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Maioria dos britânicos na primeira compra paga mais no financiamento do que no aluguel

Maioria dos britânicos na primeira compra paga mais no financiamento do que no aluguel
Imagem ilustrativa

Pesquisa da Hamptons aponta 56% dos compradores de primeira viagem no Reino Unido com prestação acima do antigo aluguel, em meio a juros fixos perto de 6%.

Foto: Matheus Bertelli (Pexels)

A maioria dos britânicos que compra o primeiro imóvel passou a dedicar mais dinheiro à prestação mensal do financiamento do que pagava de aluguel, segundo levantamento da imobiliária Hamptons divulgado nesta segunda-feira (19). O dado reforça a pressão sobre quem tenta sair do mercado de locação em um momento em que as taxas de hipoteca no país voltam a subir.

No mês passado, 56% dos compradores de primeira viagem disseram que a conta do financiamento superava o valor que pagavam de aluguel — a maior proporção registrada em pelo menos uma década, de acordo com a Hamptons. Em média, o desembolso mensal ficou £39 acima do aluguel anterior.

As taxas de hipoteca no Reino Unido vêm subindo desde o início da guerra no Oriente Médio. A volatilidade nos mercados de títulos elevou as taxas de swap, que influenciam o preço dos contratos com taxa fixa. No início de outubro, o custo médio de um financiamento fixo de cinco anos ultrapassou a barreira de 6% pela primeira vez em três anos. Na manhã desta segunda, a taxa média de cinco anos estava em 5,99%, e a de dois anos, em 5,96%, segundo a consultoria financeira Moneyfacts.

O que aconteceu

A Hamptons monitora o comportamento de quem deixa de ser inquilino para assumir a primeira hipoteca. O recorte de setembro mostra uma inversão em relação ao período de juros baixos, quando a conta mensal do financiamento costumava ser menor do que o aluguel para muitos candidatos à compra.

Aneisha Beveridge, chefe de pesquisa da Hamptons, disse que, com taxas de juros baixas, “o argumento financeiro para o inquilino comprar o quanto antes era bastante direto”. Com juros mais altos, “essa equação se inverteu”. Para ela, os benefícios de longo prazo da propriedade — acumular patrimônio, maior segurança e, no fim, quitar o imóvel — permanecem, “mas a economia mensal imediata que antes recompensava o inquilino por dar o passo praticamente desapareceu”.

O salto nos custos habitacionais foi mais acentuado entre compradores de primeira viagem na faixa dos 40 anos: 67% assumiram financiamento mais caro do que o aluguel que pagavam. Em média, a prestação ficou 18% acima do valor locativo anterior.

Paralelamente, o aluguel segue em alta. Os valores acordados em novos contratos na Grã-Bretanha subiram 2,7% em setembro na comparação anual — o ritmo mais rápido em quase dois anos. O aluguel médio nacional atingiu £1.433 por mês, ante £1.396 em setembro de 2025.

Na Grande Londres, o aluguel médio em novas locações ficou em £2.357 ao mês, alta de 1,5% em um ano. O aumento mais forte ocorreu no sul da Inglaterra, onde a média subiu 3,7%, para £1.419, segundo a Hamptons.

Beveridge observou que, até aqui em 2026, o peso dos aluguéis mais altos recaiu sobretudo sobre quem muda de imóvel. Se o crescimento continuar, “é provável que isso se reflita em mais inquilinos já instalados nos próximos meses, à medida que a diferença entre aluguéis novos e vigentes se amplia”.

Impacto na prática

Para famílias britânicas que planejam a primeira compra, o cenário pode significar revisão do orçamento mensal: em vez de uma redução imediata ao trocar aluguel por financiamento, parte relevante dos compradores enfrenta conta maior desde o primeiro mês, com média de £39 a mais, conforme os casos levantados pela Hamptons.

Quem está na casa dos 40 e entra no mercado de proprietários pode sentir o efeito com mais força, já que dois terços desse grupo relataram prestação superior ao antigo aluguel, com custo médio quase um quinto maior. Em tese, isso pode adiar decisões de compra ou exigir prazos mais longos e entrada maior para manter a parcela dentro do que era pago de locação.

No plano macroeconômico do Reino Unido, a combinação de hipotecas fixas perto de 6% e aluguéis em aceleração pode, em hipótese, reduzir o impulso da demanda por imóveis entre inquilinos e manter tensão no mercado de locação, especialmente se reajustes em contratos novos passarem a atingir inquilinos que não mudam de endereço, como sugere a análise da Hamptons.

A escalada dos juros habitacionais após a guerra no Oriente Médio e a volatilidade nos títulos indicam que o equilíbrio entre alugar e comprar no Reino Unido pode permanecer desfavorável à troca imediata para uma fatia significativa de compradores de primeira viagem, até que taxas de financiamento ou dinâmica de preços de locação se movam de forma distinta da observada em setembro.

Fontes: The Guardian

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