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COP31 quer cortar pela metade o crescimento global de resíduos até 2035, diz Turquia

Há 3 h
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A presidência turca da conferência de clima da ONU em Antália quer engajar governos e empresas em medidas voluntárias e impulsionar a Plataforma de Istambul, apontando resíduos como 4% das emissões globais em 2019.

Redação Mundo dos Negócios · 17/10/2026

Foto: Caroline Cagnin (Pexels)

Incentivar medidas para diminuir a geração de lixo é uma das pautas prioritárias da Turquia para a COP31, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas prevista para novembro em Antália. A presidência turca da cúpula busca reduzir pela metade o crescimento global de resíduos até 2035, em linha com a chamada Agenda de Ação — um conjunto de iniciativas voluntárias voltadas a mobilizar governos e o setor privado no combate ao aquecimento global.

Embora a crise climática seja atribuída sobretudo à queima de combustíveis fósseis para gerar energia, a contribuição dos resíduos não é marginal. Segundo o relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), publicado em 2023, em 2019 o setor emitiu 2,3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), o que representa 4% das emissões globais daquele ano — o dobro da parcela da aviação civil, estimada em 2% no mesmo período.

Christian Mensah, conselheiro do campeão climático da COP31 — cargo ocupado pelo empresário Samed Agirbas — ressalta que a adesão às propostas turcas será voluntária e que o tema dos resíduos não consta da agenda formal de negociação entre os quase 200 países participantes. A reportagem foi publicada nesta sexta-feira (17) a partir de Istambul.

O que aconteceu

Os resíduos liberam metano (CH₄), gás de efeito estufa cerca de 30 vezes mais potente que o CO₂ e com permanência na atmosfera da ordem de uma década, enquanto o dióxido de carbono pode permanecer por até um século. Para a equipe que assessora o campeão climático, cortar emissões ligadas ao lixo pode funcionar como um atalho para frear o aquecimento no curto prazo.

“Lixo zero não é deixar de gerar resíduos, porque não comemos a casca da banana. Quando falamos em circularidade, nos referimos a uma situação em que, antes de começar qualquer trabalho, precisamos pensar em como descartar, minimizar ou reaproveitar os resíduos”, afirmou Mensah à Folha.

Na COP31, a Turquia pretende impulsionar a Plataforma de Istambul, apresentada em junho pela Fundação Lixo Zero — criada em 2023 pela primeira-dama Emine Erdogan e presidida por Agirbas — para reunir soluções dispersas de redução de resíduos. A expectativa é lançar uma declaração endossando o mecanismo, aberta à assinatura dos países. Istambul quer se tornar referência em lixo zero e atrair dez organizações internacionais do setor em cinco anos, embora a Turquia seja um dos maiores produtores de plástico do mundo.

As negociações formais em Antália ficarão sob comando da Austrália, em parceria inédita nas conferências de clima. Mensah defende manter os resíduos na Agenda de Ação, evitando levar o tema à sala de negociação — o que, na avaliação dele, poderia replicar a dinâmica do Acordo de Paris, com metas voluntárias ainda aquém do necessário. Diferente da COP29, a cúpula turca não precisa tratar financiamento climático. O conselheiro cita planos nacionais graduais, novas fontes de capital e, em tese, tributos sobre produtos que geram muito lixo, além de fluxos de resíduos entre empresas.

Impacto na prática

Se governos e empresas aderirem à Agenda de Ação, cadeias de consumo e descarte em vários países podem incorporar metas de crescimento de resíduos, com possíveis efeitos em reciclagem e embalagens. Um endosso amplo à Plataforma de Istambul poderia centralizar soluções hoje fragmentadas.

Para consumidores, mudanças em produtos e aterros podem, em hipótese, alterar custos e hábitos de descarte onde houver metas nacionais. Cortes de metano em resíduos podem, em tese, ajudar a frear o aquecimento no curto prazo, sem substituir a transição energética.

A Turquia não promete um acordo vinculante sobre lixo em Antália; o avanço dependerá da disposição de cada país e do setor privado em assinar declarações e implementar planos. A última conferência, em Belém, também se apresentou como focada em implementação, mas registrou poucos avanços concretos — o que sugere que o resultado em resíduos na COP31 pode ficar condicionado menos a novas metas globais e mais à capacidade de colocar em prática o que já está na mesa.

Fontes: C-Level / Folha — COP31 pretende estimular governos e empresas a reduzir geração de lixo (Gabriel Gama, 17.out.2026)

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