MoonPay e Dunamu exploram parceria em stablecoins e expansão da rede GIWA

MoonPay e Dunamu, dona da Upbit, estudam negócios em pagamentos com stablecoins, tesouraria e expansão global da Layer 2 GIWA.
Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
A MoonPay, empresa global de pagamentos em criptoativos, anunciou nesta quarta-feira que busca uma colaboração estratégica com a Dunamu, controladora da corretora sul-coreana Upbit, para avaliar juntos novos negócios. Segundo o comunicado, as frentes incluem pagamentos globais e movimentação de recursos lastreados em stablecoins — criptomoedas estáveis atreladas a uma moeda fiduciária — além de finanças corporativas e gestão de tesouraria.
As companhias também planejam estudar formas de ampliar o acesso internacional à GIWA, a rede de segunda camada (Layer 2) da Dunamu construída sobre o Ethereum, e de reforçar a conectividade global dessa infraestrutura. A The Block resume o acordo como um esforço para cruzar a rede da MoonPay com a stack blockchain da Dunamu.
O que aconteceu
No anúncio, a MoonPay afirmou que as duas empresas vão identificar oportunidades de negócio de forma conjunta. A formulação oficial cita pagamentos globais baseados em stablecoins, transferência de fundos, finanças corporativas e gestão de tesouraria — um pacote que mistura uso de criptoativos com necessidades de empresas que precisam mover e guardar valor em escala.
Em paralelo, a parceria mira a GIWA. A ideia, conforme a The Block, é ligar os serviços e a rede global da MoonPay à infraestrutura de blockchain da Dunamu para aumentar o alcance no exterior de produtos e serviços baseados nessa Layer 2. Assim, a GIWA deixaria de ser vista apenas como peça doméstica do ecossistema Dunamu-Upbit e passaria a ser testada como trilho de distribuição internacional.
O movimento chega num momento em que a própria Dunamu já articula outras peças do tabuleiro de stablecoins na Coreia do Sul. A controladora da Upbit, a maior corretora de criptoativos do país, conduz uma fusão por troca de ações com a Naver Financial, braço financeiro do grupo de tecnologia Naver, para lançar serviços conjuntos de stablecoin e pagamentos. Mais cedo neste ano, o Hana Bank adquiriu participação de 6,55% na Dunamu por 1 trilhão de wones, cerca de US$ 755,6 milhões, no âmbito da entrada do banco em ativos digitais e stablecoins.
O cenário regulatório local também entra na narrativa. Seul trabalha num marco abrangente para criptoativos chamado Digital Asset Basic Act (Lei Básica de Ativos Digitais), que deve trazer regras e exigências para emissão e distribuição de stablecoins lastreadas no won. A colaboração MoonPay-Dunamu se encaixa num ambiente em que pagamentos tokenizados e redes Layer 2 ganham espaço no discurso corporativo e na agenda legislativa.
O que isso pode mudar
Se a exploração avançar para produtos concretos, a MoonPay poderia funcionar como ponte de distribuição para fluxos em stablecoin ligados ao ecossistema Dunamu, enquanto a GIWA ganharia canais de acesso em mercados onde a MoonPay já opera. Isso poderia, em tese, reduzir fricção para empresas e usuários que precisam converter, enviar e receber valor entre o won digital e outras moedas estáveis — sem cronograma público de lançamento por enquanto.
A combinação com a fusão Dunamu-Naver Financial e com a participação do Hana Bank sugere que a Coreia do Sul pode concentrar um bloco de atores tradicionais e nativos de cripto em torno de pagamentos e tesouraria on-chain. Ainda assim, o anúncio atual é de exploração estratégica, não de um produto fechado: o impacto real dependeria de execução técnica, licenças e do formato final da Digital Asset Basic Act.
Para o setor, o sinal mais imediato é de convergência entre infraestrutura de pagamentos globais e redes Layer 2 regionais. Caso a conectividade GIWA-MoonPay se materialize, produtos baseados nessa chain poderiam disputar espaço fora da Coreia do Sul com mais velocidade do que se a Dunamu tentasse a expansão sozinha. Sem clareza regulatória sobre stablecoins em won, a colaboração também pode permanecer no campo de estudos por mais tempo.
Fontes: The Block
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