Inflação dos EUA em setembro leva IPCA a 3,7% e mercado reduz aposta em alta do Fed

Inflação dos EUA em setembro leva IPCA a 3,7% e mercado reduz aposta em alta do Fed
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O CPI de setembro surpreendeu parte do consenso: núcleo acima do esperado, mas analistas da Funds Society veem pouco espaço para novo aumento de juros em outubro, às vésperas da reunião do Fed.

Foto: Marta Branco (Pexels)

A preocupação com a inflação segue como o principal fator por trás dos movimentos de curto prazo nas ações nos Estados Unidos, segundo análise publicada nesta segunda-feira (19) pela Funds Society. O texto de Amaya Uriarte, na coluna La Mirada del Experto, examina a leitura de setembro do índice de preços ao consumidor (CPI) e o que ela pode significar para o Federal Reserve às vésperas da reunião de política monetária marcada para o dia 28.

O consenso entre economistas esperava um dado forte de inflação em setembro. O resultado, na avaliação do autor, surpreendeu para baixo em parte do quadro: o CPI cheio subiu 0,6% no mês, o que acompanhou a aceleração da variação em 12 meses de 3,4% para 3,7%. O núcleo (core CPI), porém, avançou 0,3%, acima da previsão de 0,2%, e passou de 2,4% para 2,6% na comparação anual.

Para a Funds Society, o comunicado não foi suficientemente forte para justificar outro aumento da taxa de juros em outubro. Além do peso dos custos de energia e do efeito dos investimentos em inteligência artificial sobre preços de PCs, software e celulares, o ponto a monitorar seria a alta do aluguel equivalente de proprietários (OER) em relação ao mês anterior.

O que aconteceu

A divulgação ganhou relevância extra pela proximidade da decisão do Fed. A reação imediata dos mercados foi elevar a probabilidade de um aumento de 25 pontos-base na taxa de fundos federais: as apostas chegaram a superar 70% e, em seguida, recuaram para 12,7%, o menor patamar desde junho, conforme o artigo.

Entre os fatores que, segundo a análise, pressionaram essa expectativa para baixo estão as vendas no varejo de setembro, piores em relação a agosto; a moderação nos preços de importação indicada pela pesquisa do Fed de Filadélfia; e declarações de Mary Daly (Fed de São Francisco) e de Michelle Bowman, que não enxergam alta de juros neste mês. Esse conjunto teria ajudado o mercado de títulos do Tesouro americano.

O texto também relaciona a leitura de inflação à dinâmica dos rendimentos. O rendimento do título de dez anos teria superado 5,32% na quarta-feira antes de se estabilizar perto de 5,08% na sexta. No plano geopolítico, a coluna aponta que fatores ligados ao Oriente Médio — incluindo tensões envolvendo o Irã e o comércio de petróleo — podem influenciar as próximas leituras de preços, com menção a comentários sobre manter o barril próximo de US$ 100 e ao calendário das eleições de meio de mandato em 3 de novembro.

Impacto na prática

Para quem acompanha mercados globais, a combinação de inflação ainda acima da meta de 2% do Fed com probabilidades de alta de juros em queda pode, em tese, reduzir a volatilidade imediata em torno da reunião de 28 de outubro, sem eliminar o debate sobre o patamar adequado dos juros — hoje citado na análise em torno de 3,75% a 4% nos fundos federais.

Consumidores e empresas nos Estados Unidos podem sentir, em hipótese, a persistência da energia e de componentes ligados à adoção de IA nos preços de bens, enquanto o mercado de crédito e de títulos reage a cada sinal sobre se o núcleo da inflação está ou não cedendo. A Funds Society sugere que estrategistas já falam em um possível “prêmio de incompetência” no preço da dívida soberana americana, diante de guerra mal explicada, banco central impreciso e recompras de Tesouro consideradas pequenas para mudar o rumo — o que, se se confirmar no mercado, poderia manter os juros longos sensíveis a dados e à geopolítica.

Se a aposta em outubro permanecer baixa e os indicadores de atividade continuarem a esfriar, o cenário descrito na coluna aponta para um Fed mais dependente da função de reação aos dados do que de promessas sobre a trajetória futura das taxas — o que pode aumentar ruído e volatilidade na renda fixa até que a direção da política monetária fique mais clara após a reunião do fim do mês.

Fontes: Funds Society; Google News

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