Falta de ônibus no 2º turno reacende disputas judiciais e ecoa o caso da PRF em 2022

Denúncias de frota reduzida em SP e Salvador no 2º turno reacendem litígios e o paralelo com a PRF em 2022.
Ilustração: Malcoln Oliveira (Pexels)
A falta de ônibus e as restrições ao transporte de eleitores voltaram ao centro das disputas judiciais no segundo turno das eleições presidenciais neste domingo, 25 de outubro de 2026. Em dezenas de municípios, denúncias de redução da frota levaram a pedidos de prisão de gestores e a decisões da Justiça Eleitoral para restabelecer a circulação dos veículos, segundo a Exame.
O quadro remete a 2022, quando operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no segundo turno levantaram suspeitas de interferência eleitoral. Em linha com o panorama em tempo real do Money Times, a disputa nacional neste domingo envolve Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), e, às 17h05, o horário de votação havia terminado sem resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre pedidos de prorrogação.
Os episódios diferem do precedente: em 2022 as suspeitas se concentraram em fiscalizações nas rodovias; neste domingo, as denúncias dizem respeito à oferta de transporte urbano e ao cumprimento de ordens judiciais para manter os ônibus em circulação.
O que aconteceu
Em São Paulo, a Justiça Eleitoral havia determinado a operação de 100% da frota operacional, com frequência de dias úteis, sob pena de multa de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans em caso de descumprimento injustificado. A campanha de Lula pediu a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, após dados indicarem que 100% da frota não estava em circulação. O pedido, conforme a Exame, não significa que os gestores tenham sido presos.
A mesma reportagem registra que, às 13h20, 71,7% da frota estava em circulação apesar da ordem de operação integral. Em tempo real no Money Times, a campanha do PT foi citada como tendo identificado redução de 31,4% nas frotas de São Paulo — número que diverge do indicador de “100% fora de circulação” atribuído à campanha na Exame e deve ser lido com cautela, privilegiando o eixo da fonte primária. A SPTrans disse ter recebido a determinação às 13h10 de sábado, 24, e comunicado as concessionárias às 13h32; segundo a empresa, o prazo inferior a 12 horas dificultou a reorganização. Nunes negou falta de ônibus e afirmou que a demanda estava sendo atendida.
Em Salvador, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a liberação imediata de 100% da frota e a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, após denúncias de veículos retidos nas garagens, com multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento. A prefeitura informou que Souza estava em Paris e retornaria na segunda-feira, 26; até a última atualização da Exame, não havia confirmação de cumprimento da ordem. A administração atribuiu parte das interrupções a um impasse com adesivos do número 13 e disse que o serviço havia sido normalizado após diálogo com sindicatos.
A campanha de Lula identifica o problema em nove estados e pediu extensão do horário em municípios do Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima e Bahia. Flávio Bolsonaro solicitou ao TSE prorrogação em 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina por chuvas e alagamentos — argumento também registrado no Money Times.
No paralelo de 2022, a PRF realizou 514 operações relacionadas ao transporte de eleitores e abordou mais de 610 ônibus, cerca de metade no Nordeste, segundo representação da Polícia Federal citada pela Exame. O então diretor-geral Silvinei Vasques foi preso preventivamente em 9 de agosto de 2023; em agosto de 2024, o ministro Alexandre de Moraes concedeu-lhe liberdade com tornozeleira eletrônica. Em março de 2025, a defesa ainda contestava as acusações no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que a investigação não havia identificado eleitores impedidos de votar. Não há, nas fontes, informação de condenação por esse episódio.
Impacto na prática
Na prática, a redução da frota urbana no dia da votação pode atrasar o deslocamento de eleitores que dependem do ônibus para chegar às seções, sobretudo onde a Justiça já havia ordenado circulação integral. Multas e pedidos de prisão sugerem, nos casos de São Paulo e Salvador, pressão imediata sobre gestores e concessionárias para restabelecer o serviço.
Em hipótese, o Brasil pode ver o transporte no dia do pleito seguir no radar institucional enquanto o TSE responde — ou não — aos pedidos de prorrogação. O precedente de 2022 indica que disputas sobre acesso às urnas tendem a migrar rapidamente para o terreno judicial, sem predeterminar o resultado da apuração.
Se as denúncias deste domingo se confirmarem nos autos e as respostas judiciais se mantiverem no ritmo descrito pelas fontes, o ônibus no segundo turno pode permanecer como vetor de litígio eleitoral — e, em tese, de desgaste político — enquanto a contagem dos votos avança.
Fontes: Exame · Money Times
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