao Cazaquistão, tenge mais firme, superávit externo e crédito em expansão podem reforçar a percepção de estabilidade relativa no curto prazo. O próprio banco, contudo, condiciona esse cenário à manutenção conjunta das medidas com o governo, sem garantir que o ciclo atual se prolongue automaticamente.

Fontes: BIS Speeches

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