EUA sancionam intermediários russos de cripto ligados a fraude de TI norte-coreana

O OFAC puniu dez pessoas e uma entidade na Rússia e na Coreia do Norte. Dois russos teriam convertido milhões em criptomoedas para redes de trabalhadores de TI que financiam Pyongyang.
Ilustração: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
Os Estados Unidos sancionaram intermediários russos acusados de converter milhões de dólares em criptomoedas para redes de trabalhadores de tecnologia da informação norte-coreanos. Segundo a CoinDesk, as medidas miram o fluxo de salários obtidos no exterior que, na avaliação de Washington, alimenta programas de armas de Pyongyang.
A ação foi anunciada pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), o braço do Tesouro americano responsável por sanções econômicas, e alcança dez indivíduos e uma entidade ligados a esquemas sediados na Rússia e na Coreia do Norte.
O que aconteceu
De acordo com a reportagem da CoinDesk, o OFAC designou as alvos em 28 de outubro de 2026. No centro da denúncia estão dois nacionais russos descritos como intermediários financeiros. Ilya Aleksandrovich Boykov teria trocado e convertido cerca de US$ 3,5 milhões em transações com criptomoedas para a Alis, empresa sancionada em março de 2024 e associada a trabalhadores de TI norte-coreanos.
Vitold Viktorovich Obertas, por sua vez, teria realizado quase US$ 2 milhões em conversões de criptomoedas e ao menos US$ 1,25 milhão em outras operações cambiais para autoridades norte-coreanas desde janeiro de 2025, segundo o departamento citado pela publicação.
A CoinDesk descreve o funcionamento do esquema: identidades roubadas, documentos fraudulentos e personas fabricadas seriam usados para conseguir empregos em empresas legítimas. A Coreia do Norte ficaria com a maior parte dos salários, transformando pagamentos por desenvolvimento de software e outros serviços de TI em receita estatal.
O risco, segundo o Tesouro citado na matéria, não se limita a contratar um funcionário disfarçado. Trabalhadores norte-coreanos de TI teriam usado acesso a redes corporativas para instalar malware — programas maliciosos — e roubar dados sensíveis e informações proprietárias.
A firma de análise de blockchain Chainalysis, citada pela CoinDesk, afirmou que operativos também recorreram a inteligência artificial generativa para redigir currículos e cartas de apresentação e se preparar para entrevistas técnicas. Em alguns casos, fotos de perfil geradas por IA e vídeos deepfake teriam ajudado a ocultar identidades em chamadas de contratação. A mesma empresa teria rastreado criptomoedas obtidas por um trabalhador norte-coreano até Boykov, que as enviou à Garantex, corretora russa já sancionada, para converter em dinheiro.
Entre os sancionados está o First Financial and Technical Development Center, organização controlada pela Coreia do Norte na Rússia. Seis trabalhadores designados junto com o centro teriam gerado mais de US$ 750 mil para a organização desde 2025. O aviso oficial de designação lista oito endereços de criptomoedas distintos nas redes Ethereum e Tron ligados aos indivíduos sancionados. Em março, lembra a CoinDesk, o Tesouro já havia sancionado seis pessoas e duas empresas que teriam lavado US$ 800 milhões em cripto para a Coreia do Norte.
O que isso pode mudar
A nova leva de sanções pode, em tese, apertar o cerco a intermediários que fazem a ponte entre salários em cripto e o caixa do regime. Ao publicar endereços em Ethereum e Tron e apontar nomes como Boykov e Obertas, Washington sinaliza que o foco não está só em hackers de alto perfil, mas também na camada de conversão financeira que sustenta a fraude de emprego remoto.
Para empresas que contratam desenvolvedores à distância, o episódio reforça a hipótese de que verificação superficial de identidade e entrevistas apenas por vídeo deixam lacunas exploráveis — inclusive com deepfakes e currículos gerados por IA. Em linha com o que a CoinDesk reporta via Chainalysis e Tesouro, o custo potencial não seria só salarial: inclui exposição a malware e vazamento de propriedade intelectual.
No mercado de criptomoedas, a designação de endereços e a menção a canais como a Garantex podem aumentar a pressão sobre corretoras e provedores de análise on-chain para bloquear fluxos ligados a essas redes. Ainda assim, o histórico citado — incluindo a lavagem de centenas de milhões apontada em março — sugere que Pyongyang e seus intermediários tendem a buscar novas rotas sempre que uma é fechada. O efeito prático dependerá, portanto, da velocidade com que bancos, exchanges e empregadores traduzirem as listas do OFAC em controles concretos de compliance e contratação.
Fontes: CoinDesk
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