Futuros de Wall Street sobem após semana de perdas no S&P 500

Contratos do S&P 500, Dow e Nasdaq avançam no domingo enquanto o mercado digere a queda de sexta, o petróleo alto e a decisão do Fed na quarta.
Ilustração: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
Os futuros das ações americanas subiram no domingo à noite, em movimento de recuperação após a semana negativa do índice S&P 500. Segundo a CNBC, os contratos do S&P 500 avançavam 0,4%, os do Dow Jones Industrial Average ganhavam 154 pontos, ou 0,3%, e os do Nasdaq-100 subiam 0,6%.
A alta nos pré-mercados ocorre depois de uma sexta-feira em que as três médias principais fecharam no vermelho, pressionadas pela alta do petróleo e por uma venda mais ampla entre setores. Em linha com a leitura de que os futuros americanos avançavam no domingo, a Bloomberg também registrou alta dos contratos de ações dos Estados Unidos, embora tenha destacado, na manchete, um recuo do petróleo bruto no mesmo wrap — contraste com o salto das cotações de energia registrado na sexta na cobertura da CNBC.
O que aconteceu
Na sexta-feira, o Dow caiu mais de 650 pontos, o S&P 500 recuou 0,5% e o Nasdaq Composite perdeu 0,2%. A onda de vendas também levou o S&P 500 e o Nasdaq a perdas semanais consecutivas, segundo a CNBC. O movimento veio acompanhado de nova alta nas commodities energéticas: o Brent subiu mais de 3%, a US$ 116,72 o barril, no maior fechamento desde abril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos avançou 3,8%, a US$ 103,27.
Os preços da energia reagiram a reportagens segundo as quais Estados Unidos e Israel poderiam planejar ataques ao Irã após as eleições de meio de mandato. Esse eixo geopolítico aparece também no panorama de mercado citado pela Bloomberg, que liga a alta dos futuros de ações e o comportamento do petróleo às últimas notícias sobre o Irã e à agenda de decisões de bancos centrais na semana.
Na Europa, a França — segunda maior economia da zona do euro — ganhou um alívio pontual depois que a agência Moody’s manteve a nota de crédito Aa3 do país, com perspectiva negativa. Na semana, o rendimento do título soberano francês de dez anos havia tocado 5% pela primeira vez desde 2002, o que alimentava temor de rebaixamento em meio à alta dos custos de financiamento. Em comunicado citado pela CNBC, a Moody’s afirmou que ainda será necessário um esforço fiscal “significativo e sustentado” além das eleições presidenciais de abril e maio de 2027 para colocar as contas públicas em base mais sólida e estabilizar uma dívida que deve superar 120% do PIB em 2027. A agência acrescentou que poderia elevar a perspectiva para estável caso as instituições do país consigam reduzir o déficit.
Os investidores também acompanham a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, marcada para quarta-feira. A cobertura da CNBC aponta que os traders aguardam o desfecho, com atenção aos futuros de fundos federais, sem antecipar o resultado.
O que isso pode mudar
Se a recuperação dos futuros se confirmar na abertura regular, o mercado pode tentar interromper a sequência de semanas negativas no S&P 500 e no Nasdaq — hipótese ainda sujeita ao comportamento do petróleo e a novos cabeçalhos sobre o Irã. Uma manutenção ou novo impulso das cotações de energia, como o visto na sexta, poderia continuar a pesar sobre setores sensíveis a custos, mesmo com o alívio técnico dos contratos futuros no domingo.
Do lado europeu, a decisão da Moody’s de não rebaixar a França pode, no curto prazo, reduzir a pressão imediata sobre os prêmios de risco soberanos, mas a própria agência condiciona qualquer melhora de perspectiva a um ajuste fiscal mais duradouro. Já a decisão do Fed na quarta tende a recalibrar as apostas em juros e a volatilidade dos ativos de risco: qualquer sinal mais duro ou mais acomodatício do que o precificado hoje pode ampliar ou anular o alívio visto nos futuros deste domingo.
No conjunto, o domingo aponta para uma tentativa de recomposição após a sexta fraca, com o petróleo, o risco geopolítico ligado ao Irã e o Fed como as três variáveis mais próximas a definir se o rebote dos futuros vira tendência ou apenas um respiro de fim de semana.
Fontes: CNBC Top News · Bloomberg Markets
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