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Lucro da Microsoft passa de US$ 36,6 bi dias após plano de demissões

Lucro da Microsoft passa de US$ 36,6 bi dias após plano de demissões

Resultado do trimestre até setembro supera US$ 36,6 bi e receita sobe 19%, poucos dias após oferta de saída voluntária a cerca de 60 mil funcionários.

Ilustração: Michael Wang (Pexels)

A Microsoft reportou lucro de mais de US$ 36,6 bilhões (cerca de £ 27,5 bilhões) no trimestre encerrado em setembro, apenas dias depois de anunciar um plano de redução de pessoal superior a um quarto da força de trabalho. As ações da empresa subiram quase 2,9% no pregão after hours de Nova York na quarta-feira.

A receita trimestral chegou a US$ 92,3 bilhões, alta de 19% em relação ao ano anterior, impulsionada pelo negócio de computação em nuvem, enquanto a companhia segue investindo bilhões em inteligência artificial (IA).

O que aconteceu

Na segunda-feira, a desenvolvedora do Windows informou que ofereceria programas de saída voluntária a cerca de 60 mil trabalhadores, em meio a um esforço de corte de custos paralelo ao aporte bilionário em IA. A oferta voluntária de demissão se estende a funcionários elegíveis em equipes no Canadá, na Índia, no Reino Unido e nos Estados Unidos, segundo a empresa, para adaptar a força de trabalho a “necessidades em mudança”.

A Microsoft afirmou que a medida cria “maior flexibilidade” e permite que os trabalhadores saiam com apoio financeiro e recursos de planejamento de carreira. A companhia emprega hoje mais de 220 mil pessoas no mundo.

Como outras gigantes de tecnologia, a Microsoft destina recursos pesados à infraestrutura que sustenta a IA, mesmo com dúvidas do mercado sobre se esse gasto se pagará. Nos resultados de quarta-feira, a firma também alertou para riscos, incluindo “investimentos substanciais” em IA, entre outras incertezas que podem afetar as finanças.

O presidente-executivo Satya Nadella disse que o desenvolvimento de IA ajudou a ampliar a adoção da tecnologia e entregou “impacto no mundo real em todos os setores”. O desempenho acima do esperado contrastou com o da Alphabet, dona do Google: as ações da rival caíram 9,75% após um recuo de 25% no lucro líquido trimestral ante o ano anterior, também sob forte gasto em IA.

O que isso pode mudar

O contraste entre lucro robusto e enxugamento de pessoal pode reforçar a leitura de que a corrida por IA reorganiza prioridades internas: mais capital em data centers e modelos, menos estabilidade no quadro tradicional. Se o plano de cerca de 60 mil saídas avançar, a Microsoft teria margem operacional maior no curto prazo, mas enfrentaria o risco de perda de conhecimento e de desgaste reputacional junto a talentos e reguladores.

Para investidores, o salto de receita e o avanço das ações no after hours sugerem, por ora, confiança de que a nuvem e a IA sustentam o crescimento. Ainda assim, o próprio alerta da empresa sobre “investimentos substanciais” e o tombo da Alphabet no mesmo dia indicam que o mercado continua sensível a qualquer sinal de retorno fraco ou de gasto descontrolado.

Na prática, o episódio pode acelerar a pressão sobre outras big techs para mostrar, ao mesmo tempo, disciplina de custos e resultados concretos de IA — um equilíbrio que, se falhar, tende a amplificar a volatilidade das ações do setor nas próximas temporadas de balanços.

Fontes: BBC Technology

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