Como líderes podem mudar de ideia sem perder credibilidade

Como líderes podem mudar de ideia sem perder credibilidade

Art Markman, na Fast Company, diz que líderes podem revisar posições sem parecer volúveis se evitarem compromisso precoce e tornarem claros seus princípios.

Foto: Yan Krukau (Pexels)

Mudar de opinião em público ainda carrega o risco de ser rotulado como volúvel. Em artigo publicado nesta quinta-feira (22) na Fast Company, o psicólogo e colunista Art Markman argumenta que, num ambiente em constante mudança, líderes precisam ajustar crenças e planos quando surgem novos dados — sem parecerem caprichosos.

O texto parte da frase clássica de Ralph Waldo Emerson de que “uma consistência tola é o fantasma das mentes pequenas”. Para Markman, a ideia do século XIX continua atual: o mundo moderno também costuma punir quem revisa uma posição, marcando essas viradas como “flip-flop”.

O que aconteceu

Markman descreve um paradoxo da liderança contemporânea. Por um lado, opiniões, crenças e planos deveriam evoluir à medida que a informação melhora. Por outro, a expectativa pública ainda valoriza a aparência de firmeza, mesmo quando a posição original já perdeu utilidade.

Uma das causas das reviravoltas públicas, escreve ele, é a pressão para tomar posição cedo demais. Muitos líderes tratam o ato de liderar como obrigação de definir prioridade e opinião sobre cada tema que explode na agenda. A informação circula rápido, mas isso não significa que o responsável já tenha elementos suficientes para decidir o que fazer, dizer ou acreditar sobre uma situação em movimento.

A primeira orientação do artigo é evitar o comprometimento prematuro. Markman recomenda comunicar com clareza quando ainda não há dados para uma opinião definitiva. É possível informar que se está reunindo evidências e que há receio de ficar “preso” à primeira declaração. Atrasar um pronunciamento, reforça o autor, não é o mesmo que tratar o assunto com desdém.

Quando alguma ação é inevitável, o conselho é preparar passos sem fechar um curso único. Manter opções abertas pode ser a escolha correta. Explicar as medidas tomadas antes da decisão firme ajuda a equipe e o público a enxergar o raciocínio em curso, em vez de interpretar o silêncio como omissão.

O segundo eixo do texto trata dos princípios. Situações mudam mesmo quando o líder acreditava ter a melhor informação possível — e, nesses casos, a revisão pública pode ser necessária. Segundo Markman, a crítica a quem muda de ideia muitas vezes não mira o conteúdo novo da posição. Mira um olhar cínico segundo o qual o dirigente nunca teve compromissos reais, apenas “spin” para agradar a plateia. Quando a opinião muda, a leitura hostil é que se escolheu simplesmente o discurso que “soa melhor”.

Por isso, o artigo destaca a necessidade de identificar os princípios que sustentam as escolhas. Sem esse fio condutor explícito, qualquer atualização tende a ser lida como oportunismo, e não como ajuste responsável diante de fatos novos.

O que isso pode mudar

Se a lógica de Markman ganhar espaço nas práticas de comunicação corporativa e política, é possível que declarações iniciais passem a ser mais cautelosas e processuais, com menos “posições finais” anunciadas sob pressão do ciclo de notícias. Isso poderia reduzir o custo reputacional de corrigir o rumo quando evidências novas aparecem.

Também pode alterar a forma como conselhos, investidores e equipes avaliam a credibilidade. Em vez de premiar apenas a inflexibilidade, o critério tenderia a valorizar quem explica o que mudou na base de informação e o que permanece estável nos princípios. Ainda assim, o risco de rotulagem como volúvel provavelmente não desaparece: em ambientes polarizados, qualquer revisão pode continuar sendo lida como fraqueza ou cálculo de imagem.

No limite, o artigo sugere uma mudança cultural na própria ideia de autoridade. Liderar bem, nessa leitura, não seria defender a primeira frase a qualquer custo, e sim demonstrar julgamento vivo diante de um mundo dinâmico — sem abandonar o fio condutor que sustenta a confiança.

Fontes: Fast Company – How to change your mind without losing credibility.

Fontes: Fast Company

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