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Lane do BCE detalha no BIS o reforço das linhas de liquidez em euro

Lane do BCE detalha no BIS o reforço das linhas de liquidez em euro

Philip R. Lane descreve em Xangai o EUREP ampliado, teto de 50 bilhões de euros por banco central e o papel das linhas de swap.

Ilustração: Willfried Wende (Pexels)

O Banco Central Europeu (BCE) reforça a rede de linhas internacionais de liquidez em euro para conter choques externos e preservar a transmissão da política monetária. Em discurso publicado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), Philip R. Lane, membro do Conselho Executivo do BCE, detalhou essas linhas e a atualização da facilidade de recompra do Eurosistema para bancos centrais.

As declarações foram feitas em 21 de outubro de 2026, no almoço CF40-Euro50 “Monetary system beyond the dollar”, em Xangai. O texto trata das linhas de recompra e de swap como complemento ao arcabouço doméstico de liquidez do BCE.

O que aconteceu

Segundo Lane, a provisão de liquidez é tarefa básica de um banco central. O BCE injeta recursos por operações de refinanciamento — hoje as principais e as de mais longo prazo — e por carteiras de ativos de programas anteriores de compra e de emergência pandêmica. Como essas operações atendem apenas contrapartes domésticas, as linhas internacionais tornam-se essenciais quando cresce a demanda por liquidez em euro no exterior ou quando se comprometem os fluxos transfronteiriços.

Na ausência desse suporte, choques poderiam pressionar as taxas do mercado monetário em euro, atrapalhar mercados de títulos e o sistema bancário e prejudicar a transmissão da política monetária. Mudanças geopolíticas e no sistema financeiro internacional tornaram o ambiente mais incerto e potencialmente volátil.

As linhas, com preço de rede de segurança, destinam-se sobretudo a choques e crises. Ainda assim, sua mera existência pode conter dinâmicas adversas. Evidências citadas por Lane sugerem que as linhas do BCE reduziram pressões nos mercados de financiamento em euro.

Neste ano, o BCE aprimorou a facilidade de recompra do Eurosistema para bancos centrais, conhecida como EUREP. O Eurosistema oferece liquidez de rede de segurança em euro a bancos centrais fora da área do euro, contra colateral de alta qualidade denominado em euro. O marco atualizado prevê, em princípio, acesso permanente para todos os bancos centrais, salvo exclusões por lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo ou sanções internacionais.

Os empréstimos são precificados à taxa das operações principais de refinanciamento mais um spread do Conselho do BCE. A maturidade vai de um dia a uma semana e pode ser prorrogada. O teto por banco central é de 50 bilhões de euros. Após a adesão, o saque fica disponível a partir do quarto trimestre de 2026. Mais de trinta bancos centrais demonstraram interesse nos últimos seis meses, e o ingresso dos primeiros parceiros estrangeiros foi concluído no início de outubro.

As linhas de swap complementam o EUREP. A recompra exige colateral em euro; o swap pode operar contra colateral em moeda local e reforça o sinal de liquidez, reduzindo o risco de crises externas que se espalhem para a área do euro — desde que os fundamentos do parceiro sejam sólidos. Por envolverem riscos maiores, as swaps cabem, na leitura de Lane, a bancos centrais com capacidade clara de reembolso e lastro soberano bem avaliado, com calibração cuidadosa para limitar dependência excessiva e risco moral.

O que isso pode mudar

Na hipótese delineada por Lane, o EUREP reforçado poderia impulsionar o mercado de títulos em euro e a união de poupança e investimento, ao incentivar bancos centrais estrangeiros a manter dívida em euro, inclusive de prazos mais longos. A liquidez no mesmo dia de até 50 bilhões de euros fora do mercado tenderia a nivelar soberanos mais e menos líquidos da área do euro e a favorecer títulos supranacionais reconhecidos pelo Eurosistema, como os da Comissão Europeia.

As linhas também poderiam fortalecer o papel internacional do euro em faturamento, liquidações e emissão de dívida, ampliando o alcance da política monetária do BCE. Um aperto na área do euro encareceria o financiamento em euro no exterior e, via demanda estrangeira mais fraca, reforçaria o próprio aperto. Lane alerta, porém, que a expansão de passivos em euro exige monitoramento, sobretudo se dívidas de curto prazo agravarem desalinhamentos de maturidade e vulnerabilidades de financiamento.

Fontes: BIS Speeches

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