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Ministra da Índia vê liquidez em excesso e saídas fáceis na queda de quase 12% da bolsa

Ministra da Índia vê liquidez em excesso e saídas fáceis na queda de quase 12% da bolsa
Foto: Pexels

Nirmala Sitharaman disse à CNBC que fundos estrangeiros vendem ações em ritmo recorde, mas fluxo doméstico em fundos de ações segue positivo desde março de 2021.

Foto: Shantum Singh (Pexels)

A ministra das Finanças da Índia, Nirmala Sitharaman, atribuiu parte do fraco desempenho do mercado acionário local à liquidez abundante, que facilitaria saídas rápidas dos investidores. Em entrevista exclusiva à CNBC, na margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Bangkok, na sexta-feira, ela afirmou que, por causa da facilidade de acesso ao dinheiro, as pessoas “até saem com facilidade” das ações.

Desde janeiro, os principais índices de referência do país recuaram quase 12%, segundo dados da LSEG, em um cenário em que o crescimento econômico indiano teria se mostrado resiliente diante da incerteza comercial e de choques geopolíticos. Ao mesmo tempo, investidores estrangeiros registraram saídas recordes do mercado de ações, e Sitharaman classificou a continuidade desses fluxos de capital como um dos maiores riscos para a Índia em 2027.

A ministra ressaltou, porém, que os fundamentos da economia indiana estão “em ordem”. O capital doméstico segue entrando: fundos de ações indianos tiveram aportes líquidos positivos todos os meses desde março de 2021, conforme divulgação da Association of Mutual Funds in India no início deste mês.

O que aconteceu

A declaração ocorreu em Bangkok, onde Sitharaman participou do encontro do FMI e do Banco Mundial — ela também foi fotografada no evento na quinta-feira, 15 de outubro. A CNBC publicou a reportagem no domingo, 18 de outubro de 2026.

Na conversa com a emissora, a ministra ligou a liquidez em excesso no mercado de ações à subperformance e indicou que essa dinâmica pode persistir. Multinacionais, fundos de private equity e investidores estrangeiros teriam conseguido saídas parciais ou totais de investimentos com prêmio. Entre 2021 e 2025, as ofertas públicas iniciais indianas levantaram coletivamente US$ 60,4 bilhões; US$ 37,7 bilhões, ou 63% do total, teriam ido a acionistas existentes que venderam participações ao público, segundo relatório da EY em agosto.

Investidores estrangeiros de portfólio já venderam mais de US$ 33 bilhões em ações indianas diretas neste ano, de acordo com a depositária NSDL. A Índia ganhou fama de aposta contrária à onda de inteligência artificial, enquanto mercados como Taiwan e Coreia do Sul, com empresas ligadas à IA, atraíram fluxos fortes. Sitharaman classificou como “preocupação” a migração de capital em direção à IA e aos Estados Unidos.

Um relatório do Goldman Sachs de 8 de outubro aponta Taiwan com o maior peso no índice MSCI Ásia-Pacífico ex-Japão, com 29%, e a Coreia do Sul em segundo, com 22%. A participação da Índia teria caído de cerca de 19% alguns anos atrás para 10%. Diante de sinais de fragilidade no rally global de IA, a ministra disse que a Índia não seria “prejudicada” por eventual contaminação se uma bolha estourasse, já que o país não recebeu investimentos do tipo “IA” que chegaram a outras jurisdições.

Sitharaman, a ministra das Finanças com maior tempo ininterrupto no cargo na história recente da Índia, acrescentou que o país “deixou de ser um atrasado” em tecnologias de fronteira e que há investimentos para instalar fabricação de semicondutores.

Impacto na prática

Para quem aplica em fundos de ações indianos ou acompanha índices como Nifty e Sensex, a combinação de queda acumulada desde o início do ano e saídas estrangeiras recordes pode, em tese, aumentar a volatilidade e pressionar valuations, mesmo com entrada constante de capital doméstico via fundos mútuos. A facilidade de liquidez e as saídas de acionistas antigos em IPOs, descritas pela ministra e pelos dados da EY, sugerem que parte do dinheiro novo poderia financiar desinvestimentos em vez de expansão das empresas listadas.

No plano macro, o risco de fluxos de capital prolongados em 2027 — citado por Sitharaman — pode, hipoteticamente, afetar o câmbio, o custo de financiamento externo e a confiança de investidores institucionais na região. A perda de peso da Índia em índices regionais, conforme o Goldman Sachs, ilustra como a rotação setorial em torno da IA pode redistribuir alocações na Ásia sem que a economia indiana perca, na visão da ministra, os fundamentos que ela descreve como sólidos.

Se o entusiasmo global com IA perder força, investidores poderiam, em hipótese, rever essa rotação; Sitharaman avalia que a Índia teria menor exposição direta a um estouro de bolha nesse segmento. Projetos de semicondutores e o discurso de recuperação em tecnologia de fronteira indicam que o governo busca reposicionar o país nessa corrida, sem que a reportagem aponte prazos ou metas numéricas para essa transição.

Na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, o debate entre liquidez doméstica, saídas estrangeiras e narrativa anti-IA segue no centro da leitura que a própria autoridade fiscal indiana faz do mercado — com economia descrita como estável, mas bolsa ainda penalizada no acumulado do ano.

Fontes: CNBC — India’s Finance Minister says easy exits and excess liquidity fuel equity market's underperformance

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