Motorista com £30 mil ao ano se irrita com orçamento sem corte no combustível

No primeiro Orçamento de John Healey, o motorista Dave Herbert, que gasta cerca de £350 por mês em gasolina, diz estar “bastante irritado” com a ausência de corte no imposto sobre combustível.
Ilustração: Tom Fisk (Pexels)
O chanceler do Tesouro John Healey apresentou seu primeiro Orçamento no Reino Unido e anunciou, entre outras medidas, um pagamento de energia de £100 para milhões de pessoas e um aumento de impostos sobre bancos. A BBC ouviu trabalhadores de diferentes faixas de renda sobre o impacto nas contas do dia a dia.
Entre eles está Dave Herbert, motorista profissional com salário anual de £30 mil, que esperava um corte no imposto sobre combustível e saiu frustrado. A alíquota principal do tributo permanece congelada em 52,95 pence por litro até o verão, o que, para ele, não alivia o bolso.
O que aconteceu
Dave, de 48 anos, casado e pai de uma menina de 12, move veículos entre concessionárias e faz entregas. Diz que os preços do combustível estiveram “loucos” neste ano e que gasta cerca de £350 por mês em gasolina para trabalho e uso pessoal — valor 40% a 50% acima do registrado no início do ano, segundo o próprio motorista.
Ele mora em Ynysddu e precisa ir a Cardiff num trajeto de ida e volta de 62 milhas. Conta que gostaria de um carro híbrido, mas que mesmo um usado de entrada está caro demais. O dinheiro extra com combustível, afirma, sai de um orçamento familiar já apertado, e ele “teme” cada parada no posto.
A única medida que queria ver no Orçamento era o corte no imposto sobre combustível. Como isso não veio, disse à BBC: “Estou bastante irritado, de verdade. Nada foi jogado na minha direção.” Sobre o congelamento da alíquota, avalia que parece um benefício, mas que o governo “ainda está tirando” o valor dos consumidores.
A reportagem também ouviu Emily Nelson, de 19 anos, de Swindon. Ela terminou o ensino médio no ano passado, quer trabalhar como animadora e, enquanto isso, candidata-se a vagas no varejo, vendas e aprendizes — na maior parte das vezes sem resposta. Recebe £4.062 por ano e ficou frustrada com a falta de ação imediata sobre jovens que não estão em emprego, educação ou formação, grupo conhecido pela sigla em inglês NEETs.
Emily diz ter ficado inicialmente decepcionada e depois frustrada com a decisão do governo de aguardar o resultado de uma revisão sobre desemprego juvenil antes de legislar no ano que vem. Afirma estar ciente de que há um plano, mas que é “um pouco frustrante” ter de esperar mais para saber o que será. Quer mais financiamento às empresas para contratar jovens, mais recursos para capacitação e o avanço da garantia de emprego prometida pelo governo.
O que isso pode mudar
Se a pressão de quem depende do carro para trabalhar se mantiver, o congelamento do imposto sobre combustível pode continuar sendo lido menos como alívio e mais como ausência de corte real — ao menos entre famílias que já sentem o reajuste na bomba. A hipótese é de que o debate político se desloque do anúncio de “não aumento” para a pergunta sobre quanto o combustível ainda pesa no orçamento mensal de quem ganha em torno de £30 mil.
No caso dos jovens sem colocação, a espera pela revisão sobre NEETs pode alongar a sensação de limbo descrita por Emily, ainda que ela diga acreditar que medidas virão. Caso o governo priorize treinamento e incentivos a empresas no próximo ciclo legislativo, o efeito prático dependeria de quanto recurso chega às contratações e de quão rápido as vagas se materializam — cenário ainda incerto enquanto a legislação não sai.
Por ora, o quadro que a BBC desenha é de um Orçamento com apoio pontual a energia e ajuste tributário aos bancos, ao lado de quem, na bomba ou no mercado de trabalho juvenil, ainda não vê mudança imediata no bolso.
Fontes: BBC Business
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