Meta fecha sexta em queda com temores de gastos em inteligência artificial

Papéis da Meta caíram cerca de 1% na sexta, após tombo de 7% na quinta, com investidores pressionando o retorno dos gastos em IA e data centers.
Foto: Mindaugas Skrupskelis (Pexels)
As ações da Meta Platforms fecharam a sexta-feira (23) em baixa de cerca de 1%, segundo a Yahoo Finance, depois de um tombo de 7% na quinta. O movimento veio mesmo após receita do terceiro trimestre acima do esperado, divulgada na quarta, enquanto temores de uma bolha de inteligência artificial (IA) voltaram a pesar em Wall Street.
Investidores têm se afastado de semicondutores e de outros papéis ligados à IA, questionando se os investimentos massivos em data centers vão se pagar no longo prazo. A própria Meta elevou a faixa inferior da previsão de despesas de capital para entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões, ante US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões antes.
O que aconteceu
Na leitura da Yahoo Finance, o fechamento de sexta encerrou uma sequência em que o otimismo com o balanço deu lugar à apreensão com o tamanho da conta de infraestrutura. A empresa também registra US$ 825 bilhões em compromissos de gastos diversos, ligados a capacidade em nuvem, acordos de energia e produtos de hardware para o consumidor.
No trimestre, a Meta reportou receita recorde de US$ 64 bilhões, acima dos US$ 63,3 bilhões projetados pelos analistas. O lucro por ação sob normas contábeis GAAP ficou em US$ 3,83, contra expectativa de US$ 3,56 — e teria sido de US$ 7,40 sem encargos legais ligados a um acordo sobre saúde mental de adolescentes.
Apesar da reação negativa no pregão, analistas seguiram majoritariamente otimistas com a perspectiva da companhia, sobretudo por causa do agente de IA Muse e dos modelos associados. O diretor-executivo Mark Zuckerberg reiterou na teleconferência de resultados que “o Muse será altamente lucrativo ao longo de vários anos”, desde que a eficiência de computação nos sistemas de IA continue a melhorar.
A Meta também anunciou que emitirá novas ações Classe C sem direito a voto para todos os acionistas Classe A, o que, na prática, equivale a um desdobramento de 2 para 1. Segundo a Yahoo Finance, a medida visa manter Zuckerberg na Califórnia e preservar seu controle de voto caso a Proposição 40 seja aprovada no Dia da Eleição. A proposta prevê imposto de 5% sobre contribuintes com patrimônio acima de US$ 1 bilhão.
Antes do balanço, um juiz do Novo México ordenou que a companhia pague US$ 25 bilhões em processo estadual por danos ao consumidor, outro fator de ruído jurídico no entorno da empresa.
O que isso pode mudar
Se o mercado continuar a precificar o retorno da infraestrutura de IA com mais ceticismo, papéis de tecnologia e de semicondutores podem seguir mais voláteis mesmo quando os números de receita vierem fortes. A combinação de capex elevado, compromissos de longo prazo e diluição potencial via nova classe de ações tende a manter o debate sobre custo de capital e controle societário no centro das atenções.
Por outro lado, se o Muse e os ganhos de eficiência de computação confirmarem a tese de Zuckerberg, parte da pressão sobre as ações da Meta poderia se aliviar nas próximas semanas. Ainda assim, o fechamento de sexta sugere que, por ora, o mercado prefere cobrar provas de retorno antes de celebrar novos recordes de receita.
Fontes: GN Yahoo Finance 1d
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