KuCoin encerra serviços na Rússia e em Belarus sob pressão de sanções

A exchange de criptomoedas KuCoin corta todos os serviços a clientes na Rússia e em Belarus, no rastro de MEXC e Bitget, citando exigências legais e regulatórias.
A exchange de criptomoedas KuCoin anunciou nesta quinta-feira (29) o fim imediato de todos os serviços a clientes na Rússia e em Belarus, alegando cumprimento de exigências legais e regulatórias. A decisão amplia um movimento recente de plataformas internacionais que vêm restringindo operações nesses mercados sob o peso das sanções ocidentais.
Segundo a CoinDesk, a medida cobre produtos e serviços da casa e prevê prazos para que usuários encerrem posições e retirem recursos — sem divulgar quantos clientes seriam atingidos.
O que aconteceu
Em comunicado desta quinta-feira, a KuCoin afirmou que encerra de imediato o atendimento a clientes russos e bielorrussos, justificando a saída por obrigações legais e regulatórias, sem apontar sanções ou normas específicas. A banimento vale para toda a oferta da plataforma. Os clientes devem ser informados dos prazos para fechar posições e sacar fundos.
A exchange não revelou o tamanho da base afetada. O passo segue anúncios semelhantes, neste mês, das rivais MEXC e Bitget. A MEXC, conforme a reportagem, indicou que deixaria de servir usuários nos dois países a partir de 20 de outubro.
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, governos ocidentais impuseram sanções a instituições financeiras e a transações russas. Parte das restrições também alcança exchanges de criptoativos fora da União Europeia (UE) acusadas de ajudar entidades sancionadas a movimentar recursos. A UE anunciou sanções a ativos digitais já em 2022 e, em julho deste ano, miraram uma rede de criptomoedas estimada em US$ 120 bilhões, conhecida como A7.
Há precedentes no setor. A Binance deixou a Rússia em setembro de 2023, vendendo operações locais à CommEX por questões de conformidade; a CommEX encerrou as atividades cerca de seis meses depois.
A KuCoin também acumula histórico regulatório nos Estados Unidos ligado a controles antilavagem. Em janeiro de 2025, a empresa aceitou pagar cerca de US$ 300 milhões após admitir operar negócio de transmissão de dinheiro sem licença no país. Em março deste ano, a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), agência norte-americana de futuros e commodities, barrou o operador de atender clientes nos EUA salvo registro como foreign board of trade — uma categoria para bolsas estrangeiras de derivativos.
O que isso pode mudar
Se a tendência se consolidar, usuários russos e bielorrussos podem ficar com menos opções em exchanges globais e migrar para canais locais ou menos supervisionados, o que, em tese, poderia fragmentar a liquidez e elevar riscos de compliance para plataformas que ainda operam nessas jurisdições.
Para as casas internacionais, a saída da KuCoin, em linha com MEXC e Bitget, pode sinalizar que o custo de permanecer em mercados sob sanções ocidentais segue alto — sobretudo após o cerco da UE a redes de criptoativos e o endurecimento nos EUA. Ainda assim, sem dados sobre o volume de clientes afetados, o impacto operacional imediato permanece incerto e deve ficar mais claro apenas conforme os prazos de retirada forem cumpridos.
Fontes: CoinDesk
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