Kroger fecha mais de 50 supermercados em 18 estados dos EUA até o fim de 2026

Levantamento da Fast Company aponta 51 unidades do grupo já fechadas ou prestes a fechar desde junho de 2025, no plano de cerca de 60 lojas até dezembro.
Foto: Kenneth Surillo (Pexels)
Quase um ano e meio depois de anunciar um enxugamento amplo da rede, a Kroger avançou de forma consistente no plano de fechar lojas de baixo desempenho nos Estados Unidos, segundo levantamento da Fast Company. Desde junho de 2025, pelo menos 50 supermercados do grupo deixaram de operar.
Com menos de três meses para o fim de 2026, o cronograma anunciado pelo então CEO interino Ronald Sargent — cerca de 60 unidades até dezembro — parece seguir no rumo previsto. O fechamento atinge ao menos 18 estados e várias bandeiras do conglomerado.
O que aconteceu
Em junho de 2025, durante teleconferência de resultados, Sargent informou que a companhia fecharia aproximadamente 60 lojas com desempenho insuficiente até o fim de 2026. A Fast Company cruzou reportagens locais, mapas do Google, avaliações online e localizadores das marcas e encontrou 51 pontos que já fecharam desde aquela data ou devem encerrar em breve. A lista foi atualizada nesta semana.
Além de mais de duas dezenas de unidades com a marca principal Kroger, o recuo alcançou Fred Meyer, Harris Teeter, King Soopers, QFC, Mariano’s e outras redes do grupo. A empresa não divulgou quais endereços fazem parte oficialmente do plano de otimização da área de vendas e não respondeu a pedidos de comentário sobre os fechamentos ou sobre novas baixas previstas.
Parte das lojas ficava em bairros onde o acesso a alimentos frescos já era limitado, o que reacendeu o debate sobre os chamados desertos alimentares — áreas com pouca oferta de mercados tradicionais. O sindicato United Food and Commercial Workers, que representa trabalhadores da Kroger, também não se pronunciou. A companhia afirmou que funcionários afetados teriam chance de se candidatar a vagas em outras unidades do grupo.
Os números de balanço reforçam a redução da rede. Em documentos financeiros anuais, a Kroger registrou 2.697 lojas no início de 2026, ante 2.731 um ano antes. Em paralelo ao fechamento de unidades fracas, a empresa também sinalizou que pretende acelerar projetos e aberturas em pontos considerados mais competitivos.
O movimento ocorre num varejo alimentar pressionado por margens apertadas, redes de desconto e mudanças no hábito de compra. Ao cortar lojas de baixo retorno, a Kroger busca um formato de rede mais enxuto, sem abrir mão da presença nacional sob múltiplas bandeiras regionais.
O que isso pode mudar
Se o ritmo atual se mantiver, a meta de cerca de 60 lojas até o fim do ano pode ser atingida ou ficar perto disso, o que reduziria custos fixos e concentraria investimentos em unidades com melhor retorno. Comunidades afetadas, porém, podem enfrentar menor oferta de produtos frescos e deslocamentos maiores para fazer compras, sobretudo onde já havia escassez de mercados.
Para o setor, a revisão da Fast Company sugere que grandes redes podem continuar priorizando densidade e produtividade por loja em vez de expansão geográfica a qualquer custo. Investidores e rivais devem observar se o enxugamento melhora margens sem erodir a participação de mercado — e se novas ondas de fechamento serão anunciadas além do pacote já em curso.
Trabalhadores e sindicatos, por sua vez, podem pressionar por realocações e condições de transição. Do lado do consumidor, o efeito prático tende a variar por cidade: onde sobra concorrência, o impacto pode ser limitado; onde a Kroger era âncora local, o vazio pode abrir espaço a concorrentes ou a formatos menores.
Fontes: Fast Company
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