Lula critica Flávio após votar, fala em livros ou armas e diz que aceitará o resultado

Após votar em São Bernardo do Campo, Lula ataca Flávio Bolsonaro, contrapõe livros e armas e afirma que respeitará o resultado das urnas no segundo turno.
Ilustração: Rô Acunha (Pexels)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL) após votar neste domingo (25), em São Bernardo do Campo (SP), e afirmou que aceitará o resultado das eleições independentemente de quem vencer, segundo o InfoMoney. As declarações foram dadas em entrevista a jornalistas após a votação, no dia do segundo turno entre os dois candidatos.
Na coletiva, Lula elevou o tom contra o adversário, contrapôs educação e acesso a armas na formulação “livros ou armas” e questionou o patrimônio do senador, citando Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Também reforçou que respeitará as urnas e condenou episódios de violência política na campanha.
O InfoMoney acompanha a votação e a apuração em tempo real. A reportagem, com Estadão Conteúdo, registra ataques intensificados na reta final, com campanhas mirando indecisos e a redução da abstenção.
O que aconteceu
Lula afirmou que “nunca imaginou” disputar uma eleição com alguém “desqualificada moralmente e eticamente”. Em declaração citada pelo InfoMoney: “Eu nunca imaginei disputar uma eleição com uma pessoa desqualificada, moralmente e eticamente. Eu nunca imaginei disputar uma eleição com um miliciano que não faz o menor esforço para contar uma verdade”.
A classificação de Flávio como “miliciano” é apresentada pelo portal como acusação de Lula e do PT, não como verificação independente. Na reta final, os dois candidatos intensificaram os ataques.
Ao atacar Flávio, Lula mencionou Vorcaro: “Todo mundo sabe a relação dele com o Vorcaro”. Comparou patrimônios e questionou recursos usados pelo senador em imóveis. Disse que seu apartamento custa “um milhão e pouco” e perguntou: “Um cara com um salário de senador comprar uma casa de 10 milhões de reais, à vista. Onde é que ele arrumou dinheiro?”. Acrescentou: “Se vocês encontrarem alguém rico com salário público, ele é ladrão”.
O InfoMoney ressalta que essas falas são acusações de campanha e não conclusão independente sobre o patrimônio do senador.
Sobre o que estaria em jogo, Lula contrapôs livros didáticos e armas: “Nós temos que fazer uma opção: se a gente quer um Brasil que distribua milhões de livros didáticos nas escolas, ou a gente quer um Brasil em que se distribua a possibilidade de comprar um milhão de armas”. E completou: “Se a gente quer um Brasil que distribua livros para as crianças, ou um País em que se vende um bilhão e cem milhões de balas. É isso que tem em jogo”.
Segundo o InfoMoney, discurso semelhante já aparecera no primeiro turno, ao tratar a eleição como escolha entre democracia e o que classificou como “barbárie”. Chamou a convivência democrática de “coisa mais sagrada” e, sobre violência política, disse: “A contrapartida disso é a violência”.
Agradeceu a mobilização de apoiadores. Ao sair para votar, dissera que nunca vira mobilização semelhante. Após votar: “O povo foi para a rua para defender suas conquistas” e “Eu só devo a minha eleição ao povo brasileiro, que foi um exército da democracia.” Desejou que o país “continue andando para frente, crescendo e gerando oportunidade para todo mundo”.
Votou com o vice Geraldo Alckmin (PSB), Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e os ministros Alexandre Padilha e Luiz Marinho, conforme o InfoMoney.
Impacto na prática
Em domingo de segundo turno, o tom elevado e o compromisso de aceitar o resultado podem, em tese, afetar o clima político e a percepção de risco institucional durante a apuração. O contraste “livros” e “armas” pode reforçar polarização temática, sem antecipar o desfecho das urnas.
Para eleitores, a ênfase em violência e convivência democrática pode, no enquadramento das falas, servir de apelo à mobilização e à menor abstenção — metas que o InfoMoney associa à estratégia das campanhas. Acusações patrimoniais e a menção a Vorcaro podem, em hipótese, manter a disputa narrativa sobre idoneidade, sem equivaler a julgamento.
No plano econômico, um país à beira da definição do mandato seguinte pode, em tese, ver mercados e agentes sensíveis a incerteza política reagir à velocidade da apuração e a eventual contestação; a promessa de respeitar as urnas costuma ser lida como sinal redutor de risco de ruptura — hipótese, não previsão.
O desejo de crescimento e oportunidade no fechamento da coletiva sugere, a partir das fontes, tentativa de amarrar o pleito a continuidade produtiva. O veredicto cabe às urnas; até lá, ficam documentados o ataque, o contraste de políticas e o compromisso verbal com o escrutínio.
Fontes: InfoMoney
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