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CENTCOM tem planos prontos para novos ataques ao Irã após midterms

CENTCOM tem planos prontos para novos ataques ao Irã após midterms

Comando Central dos EUA prepara opções de ofensiva contra Teerã; Trump oscila entre golpe imediato e acordo, enquanto Ormuz vive o pior mês de ataques a navios.

Ilustração: Tuğba (Pexels)

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) já tem planos prontos para uma nova rodada de ataques ao Irã, segundo a Al Jazeera com base no site The Hill. A guerra, iniciada em fevereiro, se aproxima do oitavo mês.

Os preparativos avançam, mas não equivalem a uma ordem de ataque. A decisão final cabe ao presidente Donald Trump, que neste fim de semana mesclou ameaça de golpe imediato e a ideia de um acordo “grande e belo” com Teerã.

O que aconteceu

De acordo com The Hill, planejadores militares elaboraram várias opções para o secretário de Defesa Pete Hegseth. O foco da cobertura aponta para um possível retorno à ofensiva depois das eleições intermediárias norte-americanas de 3 de novembro. Ainda assim, Trump sugeriu no sábado que Washington poderia agir “amanhã”, ao mesmo tempo em que deixou aberta a porta da diplomacia.

Mais cedo neste mês, a Axios informou que o Pentágono instruiu o CENTCOM a concluir preparativos para uma eventual retomada de operações de combate de grande porte. Fontes citadas falaram em alvos como instalações energéticas, infraestrutura e sítios nucleares iranianos. Em paralelo, The New York Times noticiou que Estados Unidos e Israel desenharam planos conjuntos de ataque após as midterms.

O clima de alerta cresceu com um memorando de inteligência enviado na sexta-feira pelo diretor de Inteligência Nacional Jay Clayton ao secretário de Estado Marco Rubio. O texto afirmou que o Irã teria “aumentado substancialmente” esforços para mirar pessoal norte-americano, com planos letais em “estágios avançados” no Oriente Médio e em outros lugares. O Departamento de Estado ordenou redução de efetivo em várias embaixadas da região.

Em comício na sexta, Trump disse que Washington “pode fazer outro pequeno Epic Fury”, referência ao codinome da operação militar EUA-Israel lançada em 28 de fevereiro. No sábado, recusou detalhar o calendário, mas sugeriu que um ataque poderia ocorrer já no domingo.

Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian acusou Washington de sabotar as negociações, mas pediu que os esforços por um acordo continuem. O porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica, Hossein Mohebi, afirmou que a doutrina militar passou de defensiva a ofensiva: se um país atacar o Irã, haverá resposta e também ofensiva. Teerã também afirmou ter abatido um drone LUCAS sobre Bandar Abbas, e a Reuters citou planos iranianos de mirar cabos de comunicação submarinos no Golfo em caso de nova ofensiva.

Outubro já é o pior mês de ataques a navios perto do Estreito de Ormuz desde o início da guerra, com mais de 120 incidentes. Sete petroleiros teriam pegado fogo ou sofrido danos na área no começo da semana. Os EUA devem enviar ao Oriente Médio, até o fim de novembro, o terceiro grupo de ataque de porta-aviões — o USS Theodore Roosevelt —, cerca de 10 mil soldados adicionais e a 13ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros.

O que isso pode mudar

Analistas ouvidos pela Al Jazeera veem risco real de nova escalada, sem clareza sobre o que uma campanha de bombardeio adicional conquistaria. Julie Norman, da Chatham House, descreveu os planos como postura dissuasória imediata e, ao mesmo tempo, opção concreta após as midterms. Mohamad Elmasry, do Instituto Doha de Estudos de Pós-Graduação, apontou sinais de que o caminho aponta mais para novo combate do que para avanço diplomático, e alertou que a próxima rodada poderia ser mais perigosa do que a anterior.

O timing é politicamente sensível. Trump enfrenta pressão para evitar escalada antes do voto legislativo, enquanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu — sob pressão eleitoral interna — tem defendido ataque e disse que derrubar o governo iraniano permanece o “objetivo principal” de Israel. No curto prazo, o Estreito de Ormuz e a infraestrutura energética regional concentram o maior risco de acidente estratégico. A pergunta que paira sobre assessores militares, segundo Norman, é se nova ofensiva traria algo que as rodadas anteriores não trouxeram — e se forçaria Teerã à mesa.

Fontes: Al Jazeera

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