Golfistas sul-coreanos multiplicam por 12 pernoites em cidadezinha do Japão

Em Nakagawa, Tochigi, resort de golfe atrai sul-coreanos e dispara estadias estrangeiras — com gargalo de transporte.
Ilustração: Daciana Cristina Visan (Pexels)
Uma cidadezinha agrícola a cerca de duas horas do centro de Tóquio, quase invisível no mapa do turismo internacional até pouco tempo atrás, virou ímã de golfistas sul-coreanos. Em Nakagawa, na prefeitura de Tochigi, a onda de pernoites estrangeiros disparou.
Segundo a Nikkei Asia, um resort de golfe ajudou a multiplicar por 12 essas estadias noturnas em apenas dois anos — e a maior parte dos visitantes vem da Coreia do Sul. O salto, porém, já cobra pedágio na logística local.
O que aconteceu
A reportagem, datada de 25 de outubro de 2026 e assinada por Yutaro Yokoyama a partir de Utsunomiya, descreve Nakagawa como um município cercado por terras de cultivo que, até há poucos anos, despertava pouco interesse de turistas de fora do Japão. O cenário mudou quando o Uguisu no Mori Golf Club and Hotel Bato passou a atrair um fluxo crescente de jogadores sul-coreanos em busca de condições vantajosas no resort.
O dado central é expressivo: as pernoites de estrangeiros teriam saltado 12 vezes em dois anos, com predominância de visitantes da Coreia do Sul. Não se trata, pela narrativa da Nikkei Asia, de um destino clássico de massas no circuito de Tóquio, Kyoto ou Osaka, e sim de um polo de nicho — o golfe — capaz de reordenar a demanda de um município pequeno e até então periférico no radar internacional.
O subtítulo da própria cobertura resume o outro lado da medalha: o surto turístico em Nakagawa gera desafio de transporte. Em outras palavras, a mesma dinâmica que enche hotéis e campos também pressiona estradas, conexões e a capacidade de receber quem chega de longe. Para uma cidade rural a duas horas da capital, o volume súbito de hóspedes estrangeiros pode expor gargalos que o cotidiano agrícola não havia colocado à prova.
O eixo da história, portanto, não é só o “boom” de visitas. É o encontro entre oferta de lazer especializada — um clube de golfe com hotel — e uma demanda regional, sul-coreana, sensível a preços e a pacotes. O resort funciona como âncora: concentra estadia, jogo e, indiretamente, movimento econômico em um município que antes passava despercebido.
O que isso pode mudar
Se o ritmo se mantiver, Nakagawa pode ilustrar um padrão já conhecido no turismo asiático: destinos secundários ganhando escala quando um atrativo único — aqui, o golfe com condições competitivas — captura um público estrangeiro específico. Isso poderia, em tese, diversificar a receita local além da agricultura, ampliar a ocupação hoteleira e atrair serviços auxiliares, de alimentação a transporte privado.
Ao mesmo tempo, o alerta de transporte sugere risco de saturação. Sem reforço de conexões ou gestão de fluxos, o sucesso do resort pode virar atrito — filas, atraso e desgaste da experiência que, paradoxalmente, sustenta a procura. Autoridades e operadores provavelmente terão de calibrar promoção e infraestrutura, sob pena de o salto de 12 vezes nas pernoites perder fôlego se a chegada ficar cara ou inconveniente.
No plano mais amplo, o caso reforça a hipótese de que o turismo de nicho, e não só o de grandes cidades, pode reescrever o mapa de visitas ao Japão — sobretudo quando há proximidade relativa com mercados como a Coreia do Sul e um produto claro. Resta saber se Nakagawa transforma o pico em tendência sustentável ou se o desafio logístico limita o próximo ciclo de crescimento.
Fontes: Nikkei Asia
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