Lula vence o 2º turno com 51,8% e ETF Brasil despenca quase 20%

Lula conquista o quarto mandato com 51,8% dos votos válidos contra Flávio Bolsonaro. O ETF de ações brasileiras caiu quase 20%, segundo a CNBC.
Ilustração: Rô Acunha (Pexels)
Luiz Inácio Lula da Silva venceu o segundo turno da eleição presidencial e conquistou o quarto mandato, com 51,8% dos votos válidos contra 48,2% do senador Flávio Bolsonaro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, conforme reportou a CNBC neste domingo (25).
A disputa dividiu o país de forma quase igual. O fundo negociado em bolsa iShares MSCI Brazil, o ETF que acompanha ações brasileiras, despencou quase 20% após a vitória, segundo a mesma cobertura.
O que aconteceu
De acordo com a CNBC, o petista de 80 anos veio de trás para derrotar Bolsonaro no segundo turno. Lula havia ficado atrás no primeiro turno e, na decisão final, confirmou a reeleição para governar de 2027 a 2030.
Em linha com a Al Jazeera, a vitória foi descrita como uma recuperação notável depois da derrota inesperada no primeiro turno, que teria mobilizado a direita em torno de Flávio Bolsonaro. A emissora situou a convocação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral pouco depois das 21h de Brasília. A Axios, por sua vez, confirmou em manchete que Lula derrotou Bolsonaro na eleição presidencial.
A CNBC destaca que o desfecho impede, no curto prazo, um deslocamento à direita na América Latina apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O texto trata a apuração como notícia em atualização e atribui os percentuais ao TSE.
No Congresso, o cenário apontado pela CNBC é de tensão institucional imediata. O Partido Liberal, ligado a Bolsonaro, detém a maior bancada em décadas. Lula assume, portanto, com margem estreita nas urnas e com um Legislativo em que a oposição concentra força parlamentar rara no período recente.
Outro ponto central da cobertura da CNBC é a dívida pública. O presidente eleito, segundo a reportagem, terá de estabilizar esse passivo ao longo do mandato que começa em 2027. A combinação de vitória apertada, Congresso adverso e pressão fiscal forma o quadro que os mercados precificaram com a queda brusca do ETF de Brasil.
O que isso pode mudar
A reação do iShares MSCI Brazil, com queda de quase 20% após o resultado, sugere que parte dos investidores estrangeiros pode ter precificado um cenário político e fiscal mais tenso do que o esperado. Se a volatilidade se prolongar, o custo de financiamento e o apetite por risco em ativos brasileiros poderiam permanecer sob escrutínio nas próximas sessões — hipótese ainda aberta, pois a CNBC classifica o material como breaking news.
No plano político, a margem de 51,8% a 48,2% indica que qualquer agenda de estabilização da dívida pública provavelmente dependerá de negociação intensa com o Congresso. Com o Partido Liberal na maior bancada em décadas, reformas e medidas fiscais podem enfrentar resistência maior do que em mandatos anteriores, o que tenderia a alongar o ciclo de incerteza para empresas e títulos soberanos.
Geopoliticamente, a vitória de Lula bloquearia, na leitura da CNBC, um avanço da direita na América Latina respaldado por Trump. Isso poderia preservar o Brasil como contrapeso regional em temas de comércio e alinhamento externo, embora o alcance concreto desse efeito dependa de como Brasília e Washington calibrarem tarifas e prioridades bilaterais a partir de 2027.
Para o mandato 2027–2030, o desafio imediato parece ser conciliar a estreita legitimidade eleitoral com a necessidade de estabilizar a dívida e operar sob um Legislativo hostil. Se o governo priorizar sinais fiscais críveis sem perder base política, a pressão sobre o ETF e sobre o risco-país poderia se moderar. Se, ao contrário, o impasse parlamentar se aprofundar, a precificação pessimista vista após a vitória poderia se tornar referência mais duradoura para o mercado de ações brasileiro.
Fontes: CNBC Top News · Axios · Al Jazeera
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