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Flávio retoma no debate o voto do PT contra o texto final da Constituição de 1988

Flávio retoma no debate o voto do PT contra o texto final da Constituição de 1988

No confronto na TV Globo, Flávio Bolsonaro citou a rejeição petista à redação final de 1988; Lula lembrou a assinatura na promulgação e um reconhecimento feito em 2013.

Ilustração: Rô Acunha (Pexels)

O voto do Partido dos Trabalhadores contra a redação final da Constituição de 1988 voltou ao centro do embate eleitoral na noite desta sexta-feira, 23 de outubro de 2026. No último debate entre os candidatos à Presidência antes do segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) mencionou o episódio no confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na TV Globo.

Segundo a reportagem da Exame, Lula, então deputado constituinte, orientou a bancada a rejeitar o texto final, mas assinou a Carta Magna na promulgação. A votação do segundo turno está marcada para este domingo, 25.

O tema ganhou peso político ao ser ligado, no mesmo debate, a posições recentes do PT no Congresso — entre elas a rejeição ao Marco Legal do Saneamento Básico —, o que reacende a discussão sobre legado institucional e regras que moldam investimentos de longo prazo.

O que aconteceu

De acordo com a Exame, a posição do PT na Assembleia Nacional Constituinte partia da avaliação de que a proposta em votação não contemplava os interesses dos trabalhadores. A legenda defendia um texto próprio. Apesar do voto contrário, os 16 constituintes petistas, entre eles Lula, assinaram a Constituição aprovada.

Em 2013, em cerimônia pelos 25 anos da Carta Magna na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lula reconheceu que o país seria "ingovernável" se a proposta do partido tivesse prevalecido. "Se a nossa Constituição fosse aprovada, o país seria ingovernável, porque nós éramos duros na queda e muito exigentes. Votamos contra porque queríamos algo mais radical, que não foi possível porque só tínhamos 16 deputados", disse o então presidente no evento comemorativo, conforme o relato da Exame.

No debate desta sexta, Flávio Bolsonaro retomou o episódio da Constituinte ao questionar posições do PT no Congresso, citando entre elas a rejeição ao Marco Legal do Saneamento Básico. Em resposta, Lula afirmou que o partido foi acusado "injustamente" de não ter assinado a Constituição. O presidente também relatou ter entregue a Ulysses Guimarães uma proposta de texto e de regimento interno no dia da instalação da Assembleia Nacional Constituinte.

O confronto ocorreu no último debate eleitoral antes da votação do segundo turno. A matéria da Exame destaca que o episódio citado por Flávio envolve a rejeição ao texto final — e não a ausência de assinatura na promulgação —, ponto que Lula buscou esclarecer ao público.

Impacto na prática

Na prática, a retomada do voto de 1988 no horário nobre pode influenciar como eleitores e agentes econômicos interpretam coerência entre discurso histórico e posição legislativa atual. Em tese, a associação feita no debate entre a Constituinte e o Marco Legal do Saneamento Básico pode reacender dúvidas sobre a previsibilidade de regras em setores de infraestrutura, onde contratos e tarifas dependem de marcos legais estáveis.

Para a população, o saneamento básico toca serviços essenciais — água e esgoto — cujo avanço depende, em muitos casos, de arranjos regulatórios e de atração de capital. Se o embate eleitoral reforçar a percepção de disputa sobre esses marcos, o clima de negócios pode ficar mais sensível a sinais de continuidade ou de revisão normativa após o segundo turno, sem que isso signifique, por si só, mudança imediata de política.

No plano mais amplo, a controvérsia sobre o voto petista em 1988 também pode afetar a leitura de risco institucional do Brasil às vésperas da definição do próximo mandato. Em hipótese, investidores e analistas que acompanham o país podem incorporar o tom do debate — e as respostas dos candidatos sobre legado constitucional e agenda no Congresso — às expectativas de governabilidade e de tramitação de reformas, sempre sob a ressalva de que o desfecho eleitoral e a composição legislativa ainda estão em aberto.

O fechamento da campanha com a memória da Constituinte sugere, a partir do que a Exame documenta, que o segundo turno também se disputa no terreno do simbolismo institucional: quem assinou, quem votou contra e o que cada lado diz defender hoje em matérias com impacto econômico, como o saneamento. O resultado de domingo, 25, poderá reordenar essa narrativa — ou aprofundá-la — conforme o eleitorado responda ao confronto de legados.

Fontes: Exame

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