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Inspired Capital anuncia Fund IV de US$ 450 mi e defende pensar em décadas

Inspired Capital anuncia Fund IV de US$ 450 mi e defende pensar em décadas

Alexa von Tobel liga o novo fundo da Inspired Capital a um plano de 25 anos e cita a Teamshares, na Nasdaq, como exemplo de filtro de longo prazo.

Foto: RDNE Stock project (Pexels)

A gestora Inspired Capital anunciou nesta semana o Fund IV, com US$ 450 milhões em novo capital para founders em estágio inicial. Em artigo na Fast Company publicado em 23 de outubro de 2026, a investidora Alexa von Tobel liga o marco a um plano de negócios de 25 anos — sete anos já percorridos — e a um filtro simples: perguntar aonde cada decisão leva daqui a décadas.

No mesmo texto, ela contrapõe a pressa do mercado, sobretudo na era da inteligência artificial (IA), à necessidade de direção. Velocidade, escreve, descreve como se move; a mentalidade de longo prazo decide para onde se vai. Sem isso, diz, dá para acelerar — e seguir no sentido errado.

O que aconteceu

Segundo a própria von Tobel, o Fund IV é um marco pelo qual ela se diz grata. Desde o primeiro dia na Inspired, conta, planejou ficar “para a longa jornada”. Saber que o que pretende só se concretiza em décadas, afirma, moldou quem contratar, com quem fazer parceria e quais problemas merecem tempo.

Ela reconhece que o mercado, hoje, premia quem coloca produto na rua rápido. Velocidade, insiste, é essencial — em especial com IA — e admite ser impaciente na execução, ainda que profunda no horizonte estratégico. O hábito que mais a levou adiante, escreve, foi perguntar onde uma decisão estará décadas à frente.

Para ilustrar o filtro no dia a dia, von Tobel cita Michael Brown, cofundador e CEO da Teamshares, empresa que compra pequenos negócios de donos prestes a se aposentar e ajuda funcionários a obter participação acionária. Quando a Inspired investiu, em 2020, a equipe tinha cinco pessoas num espaço WeWork; Brown, lembra ela, chegou com um plano de 200 anos — contraste com pitches que, segundo a investidora, costumam mirar os próximos 18 meses.

A ideia, relatou Brown no podcast dela, nasceu no 30º aniversário, em Hong Kong, ao observar o sucesso duradouro de casas de comércio como Swire e Jardine Matheson, que começaram pequenas há dois séculos. Na rotina, a equipe revisa diariamente o funil de aquisições; antes de votar numa nova empresa, ele se pergunta se o negócio ainda existirá em 50 anos — e a resposta tem de ser sim.

Em junho de 2026, a Teamshares passou a negociar na Nasdaq com o ticker TMS, após adquirir mais de 90 empresas. Mesmo às vésperas do IPO, Brown descreveu o momento como o “primeiro inning”: não sabia se era o início ou o fim da entrada, mas ainda a primeira entrada do jogo.

O que isso pode mudar

Se a lógica de von Tobel ganhar eco entre gestores e founders, a hipótese é que critérios de contratação, parcerias e alocação de tempo passem a ser filtrados menos pelo ciclo de 18 meses e mais pela pergunta de décadas — sem, necessariamente, abrir mão da velocidade na execução.

No caso da Teamshares, o modelo sugere, em tese, que um IPO e dezenas de aquisições possam ser lidos como etapa inicial de um horizonte muito mais longo, e não como destino final. Em mercados que recompensam o “ship” rápido, sobretudo com IA, o risco apontado no artigo é acelerar sem bússola; o contrapeso, na visão dela, seria usar o longo prazo como filtro prático do sim e do não cotidiano.

Resta ver se fundos e empresas conseguirão sustentar, na prática, a tensão que von Tobel descreve — impaciência operacional com paciência estratégica — ou se a pressão por entregas imediatas continuará a prevalecer sobre planos de 25, 50 ou 200 anos.

Fontes: Fast Company

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