Mais republicanos cobram sanções à Rússia e divergem de Trump

Senadora Katie Britt e a deputada Ashley Hinson pedem uso de lei bipartidária contra Moscou; Casa Branca defende adiamento para negociar paz.
Foto: Max Mishin (Pexels)
Dois republicanos passaram a cobrar do presidente Donald Trump o uso de uma lei bipartidária para penalizar a Rússia, ampliando o grupo que discorda da decisão de suspender sanções pensadas para pressionar Moscou a encerrar a guerra na Ucrânia. A senadora Katie Britt, do Alabama, e a deputada Ashley Hinson, candidata ao Senado por Iowa, falaram ao Semafor em Des Moines nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026.
Britt defendeu “poder de fogo econômico” para levar o presidente russo, Vladimir Putin, à mesa. A Casa Branca respondeu que aplicar agora as sanções atrapalharia esforços dos Estados Unidos por um acordo de paz duradouro e abrangente entre Ucrânia e Rússia.
O que aconteceu
Segundo o Semafor, Britt e Hinson se somam a um coro crescente no Partido Republicano que rejeita a opção de Trump de dispensar sanções destinadas a forçar Moscou a terminar a guerra. Britt afirmou acreditar que é preciso usar pressão econômica para levar Putin a negociar. Na avaliação dela, a Rússia está no ponto mais crítico de toda a guerra e “agora é a hora de aumentar a pressão”.
Britt fazia campanha ao lado de Hinson, que expressou reservas semelhantes sobre as aproximações de Trump em relação a Putin. “Não acho que precisemos fazer mais nenhum acordo com a Rússia”, disse a deputada. Trump, por sua vez, já declarou que suspendeu as sanções para manter a Rússia na mesa de negociações.
A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, afirmou que “fazer cumprir agora as disposições de sanções impediria os esforços contínuos dos EUA para negociar um acordo de paz duradouro e abrangente entre Ucrânia e Rússia”. Rogers acrescentou que o presidente mantém a prerrogativa de exercer essas autoridades a qualquer momento, se concluir que isso avançaria os interesses nacionais.
Hinson disse que pretende fazer campanha com Trump na quinta-feira e indicou que pode levantar então o tema das sanções à Rússia. A reportagem do Semafor é assinada por Burgess Everett e Morgan Chalfant e foi atualizada em 20 de outubro de 2026, às 17h35 no horário do leste dos Estados Unidos.
O que isso pode mudar
Se mais republicanos no Congresso sustentarem a cobrança pública, a Casa Branca pode enfrentar um dilema político e diplomático. Por um lado, a administração defende que o adiamento das sanções preserva canal de diálogo com Moscou. Por outro, vozes do próprio partido argumentam que a Rússia estaria vulnerável e que maior pressão econômica aceleraria concessões.
Uma eventual reativação das sanções sob a lei bipartidária citada pelos congressistas poderia endurecer o custo financeiro da guerra para o Kremlin, mas também, na hipótese levantada pela própria Casa Branca, complicar as tratativas de paz. O contraste entre a linha de Britt e Hinson e a mensagem de Rogers sugere que o tema deve seguir no centro do debate interno republicano nas próximas semanas, sobretudo se Hinson de fato levar a cobrança a Trump durante a campanha conjunta marcada para quinta-feira.
No curto prazo, o ruído partidário pode reforçar a percepção de divisão sobre a estratégia dos EUA na Ucrânia, mesmo sem alterar de imediato a política oficial. No médio prazo, o equilíbrio entre pressão econômica e negociação dependerá, em grande parte, de como o presidente interpretar o avanço — ou o impasse — das conversas com a Rússia e a Ucrânia.
Fontes: Semafor
Fontes: Semafor
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