Manchin e Ocasio-Cortez fecham a disputa ao Senado no Maine

Susan Collins recebe Joe Manchin numa fábrica da New Balance; Troy Jackson responde com Alexandria Ocasio-Cortez em Portland, no fecho da campanha.
Foto: raksasok heng (Pexels)
No Maine, a reta final da disputa ao Senado dos Estados Unidos ganhou dois cenários opostos em 24 horas. A senadora republicana Susan Collins e o democrata Joe Manchin, último senador democrata da Virgínia Ocidental, visitaram uma fábrica da New Balance em Norway; no dia seguinte, o desafiante democrata Troy Jackson levou a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, a um town hall em Portland.
A reportagem do Semafor, de David Weigel, publicada em 23 de outubro de 2026, descreve a corrida como um embate entre a defesa da experiência bipartidária e a rejeição da “comity” do Senado — a ideia de que o meio-termo basta quando o eleitor quer taxar os ricos e obter o “buffet” inteiro.
O que aconteceu
Collins e Manchin chegaram pontualmente à parada de quarta-feira na fábrica, ambos de fleece vermelho combinando. A senadora celebrou o acordo que ajudou a costurar com o Pentágono para os “melhores fabricantes de calçados do mundo”, argumentando que as tropas americanas deveriam usar tênis feitos nos Estados Unidos. Manchin a elogiou em público: “Ela é a alma do Senado.”
Um dia depois, Jackson e Ocasio-Cortez alugaram o State Theater de Portland para um town hall sob o lema “estudantes versus bilionários”, voltado a progressistas do Maine e à tese de que Collins não faz o Senado “funcionar”. Ocasio-Cortez ironizou a prudência de Washington: muitos consultores, disse, alertariam Jackson a não se sentar ao seu lado. A dupla respondeu a mais de uma dúzia de perguntas — direitos de pessoas trans, transporte público, dívida estudantil e se eram “Israel First or America First”. Ambos responderam “America First”; Jackson prometeu acabar com “cheques em branco” para Israel.
Nos quatro debates, Collins procurou pintar Jackson como um desafiante irado e “leve”, pouco eficaz no Senado. Jackson a acusou de corrupção, criticou seu voto a favor do juiz Brett Kavanaugh e falou em enfrentar o presidente Trump. Jackson também fez campanha com a senadora Elizabeth Warren, de Massachusetts, e o senador Bernie Sanders, de Vermont. Manchin classificou esses aliados como “três liberais extremos”: “Eu os conheço. Gosto deles. Gosto mesmo! Só não concordo com nenhum. E se é isso que você é, você é com quem se associa.”
Curiosamente, os dois campos avaliaram que a visita de Manchin ajudou as respectivas campanhas — e o mesmo valeria para a presença de Ocasio-Cortez, Warren e Sanders ao lado de Jackson. O contraste fica explícito: Collins vende a senadora veterana que negocia com os dois partidos; Jackson corre contra a própria lógica do meio-termo no Senado.
O que isso pode mudar
Se o quadro descrito pelo Semafor se confirmar nas urnas, o Maine pode ilustrar até onde o eleitorado ainda premia a imagem de “alma do Senado” ou se prefere a ruptura progressista que Jackson e Ocasio-Cortez ensaiam no palco. Uma vitória de Collins reforçaria o argumento de que alianças centristas e testemunhas de caráter — como Manchin — ainda pesam em estados competitivos. Uma vitória de Jackson, por outro lado, sugeriria que a associação com figuras vistas como “extremas” por Manchin não afasta o voto necessário e que a rejeição à comity pode virar estratégia vencedora.
No curto prazo, o efeito mais imediato seria simbólico e de narrativa: cada lado usa o outro como prova de identidade. Collins se ancora na fábrica, no acordo com o Pentágono e no endosso implícito de um democrata conhecido por barganhar no centro. Jackson se ancora no teatro, na juventude e na agenda fiscal e social que Ocasio-Cortez ajuda a dramatizar. O que a disputa pode alterar, portanto, não é só uma cadeira no Senado — é o tipo de política que o Maine escolhe projetar no fecho de 2026: negociação entre partidos ou confrontação aberta com o consenso de Washington.
Fontes: Semafor
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