Golfo atrai gestoras com US$ 5,8 tri em ativos desde a guerra

Em quase oito meses de guerra com o Irã, casas com mais de US$ 5,8 trilhões abriram no Golfo; Abu Dhabi lidera as chegadas.
Foto: https://kaboompics.com/ (Pexels)
Quase oito meses depois de a guerra com o Irã abalar economias e fluxos de petróleo no Oriente Médio, gestoras que controlam mais de US$ 5,8 trilhões abriram seus primeiros escritórios no Golfo. O movimento, segundo a Semafor, mostra que investidores ainda apostam na região como fonte duradoura de capital novo.
Abu Dhabi, Doha, Dubai e Riad receberam nomes como Advent, Bain Capital, Capital Group, Man Group e a singapurense Temasek. Abu Dhabi lidera em número de aberturas e no volume de ativos sob gestão das casas que chegam.
O que aconteceu
Desde 28 de fevereiro, quase 20 empresas que somam mais de US$ 5 trilhões em ativos se comprometeram a se instalar em Abu Dhabi, de acordo com dados reunidos pela Semafor com análise de inteligência artificial de comunicados públicos. Dubai ficou em segundo lugar, com dez gestores que administram cerca de US$ 670 bilhões.
O avanço do emirado reflete o ritmo mais intenso de negócios dos fundos soberanos locais neste ano e o reconhecimento crescente de Abu Dhabi como centro de registro para hedge funds — fundos que usam estratégias mais flexíveis de investimento. Governos e fundos soberanos da região esperam “corredores de investimento de mão dupla”: capital estrangeiro entrando no Golfo em troca de parcerias com investidores estatais em negócios globais.
A New Mountain Capital, com US$ 60 bilhões sob gestão, abriu escritório em Abu Dhabi no início deste mês. O presidente e diretor de operações Adam Weinstein disse à Semafor que a presença local traduz a convicção na importância crescente do Golfo como alocador global de capital, apesar da volatilidade atual.
Hasnain Malik, da Tellimer, afirmou que a atração de Abu Dhabi “persiste” apesar do conflito, citando proximidade com investidores soberanos, jurisdição sem imposto sobre renda, marco regulatório, fuso horário e conectividade aérea. A Mubadala tornou-se, neste ano, o fundo soberano mais ativo do mundo em volume de negócios, segundo o rastreamento citado pela reportagem.
Outras cidades avançaram menos em estreias. Só duas firmas anunciaram o primeiro escritório no Golfo em Riad — uma delas a Temasek, de US$ 518 bilhões, que também abrirá em Abu Dhabi. Em Doha, a Activate Capital, do Vale do Silício, foi a única a anunciar operação regional, em acordo com a Autoridade de Investimento do Catar, mirando oportunidades no Sul Global. A Capital Group, com US$ 3,3 trilhões sob gestão, abriu em Abu Dhabi como passo de crescimento global; Benno Klingenberg-Timm afirmou que o ambiente geopolítico “não muda” o compromisso de longo prazo.
Robert Mogielnicki, da consultoria Polisphere Advisory, em Paris, disse que muitas casas veem neste período “o momento de demonstrar crença no potencial de longo prazo da região”. A GlobalSWF avalia que os sistemas financeiros do Oriente Médio seguiram operando e que Abu Dhabi se consolidou como potência financeira global. Em Dubai, o centro financeiro iniciou obras de um novo distrito de US$ 1,4 bilhão, segundo a Bloomberg citada pela Semafor.
O que isso pode mudar
Se o fluxo de aberturas se mantiver, o Golfo poderia reforçar seu papel de ímã para gestores que buscam proximidade com fundos soberanos e novos mercados de crescimento, mesmo com a guerra ainda pressionando segurança e petróleo. Abu Dhabi tenderia a concentrar ainda mais a disputa por capital e talentos, enquanto Riad e Doha poderiam depender mais de expansão de quem já opera na região ou de nichos, como o Sul Global.
A exigência de corredores de mão dupla também pode alterar a lógica das parcerias: presença física no Golfo deixaria de ser só vitrine e passaria a ser condição para acessar capital soberano em operações internacionais. Em um cenário de volatilidade prolongada, gestoras com escritório local estariam melhor posicionadas para captar alocações — embora o ritmo de deals e o apetite dos soberanos possam frear se o conflito se agravar.
Fontes: Semafor.
Fontes: Semafor
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