Militares dos EUA dizem ter ajudado Golfo a exportar 1,5 bi de barris

Comando Central dos EUA afirma que apoiou mais de 3 mil navios no Estreito de Ormuz desde junho e que fluxos de petróleo já voltaram ao nível pré-guerra.
Ilustração: RDNE Stock project (Pexels)
Forças militares dos Estados Unidos ajudaram países do Golfo a exportar mais de 1,5 bilhão de barris de petróleo desde junho, apesar das tentativas do Irã de controlar a rota crítica do Estreito de Ormuz, segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM).
O anúncio veio no domingo, 26 de outubro de 2026, coincidindo com a visita do almirante Brad Cooper à região, e reforça a mensagem de que Washington e parceiros locais dizem manter a navegação comercial aberta nessa passagem estratégica.
O que aconteceu
De acordo com o CENTCOM, mais de 3 mil embarcações comerciais atravessaram o Estreito de Ormuz com apoio norte-americano nos últimos seis meses. O comando militar afirmou ainda que mais de 95% dos navios que navegaram pelo canal passaram em segurança nos meses recentes, apesar de ameaças iranianas — o que, na leitura oficial dos EUA, “demonstra claramente” que os Estados Unidos e parceiros regionais controlam a via internacional.
Durante a visita, Cooper observou o “ambiente operacional atual” no estreito a bordo de um helicóptero do Exército dos EUA. Em comunicado, o almirante disse que os EUA seguem “ombro a ombro” com parceiros do Golfo e com a indústria de navegação, e que a missão reforça o compromisso com a liberdade de navegação pelo Estreito de Ormuz.
Cooper também afirmou que as principais rotas de trânsito no estreito estavam livres de minas iranianas graças ao trabalho de equipes de remoção. Segundo ele, o foco permanece em manter o fluxo do tráfego comercial, em articulação com órgãos do governo norte-americano, o Conselho de Cooperação do Golfo e o setor de shipping.
O cenário energético da região ainda carrega a marca do conflito iniciado no fim de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram a guerra contra o Irã. Mesmo com a ameaça persistente de ataques a embarcações comerciais por forças iranianas, os fluxos de petróleo bruto teriam voltado, em grande medida, aos níveis vistos antes desse episódio.
Segundo a firma de inteligência de mercado Kpler, citada pela Al Jazeera, pelo menos 16,5 milhões de barris de petróleo por dia saíram da região em setembro — volume igual à média pré-guerra, excluindo o Irã. Analistas atribuíram a recuperação a uma combinação de transferências navio a navio no mar, escoltas militares dos EUA e maior uso de oleodutos.
Os preços, porém, seguem bem acima do patamar anterior ao conflito. Os contratos futuros do petróleo Brent ficaram em cerca de US$ 114,50 o barril no domingo, após recuar cerca de 2% em relação à máxima de quase seis meses registrada na semana anterior. No dia 27 de fevereiro, véspera dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, o Brent havia fechado a US$ 72,48 o barril.
O que isso pode mudar
Se os números do CENTCOM se confirmarem como padrão operacional nos próximos meses, o mercado pode interpretar o Estreito de Ormuz como uma rota sob vigilância militar suficiente para sustentar volumes elevados de exportação do Golfo — o que tenderia a reduzir, ao menos parcialmente, o prêmio de risco embutido no petróleo desde o início da guerra.
Ainda assim, o próprio relato oficial admite ameaça contínua a navios comerciais. Isso sugere que a normalização dos volumes pode conviver com volatilidade de preços, especialmente se novos incidentes elevarem o custo de seguro e de frete. O contraste entre o volume de setembro, já no nível pré-guerra, e o Brent ainda perto de US$ 114 indica que o alívio físico do fluxo não se traduziu automaticamente em alívio financeiro.
Para importadores na Ásia e na Europa, a manutenção de escoltas, limpeza de minas e rotas alternativas — como oleodutos e transferências offshore — pode reduzir o risco de interrupção abrupta do suprimento. Para os produtores do Golfo, o apoio militar norte-americano reforça a capacidade de escoar carga mesmo sob pressão iraniana, o que pode preservar receitas e participação de mercado em um ciclo de preços elevados.
O ponto de atenção, nas próximas semanas, deve ser se a taxa de passagem segura acima de 95% se mantém e se novas visitas de comando, como a de Cooper, sinalizam reforço permanente da presença naval — ou apenas um momento de comunicação estratégica diante de um estreito que continua no centro do risco energético global.
Fontes: Al Jazeera
Leia mais em: www.mundodosnegocio.com.br