← CapaEconomia

Ex-ministro chinês em fórum do CCG rejeita superprodução e cobra acordos de investimento

Ex-ministro chinês em fórum do CCG rejeita superprodução e cobra acordos de investimento
Imagem ilustrativa

Chen Deming, ex-titular do Comércio e presidente honorário do CCG, defendeu a internacionalização das empresas chinesas em Pequim e criticou o abandono das negociações de tratado com os EUA.

Foto: K (Pexels)

O ex-ministro do Comércio da China Chen Deming discursou no Fórum de Investimento Externo Chinês de 2026, promovido pelo Center for China and Globalization (CCG) em Pequim no sábado (17). A transcrição das falas foi divulgada neste domingo (18) pelo boletim Pekingnology, a partir de gravação do evento e sem revisão do orador.

Presidente honorário do CCG, Chen defendeu a internacionalização das empresas chinesas e afirmou que o governo ainda precisa fechar mais acordos bilaterais de investimento, com listas negativas, incentivos e garantias legais. Rejeitou a ideia de que o superávit comercial do país se resume a “superprodução” e sustentou que a inteligência artificial não substituirá a inteligência humana.

O discurso misturou balanço econômico e diplomacia comercial: o ex-ministro recordou tratados com os Estados Unidos e a União Europeia paralisados e alertou que, sem regras claras, investidores chineses seguem expostos a barreiras em mercados ocidentais.

O que aconteceu

Chen disse que a “ida global” ganhou destaque nos últimos anos porque a história mostrou ser necessária. Citou a China como segunda maior economia, principal nação comercial e com o segundo maior estoque de investimento estrangeiro, reconhecendo também o apoio internacional ao longo das reformas.

Para justificar investimentos no exterior, apontou a responsabilidade de Pequim como grande potência, a necessidade de compartilhar experiências e o cenário interno de “oferta forte e demanda fraca” — termo que preferiu ao de superprodução, por entender que este culpa só o excesso chinês pelos desequilíbrios comerciais globais.

No papel estatal, elogiou a exposição do vice-ministro Chen Jian (Comércio) e pediu mais tratados bilaterais. Relatou que o texto do acordo de investimento com os EUA estava praticamente fechado na era Obama, mas foi encerrado quando Donald Trump assumiu a Casa Branca na primeira vez; as conversas não voltaram. Questionou como seria o quadro hoje se houvesse lista negativa americana definida, diante das pressões por repatriar negócios.

Sobre a Europa, lembrou que o déficit diário de cerca de 1 bilhão de euros em bens não inclui serviços, nos quais a China tem déficit de dezenas de bilhões com a UE, e que o bloco mantém superávit global mesmo com déficit em mercadorias com Pequim. Disse que um acordo de investimento China-UE, quase concluído em seu tempo de ministro, foi suspenso por um impasse menor, de modo que empresas chinesas ainda não conhecem a lista negativa nem regras de proteção e meio ambiente na UE. Parte do discurso ficou restrita à sala e foi omitida na publicação.

Em inteligência artificial, citou o GPT-6 do ChatGPT (6 de setembro) como possível passo rumo à AGI e a mudança na relação entre demanda de CPUs e GPUs. Afirmou que sanções dos EUA limitam o poder computacional chinês, mas não necessariamente aplicações no mundo real, e que patentes e serviços técnicos já abrem caminho nos EUA. Mencionou o acordo entre Xi Jinping e Trump para discutir governança de IA e advertiu sobre riscos militares sem supervisão governamental.

Impacto na prática

Embora Chen não fale em nome do governo atual, as declarações podem reforçar a narrativa oficial em disputas com Washington e Bruxelas: demanda global fraca, complementaridade com a Europa e prioridade a tratados de investimento. Para companhias chinesas, isso sugere que entraves em dados, segurança e compensações continuariam ligados a negociações entre Estados, não só a decisões empresariais.

A ênfase na coexistência entre inteligência humana e artificial, com papel do Estado na governança, pode alimentar debates sobre exportação de software aberto e aplicações industriais. Em hipótese, a retomada — ou não — de acordos com EUA e UE poderia afetar o ritmo de investimentos verdes, aquisições e parcerias de cadeia fora da China, rotas que o próprio discurso listou além do greenfield.

Se os tratados permanecerem parados, investidores chineses podem seguir entrando em mercados por comércio, licenciamento e alianças, mas com maior incerteza jurídica onde a proteção formal é mais exigida — cenário que o fórum do CCG expôs como prioridade do establishment comercial chinês para a globalização empresarial.

Fontes: Pekingnology — Former commerce minister’s remarks at CCG’s forum

Leia mais em: mundodosnegocio.com.br