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Líderes mundiais defendem ampliar parcerias com o Brasil após vitória de Lula

Líderes mundiais defendem ampliar parcerias com o Brasil após vitória de Lula

Após a reeleição de Lula com 51,79% dos votos, chefes de governo da Europa, Ásia, África e Américas pedem mais cooperação em comércio, clima e diplomacia — sem anunciar novos acordos.

Ilustração: Rodolfo Gaion (Pexels)

Líderes da Europa, da Ásia, da África e das Américas parabenizaram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição e defenderam o fortalecimento das relações com o Brasil em comércio, investimentos, clima e diplomacia. As mensagens foram publicadas nas redes sociais após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo, 25 de outubro de 2026.

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo os resultados da eleição. Entre os que se manifestaram estão a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. As publicações destacaram livre comércio, mudanças climáticas, inovação e cooperação diplomática, além de integração regional, defesa do multilateralismo e parcerias estratégicas.

Representantes da União Europeia e de países como França, Índia, África do Sul, Noruega, Guiana e Países Baixos figuraram no conjunto de manifestações. Nenhum dos pronunciamentos listados pela cobertura anunciou novos acordos ou medidas específicas.

O que aconteceu

Von der Leyen escreveu no X que “a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil” e afirmou que a parceria da Europa com o país “está prosperando”. A dirigente disse que o bloco continuará trabalhando com o governo brasileiro em livre comércio, ordem internacional baseada em regras e compromissos climáticos, e que permanecerá “ao lado” do Brasil “nos próximos anos”. A declaração sinaliza intenção de manter a cooperação econômica, sem detalhar instrumentos novos.

Macron parabenizou Lula e afirmou que França e Brasil “têm muito a construir juntos”. O presidente francês defendeu reforçar a parceria estratégica diante dos “grandes desafios” do tempo presente e “dar vida à amizade” entre os dois países “a serviço de um mundo mais justo”.

Modi disse esperar trabalhar em estreita colaboração com Lula para “aprofundar e ampliar” a parceria estratégica “multifacetada” entre Índia e Brasil. O primeiro-ministro destacou cooperação em diferentes setores e prioridades compartilhadas do Sul Global, além de um mundo “mais inclusivo, equitativo e sustentável”.

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, classificou a reeleição como vitória para o Sul Global e para forças progressistas e escreveu que o resultado “terá repercussões para além das fronteiras do Brasil”. Ele reafirmou o compromisso de fortalecer relações bilaterais e a atuação conjunta em fóruns multilaterais, com ordem internacional baseada em solidariedade e respeito ao direito internacional.

O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, lembrou 200 anos de relações bilaterais e citou comércio, inovação, defesa, democracia e multilateralismo. O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, enviou congratulações em publicação que incluiu versão em português, sem propor cooperação econômica ou diplomática específica. O chanceler norueguês Espen Barth Eide descreveu o Brasil como “voz forte e construtiva” na defesa do multilateralismo, da democracia, do clima e da natureza e lembrou a “ampla cooperação econômica” entre Oslo e Brasília.

A primeira-ministra de Barbados, Mia Amor Mottley, falou em quarto mandato e em fortalecer a amizade com o Brasil em torno de justiça social. O presidente da Guiana, Irfaan Ali, defendeu aprofundar relações bilaterais, integração regional, comércio e investimentos, com desenvolvimento sustentável e prosperidade regional. O presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, associou o apoio eleitoral a soberania, presença internacional e reforma da ONU. A ministra palestina Varsen Aghabekian Shahin pediu aprofundar a parceria em paz e justiça. O primeiro-ministro dos Países Baixos, Rob Jetten, também citou 200 anos de laços e cooperação em segurança, comércio e clima. O eslovaco Robert Fico falou em continuidade da cooperação com o Brasil como parceiro estratégico na América Latina. O secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, segundo a agência EFE citada na cobertura, parabenizou a participação no segundo turno e disse que a missão de observação eleitoral apresentará relatório preliminar com oportunidades de melhoria dos processos brasileiros.

Impacto na prática

Na prática, o que aparece nas redes ainda é sinal político, não pacote fechado de comércio ou investimento. Em tese, a ênfase de von der Leyen em livre comércio e clima pode influenciar a agenda bilateral com a União Europeia nos próximos anos, se as partes transformarem a retórica em calendário de negociação. Para quem acompanha preços de alimentos, energia e bens industriais, uma cooperação climática e comercial mais intensa poderia, em hipótese, alterar prazos e regras de exportação e de financiamento verde — mas isso depende de decisões futuras que as mensagens de domingo e segunda não detalharam.

No caso da Guiana e da Índia, a menção explícita a comércio, investimentos e parceria estratégica sugere que Brasília pode ser cobrada a dar sequência a rotas de integração regional e a agendas do Sul Global. Na França, o apelo de Macron a uma “ordem mundial mais justa” pode, em tese, abrir espaço para coordenação diplomática em foros multilaterais, sem garantir resultado concreto a curto prazo.

Se o padrão das mensagens se mantiver — intenção de aprofundar laços sem anunciar instrumentos novos —, o próximo ciclo tende a ser de diplomacia de acompanhamento: agendas de comércio, clima e fóruns multilaterais sob escrutínio, com efeitos econômicos ainda hipotéticos até que haja calendários, textos ou medidas formais.

Fontes: Exame

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