Eli Lilly supera projeções e eleva meta de vendas com Zepbound e Mounjaro

A Eli Lilly bateu as estimativas do 3º trimestre e elevou a previsão de receita de 2026 para até US$ 92 bilhões, com Zepbound e Mounjaro acima do esperado; o comprimido Foundayo ficou abaixo.
Ilustração: Mindaugas Skrupskelis (Pexels)
A Eli Lilly divulgou nesta quinta-feira (29) lucro e receita do terceiro trimestre de 2026 bem acima das previsões de Wall Street e elevou a meta de vendas do ano, impulsionada pela demanda renovada pelo remédio para obesidade Zepbound e pelo tratamento para diabetes Mounjaro.
As ações da companhia avançavam cerca de 4% no pregão pré-mercado. O novo comprimido para obesidade Foundayo, da classe dos agonistas do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1), lançado nos Estados Unidos em abril, ficou abaixo do que o mercado esperava.
O que aconteceu
Segundo a CNBC, a farmacêutica reportou lucro ajustado de US$ 7,48 por ação, ante expectativa de US$ 6,26, e receita de US$ 24,40 bilhões, contra US$ 22,61 bilhões previstos, conforme levantamento da LSEG. O lucro líquido foi de US$ 6,45 bilhões, ou US$ 7,22 por ação, incluindo encargos de US$ 4,57 por ação ligados a negócios no trimestre, frente a US$ 5,58 bilhões, ou US$ 6,21 por ação, um ano antes.
A Lilly agora projeta receita de 2026 entre US$ 91 bilhões e US$ 92 bilhões, acima da faixa anterior de US$ 85 bilhões a US$ 87 bilhões. O lucro ajustado do ano deve ficar entre US$ 35 e US$ 36 por ação, ante orientação prévia de US$ 35,50 a US$ 36,50. A empresa elevou a orientação subjacente de lucro em US$ 4,07 por ação no ponto médio, compensada pelos referidos encargos de acordos.
A receita mundial do Mounjaro subiu 65%, a US$ 10,72 bilhões, incluindo cerca de US$ 5 bilhões nos EUA, superando as estimativas de US$ 10,10 bilhões no mundo e US$ 4,79 bilhões no mercado americano citadas pela StreetAccount. Fora dos EUA, as vendas do produto saltaram 93%. O Zepbound faturou US$ 5,35 bilhões no trimestre, alta de 49% ante o mesmo período do ano anterior, acima dos US$ 5,09 bilhões esperados; a maior parte veio dos Estados Unidos.
Já o Foundayo arrecadou US$ 184 milhões no trimestre, abaixo dos cerca de US$ 229 milhões previstos. É o segundo balanço com receita do comprimido, que disputa o mercado oral com um rival da Novo Nordisk lançado em janeiro. Nos EUA, a receita da Lilly avançou 34%, a US$ 15,1 bilhões, com volume 41% maior, sobretudo de Mounjaro e Zepbound, parcialmente compensado por queda de 7% nos preços realizados, puxada pelo Zepbound. Fora dos EUA, as vendas subiram 47%, a US$ 9,3 bilhões, com volume 76% maior e preços realizados 29% menores.
A CNBC aponta que a liderança de participação da Lilly sobre a rival Novo não dá sinais de arrefecer, mesmo com preços líquidos mais baixos nos EUA após acordo de preços de medicamentos com o governo Trump no ano passado. A companhia também citou a cobertura ampliada do Medicare para cuidados de obesidade, com GLP-1s para emagrecimento a partir de julho, em programa-piloto temporário. Em paralelo, a Lilly vem convertendo lucros em aquisições, incluindo acordo para comprar a Merida Biosciences, voltada a tratamentos autoimunes e alérgicos.
O que isso pode mudar
O salto da orientação de receita pode reforçar a leitura de que a demanda por Mounjaro e Zepbound continua a sustentar o ciclo de crescimento da Lilly, mesmo com pressão de preços nos EUA e no exterior. Se o volume seguir expandindo como no trimestre, a empresa poderia consolidar ainda mais a vantagem de mercado frente à Novo — hipótese que depende da manutenção da cobertura e da adesão dos pacientes.
Por outro lado, o desempenho abaixo do esperado do Foundayo pode indicar que a transição para a forma oral de GLP-1 será mais gradual do que Wall Street projetava, sobretudo diante da concorrência já no mercado. Os encargos de aquisições também podem limitar, no curto prazo, o lucro reportado por ação, ainda que a orientação subjacente tenha sido elevada. O próximo teste deve ser a capacidade da Lilly de transformar o fluxo de caixa da franquia de diabetes e obesidade em novos ativos, como a Merida, sem diluir o foco comercial que hoje impulsiona as projeções de 2026.
Fontes: CNBC Top News
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