CSTS vira empresa de experiências e mira Copa, Euro e Fórmula 1

Após comprar a Connexus, a CSTS Enterprises, liderada por Abel Zhao, abandona o turismo corporativo clássico e aposta em eventos ao vivo, luxo de acesso e serviço com tecnologia.
Foto: RDNE Stock project (Pexels)
A CSTS Enterprises, grupo de Hong Kong com 78 anos de história no turismo corporativo tradicional, reposiciona-se na chamada economia da experiência. Sob o comando do CEO de grupo e diretor executivo Abel Zhao, a companhia mira luxo, eventos globais e serviço apoiado em tecnologia — e aposta que o futuro da viagem será definido menos pelo destino e mais pelo que o cliente consegue fazer ao chegar.
O movimento ganhou corpo após a aquisição da Connexus, uma das principais agências de viagens de Hong Kong, e coloca a CSTS na interseção entre turismo, esporte, entretenimento, tecnologia e grandes eventos ao vivo. A ambição declarada é tornar-se “a principal inovadora de experiências do mundo”, conectando pessoas, marcas e culturas.
O que aconteceu
Segundo o South China Morning Post Business, em matéria do C-Suite Content Hub assinada por Jolene Otremba, a transformação da CSTS foi, em parte, resposta a uma necessidade. A Covid-19 abalou o setor de viagens e, nas palavras de Zhao, mais da metade das agências de Hong Kong desapareceu. “Precisávamos encontrar uma forma de crescer”, afirmou o executivo.
Zhao ilustra a tese com uma memória pessoal: ainda no ensino médio, durante a Copa do Mundo da Fifa de 1998, era jovem demais para entrar no estádio e ficou do lado de fora com amigos, ouvindo o rugido da torcida. Décadas depois, essa sensação de presença coletiva entra no pensamento estratégico da empresa. A Connexus já dava à CSTS base forte em negócios entre empresas, com clientes corporativos multinacionais, relacionamentos consolidados, expertise operacional e infraestrutura de viagem. O passo seguinte foi aplicar esses ativos à economia da experiência — sobretudo esporte global, entretenimento e eventos exclusivos.
O luxo, no relato de Zhao, deixou de ser só voo premium, hotel cinco estrelas e restaurante caro. Clientes buscam cada vez mais acesso, raridade, significado e memórias. “Tradicionalmente, quando as pessoas pensavam em viagem, pensavam em reservar voos e hotéis. Agora isso está completamente redefinido”, disse o CEO. Eventos como Copa do Mundo da Fifa, Campeonato Europeu da Uefa e Fórmula 1 exigem bem mais do que ingresso: logística, hospitalidade, conhecimento local, planos de contingência e atendimento personalizado.
Por isso a CSTS quer ser uma “empresa de experiências”, e não apenas intermediária de turismo. Para o cliente de evento, a jornada começa “quando ele pisa no avião” e segue até o retorno em segurança. Equipes em várias localidades coordenam fornecedores, resolvem problemas em tempo real e gerenciam cada etapa. “Precisão e personalização”, resume Zhao. Na Copa do Mundo da Fifa de 2026, a empresa atendeu clientes de gasto ultralto — inclusive uma família cujo desembolso ultrapassou US$ 2 milhões —, sinal de que o modelo já opera no topo da pirâmide de consumo de experiências.
O que isso pode mudar
Se a leitura de Zhao se confirmar, agências e operadores que ainda vendem só bilhete e hotel podem perder espaço para quem entrega acesso raro e acompanhamento de ponta a ponta. Em mercados saturados ou ainda frágeis após a pandemia, a virada para esportes, shows e hospitalidade de alto valor pode virar rota de sobrevivência — e de diferenciação diante de rivais que sumiram na crise.
A hipótese é que a disputa deixe de ser só preço de pacote e passe a ser capacidade de orquestrar fornecedores, contingências e personalização em escala global. Isso poderia elevar a barreirade entrada: quem não tiver rede B2B, times multilocalizados e domínio de eventos complexos tende a ficar na periferia. Ao mesmo tempo, o exemplo da família que gastou mais de US$ 2 milhões na Copa de 2026 sugere que o topo do mercado continua disposto a pagar por exclusividade — o que, se se espalhar, pode puxar novas ofertas híbridas entre viagem corporativa e lazer de elite, com tecnologia nos bastidores e emoção no centro do produto.
Fontes: SCMP Business
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