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Homens armados matam ao menos 10 em aldeia no leste da Nigéria

Homens armados matam ao menos 10 em aldeia no leste da Nigéria

Polícia diz que recuperou 10 corpos em Binnari, no Estado de Taraba; sobreviventes e a Anistia Internacional apontam saldo bem maior.

Ilustração: AHMED ABUBAKAR BATURE (Pexels)

Homens armados mataram ao menos dez pessoas em um ataque a uma aldeia no leste da Nigéria, segundo a polícia do país, em meio à persistência do banditismo e da ação de grupos armados em várias regiões. A informação foi divulgada neste sábado (24), com base em corpos recuperados até a noite de sexta-feira.

O alvo foi a aldeia de Binnari, no Estado de Taraba. Sobreviventes e a organização Anistia Internacional descrevem um saldo de mortos bem superior ao número oficial inicial, o que amplia a pressão sobre as autoridades nigerianas.

O que aconteceu

De acordo com a polícia nigeriana, um grande grupo de homens armados em motocicletas atacou Binnari e, até a noite de sexta-feira, dez corpos haviam sido recuperados. Os agressores também saquearam comida de lojas locais, segundo o boletim policial citado pela Al Jazeera, com material da AFP e da Reuters.

Moradores disseram que os tiros começaram logo após as orações de sexta-feira. Sa’idu Nuhu, residente de Binnari, afirmou à AFP que, depois da partida dos atacantes, a comunidade contou mais de 20 corpos e que algumas pessoas ainda estavam desaparecidas. Outro morador, Isiyaku Musa, também estimou ao menos 20 mortos.

O líder comunitário Malam Abubakar Saifullahi relatou à AFP que os assaltantes chegaram em cerca de 50 motocicletas, com dois homens em cada uma, antes de invadir a aldeia. Segundo ele, o grupo saqueou lojas e levou dinheiro, alimentos e outros mantimentos, além de motocicletas abandonadas por quem tentava fugir.

Há divergência sobre o número de vítimas. Enquanto a polícia falava em dez mortos com base no que havia sido recuperado até sexta à noite, sobreviventes ouvidos pela AFP apontavam ao menos 20. Em comunicado neste sábado, a Anistia Internacional elevou o saldo a 40 e afirmou que, embora a polícia tivesse confirmado antes a morte de dez pessoas, mais corpos teriam sido encontrados ao longo do sábado.

A Anistia criticou as autoridades nigerianas, dizendo que elas “continuam a deixar comunidades rurais em algumas partes do norte à mercê de homens armados que repetidamente cometem atrocidades com impunidade”. O quadro se encaixa no problema mais amplo do banditismo no noroeste e no centro do país, onde gangues poderosas enfrentam polícia e Forças Armadas sobrecarregadas em áreas rurais de difícil acesso.

Taraba, Estado do centro-leste nigeriano, também enfrenta a ameaça não ideológica de gangues descritas como “bandidos”. Esses grupos atacam aldeias, sequestram pessoas por resgate e cobram “impostos” de agricultores ou mineradores em zonas com pouca presença do Estado.

O que isso pode mudar

O contraste entre o balanço policial inicial e as estimativas de moradores e da Anistia pode reforçar, nas próximas horas e dias, a cobrança por atualização oficial do número de mortos e por resposta mais visível em comunidades rurais do norte e do centro-leste. Caso se confirme um saldo próximo ao apontado pela organização de direitos humanos, o episódio tende a alimentar o debate sobre a capacidade do Estado de proteger aldeias isoladas diante de ataques motorizados e rápidos.

Em um cenário em que o banditismo já disputa território com forças de segurança em várias frentes, um ataque dessa escala em Taraba pode pressionar autoridades locais e federais a rediscutir presença policial, rotas de patrulha e apoio a populações rurais — sem garantia, porém, de mudança imediata. A percepção de impunidade descrita pela Anistia, se permanecer sem resposta concreta, pode aprofundar o medo em vilarejos vizinhos e estimular novas migrações internas ou abandono de áreas produtivas.

Por ora, o que está documentado é o ataque a Binnari após as orações de sexta-feira, o saque de mantimentos e o descompasso entre os dez corpos confirmados pela polícia até sexta à noite e as cifras mais altas de sobreviventes e da Anistia. Qualquer leitura sobre virada de política de segurança depende ainda de investigações oficiais e de comunicação clara sobre o número final de vítimas.

Fontes: Al Jazeera

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