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Meta reconhece restrições a contas de Lula no Instagram na eleição

Meta reconhece restrições a contas de Lula no Instagram na eleição

Mensagens internas citadas pela Folha e repercutidas pela Al Jazeera ligam restrições no Instagram de Lula a recomendações do perfil de Flávio Bolsonaro; Meta nega favoritismo e cita problemas técnicos já públicos.

Ilustração: Mindaugas Skrupskelis (Pexels)

No dia do segundo turno, a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro chega às urnas sob o ruído de uma controvérsia sobre o alcance das redes sociais. Relato baseado em mensagens internas da Meta, divulgado pela Folha de S.Paulo e repercutido pela Al Jazeera, aponta que contas de Instagram do petista teriam sido prejudicadas por restrições durante a campanha.

A mesma cobertura diz que a plataforma também teria recomendado o perfil do desafiante e seu canal no WhatsApp. A Meta afirmou à Reuters que os problemas técnicos já eram públicos e que as conversas internas tratavam da gravidade das falhas, não de interferência política.

O que aconteceu

Segundo a Al Jazeera, funcionários da Meta reconheceram, em comunicações internas, que as contas de Instagram de Lula foram afetadas de forma negativa por restrições no período eleitoral. O jornal paulista, com sede em São Paulo, teria examinado as mensagens. No relato, além do impacto sobre o presidente, aparece a recomendação do perfil de Flávio Bolsonaro e do canal dele no WhatsApp.

A empresa dona do Instagram, do Facebook e do WhatsApp respondeu que qualquer sugestão de favoritismo a um lado é falsa. Em declaração à agência Reuters, a Meta situou o episódio no terreno técnico: as falhas já estavam na praça pública, e o debate interno, segundo a companhia, girava em torno da severidade desses problemas, não de uma escolha política.

O relatório da Folha veio na esteira de uma decisão judicial. Na quinta-feira anterior à publicação das mensagens, um juiz do Tribunal Superior Eleitoral determinou que a Meta adotasse de imediato medidas para tratar os dois candidatos de forma igualitária até o segundo turno. A ordem veio pouco depois de Lula apresentar reclamação em que acusava a gigante de tecnologia de usar algoritmos enviesados e restrições de inteligência artificial para favorecer o opositor.

O ministro Marco Aurélio Bellizze decidiu que a Meta não pode reduzir a distribuição de conteúdo político, restringir buscas ou remover publicações de modo a criar desequilíbrio entre Lula e Bolsonaro. A decisão também exige que a ferramenta de inteligência artificial da empresa aplique critérios idênticos às duas candidaturas.

No calendário eleitoral, Lula, presidente de centro-esquerda, enfrenta o senador de direita Flávio Bolsonaro no segundo turno deste 25 de outubro, após desempenho mais forte do que o esperado do desafiante no primeiro turno, no começo do mês. Em linha com a manchete da Bloomberg Markets neste domingo, a campanha petista ainda mobilizava apoiadores em busca de uma virada de última hora — pano de fundo político do dia, sem alterar o núcleo do caso das redes.

O que isso pode mudar

Se as mensagens internas forem confirmadas em novos desdobramentos oficiais, o episódio tende a reforçar a pressão regulatória sobre plataformas na reta final e, eventualmente, no pós-eleição. A ordem do TSE já estabelece um padrão claro: isonomia de alcance, de busca e de moderação entre os dois lados. O cumprimento — ou a percepção de descumprimento — pode alimentar novos pedidos de fiscalização e de prestação de contas técnicas.

Para o eleitor, o efeito prático ainda é incerto. Restrições de distribuição e recomendações algorítmicas moldam o que aparece no feed, mas não substituem voto, debate nem cobertura jornalística. Ainda assim, em um segundo turno apertado pelo desempenho inesperado do primeiro turno, qualquer sinal de assimetria no Instagram ou no WhatsApp ganha peso simbólico e jurídico.

A Meta insiste que não há favoritismo e que o problema é técnico. Lula e aliados enxergam viés. O tribunal já traçou limites. O que pode mudar, daqui para frente, é menos o resultado de uma única postagem e mais o grau de escrutínio público e judicial sobre como inteligência artificial e algoritmos tratam candidatos em tempo real — um teste que, neste 25 de outubro, coincide com a escolha do próximo mandato.

Fontes: HN Frontpage · Bloomberg Markets

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