Irã e Egito discutem insegurança em Ormuz e conflito no Iêmen em encontro entre chanceleres

Irã e Egito discutem insegurança em Ormuz e conflito no Iêmen em encontro entre chanceleres

Abbas Araghchi e Badr Abdelatty conversaram em Bagdá, à margem da OCI. Comunicado iraniano cita Ormuz, mediações desde fevereiro e oferta de ajuda entre Arábia Saudita e Iêmen.

Foto: RDNE Stock project (Pexels)

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reuniu-se neste sábado (17) com o chanceler do Egito, Badr Abdelatty, à margem da 52ª sessão do Conselho de Ministros da Organização de Cooperação Islâmica (OCI), em Bagdá, no Iraque. Segundo comunicado iraniano divulgado no mesmo dia, os dois trataram de relações bilaterais e de temas regionais e internacionais, com destaque para a segurança no Estreito de Ormuz e para o conflito no Iêmen.

No encontro, Araghchi classificou a insegurança em Ormuz como “resultado direto” de ações agressivas dos Estados Unidos e de Israel, mantidas, na avaliação dele, de diversas formas até o momento. O chanceler iraniano também relatou ao homólogo egípcio consultas diplomáticas recentes conduzidas por mediadores em busca de uma possível resolução de um conflito que, segundo o texto, se prolonga desde o fim de fevereiro.

O comunicado ressalta que as partes abordaram eventos recentes na Península Arábica. O Irã reiterou disposição para oferecer a assistência necessária ao encerramento dos conflitos entre a Arábia Saudita e o Iêmen, em um contexto de ataques atribuídos aos rebeldes houthis no Iêmen, grupo apoiado por Teerã. Paralelamente, Araghchi afirmou que “a experiência de 12 anos de tensão e conflito demonstra que não há solução ou abordagem militar para a questão do Iêmen”.

O que aconteceu

A conversa ocorreu durante a reunião ministerial da OCI na capital iraquiana. O Egito e o Irã, por meio de seus chanceleres, atualizaram posições sobre a região em um momento em que Ormuz e a guerra no Iêmen voltam ao centro das discussões diplomáticas do mundo islâmico.

Do lado iraniano, a leitura oficial transmite duas mensagens: atribuir a instabilidade no estreito — rota marítima estratégica para o comércio de energia — a Washington e Tel Aviv; e sinalizar abertura para ajudar a reduzir o embate entre Riad e os houthis, sem defender, porém, uma saída militar para o Iêmen. Araghchi mencionou ainda esforços de mediação em curso, sem detalhar nomes de países ou cronogramas na divulgação citada pela imprensa.

O encontro não produziu, no material disponível, anúncio conjunto egípcio-iraniano com compromissos novos. O registro público até aqui é o comunicado iraniano reproduzido por veículos de economia e mercados neste sábado.

Impacto na prática

Para quem acompanha cadeias globais de petróleo e gás, qualquer declaração sobre insegurança em Ormuz pode, em tese, reacender o debate sobre risco de interrupção ou aumento de custos de transporte na região. A fala de Araghchi não altera, por si só, rotas ou preços, mas pode influenciar expectativas de investidores e importadores que monitoram o Oriente Médio.

No plano político, a disposição iraniana declarada de “assistência” entre Arábia Saudita e Iêmen sugere que Teerã busca reposicionar-se como interlocutor em um conflito que envolve aliados e adversários na Península Arábica. Se mediadores conseguirem avançar nas consultas mencionadas pelo chanceler, países da região poderiam ver redução gradual de hostilidades; se as negociações estagnarem, a retórica sobre Ormuz e os ataques houthis tende a permanecer no topo da agenda regional.

A reunião em Bagdá também ilustra como fóruns multilaterais continuam servindo de palco para diálogo entre atores com interesses distintos no mundo árabe e persa. Para o Egito, participar dessas conversas pode significar manter canal aberto com o Irã sem endossar automaticamente cada linha de Teerã — equilíbrio cuja consequência prática dependerá de passos diplomáticos posteriores, ainda não descritos no comunicado.

Se o tom conciliatório sobre o Iêmen se traduzir em gestos concretos de mediação, a região poderia ganhar margem para negociar tréguas ou corredores humanitários; caso contrário, a combinação de tensão em Ormuz e confrontos na Península Arábica pode seguir alimentando um ambiente de cautela nas relações internacionais e nos mercados sensíveis a choques no fornecimento de energia.

Fontes: InfoMoney (conteúdo Estadão)

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