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Livro Mesoamerican Modern reposiciona olhar sobre arquitetura mexicana

Livro Mesoamerican Modern reposiciona olhar sobre arquitetura mexicana

Su Wu e Luis Garvan documentam 16 casas no México e contestam o rótulo pré-colombiano, em destaque da Fast Company nesta segunda.

Ilustração: Michèle Mannessier (Pexels)

A curadora Su Wu argumenta, em livro recém-destacado pela Fast Company, que a arquitetura do México precisa de um novo enquadramento — um que una tradição antiga e projeto contemporâneo. A obra Mesoamerican Modern, assinada por ela com fotografias de Luis Garvan, trata residências atuais como continuidade de ideias que, segundo a autora, nunca deixaram de circular.

A reportagem, publicada em 26 de outubro de 2026 e assinada por María José Gutiérrez Chávez, situa o debate no tecido urbano da Cidade do México, onde ruínas, construções coloniais, casarões de inspiração europeia do início do século XX, prédios art déco dos anos 1940 e arranha-céus convivem no mesmo percurso. Fora da capital, diz o texto, estéticas aparentemente incompatíveis também se misturam e formam um movimento que toma emprestado o passado longo ao criar algo novo.

O que aconteceu

No livro, Wu e Garvan documentam casas com afinidade de linguagem e propõem ler os espaços residenciais contemporâneos mais vibrantes da região como extensão de tradições antigas que “nunca realmente desapareceram”. O levantamento cobre 16 residências contemporâneas no México e aponta um estilo ancorado em elementos culturais compartilhados — história, materiais e apreço pela paisagem natural.

Em entrevista à Fast Company, Wu — expatriada que vive há mais de uma década na Cidade do México — critica o rótulo “pré-colombiano”. Em muitas partes do mundo, observa, usa-se descrição geográfica (arte asiática, oceânica ou africana). Nas Américas, o termo pré-colombiano, segundo ela, carrega a implicação de que a história terminou: “Implica que não houve resiliência, nem continuidade, e que as ideias não são ainda relevantes e presentes na forma como as pessoas pensam a arquitetura e o design modernos e contemporâneos, o que não é o caso.”

Embora o volume foque só casas mexicanas, o título evoca a Mesoamérica — área histórica e cultural mais ampla, que abrange a maior parte do México, além de Guatemala, Belize e outras regiões da América Central, conforme a matéria. Uma das imagens citadas na reportagem é a Casa Reyes Fernández, em Coyoacán, na Cidade do México, fotografada por Garvan.

O eixo do argumento, portanto, não é nostalgia ornamental. É recusar a ideia de ruptura total entre passado indígena e presente projetual, e mostrar, por meio do levantamento residencial, que materiais, paisagem e memória espacial ainda organizam decisões de projeto no México de hoje.

O que isso pode mudar

Se a leitura de Wu ganhar tração entre editores, escolas e mercado de design, o vocabulário usado para classificar a arquitetura mexicana pode se deslocar. Em vez de tratar o legado pré-hispânico como capítulo encerrado, curadores e profissionais podem passar a nomear continuidade — e a cobrar, em catálogos e críticos, referências explícitas a história, matéria e território.

Para o setor imobiliário e de interiores de alto padrão, o enquadramento “mesoamericano moderno” pode, em hipótese, reforçar o valor simbólico de projetos que dialogam com o entorno e com técnicas locais, em contraste com tipologias genéricas de inspiração europeia. Ainda assim, trata-se de uma proposta curatorial e editorial: a Fast Company apresenta o livro como intervenção no modo de entender o campo, não como medição de mercado ou mudança regulatória.

No horizonte cultural da América Latina, a discussão também pode tensionar rótulos herdados da historiografia colonial. Ao preferir “Mesoamérica” a “pré-colombiano”, Wu sugere um mapa mental em que resiliência e atualidade importam tanto quanto a cronologia da conquista. Se essa chave se espalhar, é possível que revistas, feiras e programas acadêmicos passem a cruzar com mais frequência casas contemporâneas e referências mesoamericanas — não como pastiche, mas como linha viva de pensamento espacial.

Fontes: Fast Company

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