IA encarece a vida nos EUA mesmo sem assinatura, diz Fast Company

IA encarece a vida nos EUA mesmo sem assinatura, diz Fast Company

Mesmo sem pagar chatbot, a inteligência artificial pode elevar luz, eletrônicos e construção nos EUA, aponta a Fast Company.

Foto: Yaroslav Shuraev (Pexels)

A inteligência artificial (IA) pode estar elevando o custo de vida nos Estados Unidos mesmo para quem não paga nenhuma assinatura de chatbot. Em reportagem publicada nesta terça-feira (20), a Fast Company argumenta que a tecnologia contribui para a crise de acessibilidade ao pressionar a inflação, frear o avanço dos salários e encarecer bens e serviços essenciais.

Citando análise da CNN, a publicação destaca estimativa de Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics: por causa do impacto inflacionário da IA, as famílias teriam de gastar pouco mais de US$ 375 a mais para comprar o mesmo conjunto de bens e serviços de um ano atrás.

O que aconteceu

Segundo a Fast Company, o encarecimento não se resume à mensalidade de ferramentas generativas. A expansão de data centers voltados a modelos de IA consome energia em escala industrial e tensiona as redes elétricas locais; as concessionárias tendem a repassar parte desse custo às contas residenciais. Diferentemente de ondas tecnológicas anteriores, a IA exige capacidade massiva de processamento. Estudo citado pela reportagem, da MIT Energy Initiative, indica que os data centers consumiram cerca de 4,4% da eletricidade dos EUA em 2023 e que essa fatia pode mais do que dobrar até 2030.

A matéria também aponta alta em preços de computadores e em custos de construção, além do risco de perda de emprego. A consultoria Boston Consulting Group (BCG) projeta, no horizonte de cinco anos, que a IA possa substituir de 10% a 15% dos postos de trabalho no país, conforme a Fast Company.

No quadro mais amplo descrito pela CNN e retomado pela Fast Company, o investimento em adoção de IA — estimado em torno de US$ 750 bilhões só neste ano — já teria elevado preços em categorias específicas. A contribuição da IA à inflação geral ainda seria modesta, na casa de 0,2 ponto percentual, mas suficiente para agravar preocupações de acessibilidade. No varejo de eletrônicos, a pressão sobre chips de memória e armazenamento levou fabricantes a reajustar produtos: a Apple elevou preços de itens populares em cerca de 20%, citando demanda extraordinária dos data centers; Sony e Microsoft também aumentaram valores de consoles, a Microsoft em cerca de 25% no Xbox. No software, o Office 365 pessoal subiu 43% em fevereiro após a inclusão do Copilot.

Há ainda efeitos indiretos na construção. A corrida por data centers disputa cobre, fiação elétrica e mão de obra especializada. Analistas citados pela CNN observam divergência “robusta” entre salários da construção e o restante da economia — um sinal de que a expansão da infraestrutura de IA pode, em tese, pressionar também o custo da habitação em regiões saturadas.

O que isso pode mudar

Se a demanda por energia e componentes continuar a superar a oferta no curto prazo, as famílias americanas podem sentir a conta da IA sobretudo na luz, nos eletrônicos e, eventualmente, em obras e aluguéis — mesmo sem abrir um aplicativo de IA. Autoridades do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, já monitoram o risco de a construção da infraestrutura tecnológica complicar o combate à inflação.

Por outro lado, ganhos de produtividade prometidos pela IA ainda podem demorar a chegar ao bolso do consumidor. Enquanto isso, o cenário mais provável é de pressões localizadas que se espalham pela cesta de consumo. Para empresas e investidores, o alerta é que o custo social da corrida tecnológica pode se tornar um tema político e regulatório tão relevante quanto a disputa por chips e energia.

Fontes: Fast Company

Fontes: Fast Company

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