Huang abre GTC Berlin e diz que Europa já começou a produzir IA

Huang abre GTC Berlin e diz que Europa já começou a produzir IA

No Tempodrom, o CEO da NVIDIA cita empresas europeias, quase US$ 10 bilhões no ecossistema e a ideia de uma “nova revolução industrial” baseada em infraestrutura.

Foto: Elias Gamez (Pexels)

O fundador e CEO da NVIDIA, Jensen Huang, abriu nesta quarta-feira (21) a keynote do GTC Berlin 2026 no Tempodrom, em Berlim, diante de jornalistas, analistas e parceiros. O evento marca o ponto alto de uma programação de três dias com mais de 100 sessões sobre inteligência artificial (IA) agentica, robótica, IA física, modelos abertos e computação acelerada.

A apresentação chega após uma semana de agenda da companhia por Paris, Londres, Estocolmo e Dublin, com compromisso de quase US$ 10 bilhões no ecossistema tecnológico europeu e trabalho com mais de 12 mil parceiros, segundo o blog oficial da NVIDIA.

O que aconteceu

O Tempodrom, que nasceu em uma tenda perto do Muro de Berlim em 1980 e se fixou perto da Anhalter Bahnhof em 2001, recebe agora o espetáculo corporativo da GTC. Enquanto as sessões técnicas seguem na STATION-Berlin, a keynote concentra a atenção no discurso de Huang sobre o papel da Europa na economia de IA.

Huang começou com uma pergunta: o que L’Oréal, Revolut, Spotify, Merck, Vodafone, Zara, Porsche, Nestlé e HSBC têm em comum? São todas empresas europeias e todas trabalham com a NVIDIA em IA, afirmou. Em seguida, enquadrou o momento como o início de uma “nova revolução industrial”, após décadas de avanço na indústria da computação.

Na metáfora do “bolo de cinco camadas”, a energia alimenta computadores avançados que fazem parte de uma “fábrica de IA”, a qual gera tokens e inteligência digital a partir dos modelos que nela rodam, depois integrados a cada aplicação. “Muito antes de os modelos de IA surgirem, a infraestrutura precisa existir”, disse Huang, comparando o processo à internet, que precisou de redes, e à eletricidade, que exigiu a grade.

O CEO reforçou que, para participar dessa economia, não basta consumir IA: é preciso produzi-la. “Podemos fazer tudo isso aqui na Europa e, de fato, já começamos”, afirmou, segundo o relato ao vivo do NVIDIA Blog.

O que isso pode mudar

Se o discurso se traduzir em execução, a ênfase em infraestrutura antes dos modelos pode acelerar investimentos europeus em energia, data centers e capacidade de computação acelerada, e não só em aplicações finais. A mensagem de “produzir IA” em vez de apenas consumi-la sugere um esforço para reter valor econômico — tokens, modelos e fábricas de IA — dentro do continente, o que poderia reduzir dependência de capacidade externa ao longo do tempo.

O pacote de quase US$ 10 bilhões e a rede de mais de 12 mil parceiros, se mantidos e ampliados, podem reforçar a posição de grandes nomes europeus já citados na keynote e atrair mais projetos industriais de IA física e agentica. Ainda assim, o ritmo real dependerá de energia disponível, regulação e da capacidade de transformar compromisso corporativo em capacidade instalada — fatores que o próprio Huang colocou na base do “bolo” da IA.

Para o mercado e para governos europeus, a keynote funciona como sinal de prioridade: quem construir a grade da IA cedo pode disputar a produção da inteligência digital, e não apenas o uso. O GTC Berlin segue como termômetro dessa aposta nos próximos dois dias de sessões.

Fontes: NVIDIA Blog – GTC Berlin 2026: Live Updates From NVIDIA CEO Jensen Huang’s Keynote

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