IPCA-15 na sexta fecha prévia da inflação antes do segundo turno no domingo

Agenda de 19 a 23 de outubro tem Focus, IGP-10, reunião do CMN e divulgação do IPCA-15 pelo IBGE no último pregão antes das eleições.
Foto: Alesia Kozik (Pexels)
A semana de 19 a 23 de outubro concentra indicadores que ajudam a medir preços, expectativas e atividade no Brasil e no exterior, em um momento em que o país se aproxima do segundo turno das eleições, marcado para domingo, 25 de outubro. O ponto de maior atenção na agenda doméstica é a divulgação do IPCA-15 de outubro na sexta-feira (23), no último pregão antes da votação.
O índice funciona como prévia da inflação oficial e chega depois de o IPCA de setembro ter subido 0,82% no mês, a maior alta mensal de 2026 até então, com acumulado de 4,58% em 12 meses. Na leitura anterior do IPCA-15, referente a setembro, a alta foi de 0,70%, após queda de 0,40% em agosto; em 12 meses, o indicador estava em 4,47%.
Segundo o Estadão, a reta final antes do pleito terá poucos destaques além dessa trilha de preços: o Boletim Focus e o IGP-10 abrem a semana na segunda-feira (19), e o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne na quinta (22). Nos Estados Unidos, entram dados de moradia, emprego e atividade, incluindo PMIs preliminares de outubro e a leitura final da confiança do consumidor da Universidade de Michigan na sexta.
O que aconteceu
A reportagem de Igor Markevich, publicada neste domingo (18), organiza o calendário econômico da semana. Na segunda-feira (19), o Banco Central divulga o Focus, que reúne medianas de projeções de instituições do mercado para inflação, PIB, Selic, câmbio e outros indicadores — estimativas dos participantes, não projeções do próprio BC. A Fundação Getulio Vargas (FGV) apresenta o IGP-10 de outubro; em setembro, o índice havia avançado 1,47%, depois de recuar 0,51% em agosto. Na mesma segunda, a FGV publica o Monitor do PIB referente a agosto, e o Banco Popular da China anuncia as Loan Prime Rates (LPRs).
Na terça (20), o Census Bureau dos EUA divulga início de construção de moradias e licenças para construção de setembro; em agosto, novas obras haviam recuado 2,6% frente a julho, para taxa anualizada de 1,275 milhão de unidades. Também estão previstas vendas pendentes de imóveis e a atualização semanal da ADP sobre emprego no setor privado americano.
Na quarta (21), o Office for National Statistics do Reino Unido publica a inflação de setembro; nos EUA, a EIA divulga estoques semanais de petróleo; no Brasil, o BC apresenta o fluxo cambial. Na quinta (22), o CMN se reúne — o calendário do BC confirma a reunião, precedida na quarta pela Comissão Técnica da Moeda e do Crédito (Comoc). Nos EUA, saem pedidos de seguro-desemprego e o Leading Economic Index de setembro do Conference Board.
Na sexta (23), o IBGE divulga o IPCA-15 de outubro; para essa leitura, os preços foram coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro. O texto do Estadão destaca que será a primeira leitura ampla a avançar para o comportamento dos preços em outubro, após a aceleração do IPCA cheio de setembro. Nos EUA, a S&P Global publica PMIs preliminares de outubro (industrial, serviços e composto); em setembro, o PMI composto preliminar americano havia alcançado 58,4 pontos. A Universidade de Michigan confirma a leitura final de outubro da confiança do consumidor (na estimativa preliminar, o índice caiu de 48,1 para 46,3 pontos), e a Baker Hughes divulga a contagem semanal de sondas de petróleo e gás.
Impacto na prática
Para quem acompanha custo de vida e mercados financeiros, a combinação de Focus, IGP-10 e IPCA-15 pode, em tese, oferecer sinais sobre a persistência da pressão de preços após a alta de setembro — sem que isso antecipe, por si só, decisão do Banco Central ou resultado eleitoral. A reunião do CMN na quinta pode, hipoteticamente, repercutir em discussões sobre diretrizes de política monetária, creditícia e cambial, embora a pauta específica da reunião não conste na matéria de referência.
No exterior, dados de moradia e emprego nos EUA e a inflação britânica podem influenciar expectativas sobre juros e crescimento em economias avançadas, com possível reflexo indireto em câmbio e ativos de risco observados no Brasil. PMIs e confiança do consumidor americana, por sua vez, podem ajudar a calibrar leituras sobre o ritmo da atividade global na reta final de outubro.
Se o IPCA-15 de outubro confirmar tendência de desaceleração ou de nova pressão após o IPCA de setembro, analistas e formadores de opinião podem intensificar o debate sobre inflação na semana em que milhões de eleitores voltam às urnas — ainda que o calendário oficial de preços e o calendário político coincidam apenas no tempo, e não necessariamente na causa dos movimentos de mercado.
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