Mozilla, Google e Apple bloqueiam certificados eMudhra com chaves comprometidas

Mozilla, Google e Apple bloqueiam certificados eMudhra com chaves comprometidas

Autoridade certificadora revogou oito intermediários com chaves P-384 frágeis; Mozilla, Google e Apple já bloquearam o uso nos navegadores.

Foto: Abhishek Navlakha (Pexels)

A autoridade certificadora eMudhra revogou oito certificados intermediários comprometidos depois que pesquisadores descobriram que as chaves privadas eram tão frágeis que qualquer pessoa poderia recuperá-las quase de imediato e usá-las para forjar certificados confiáveis de sites legítimos. Navegadores e sistemas operacionais de grande uso confiavam nesses certificados, o que poderia permitir a um atacante se passar por páginas autênticas e interceptar comunicações criptografadas.

Mozilla, Google e Apple reagiram com bloqueios rápidos. A fraqueza foi identificada em 17 de outubro de 2026 pelo pesquisador conhecido como Wayne, ao varrer dados públicos de certificados. A empresa atribuiu o problema a um erro em um script de geração de chaves em abril de 2025.

O que aconteceu

Segundo o relatório de incidente da Mozilla, os oito certificados usavam chaves privadas P-384 geradas em abril de 2025 com valores menores que 256. Na prática, bastaria testar 256 números possíveis para recuperar a chave. Para demonstrar a falha, o pesquisador Flüpke publicou no GitHub uma das chaves comprometidas: a do certificado "EM OV TLS CA - G3C" da eMudhra tinha o valor 4. O BleepingComputer verificou de forma independente que a chave publicada corresponde a um dos certificados revogados.

Em resposta à Mozilla, a eMudhra culpou um erro no script usado para gerar os certificados em abril de 2025. O problema teria criado um segundo conjunto de chaves mais fracas, selecionadas por engano para a assinatura porque tinham rótulos semelhantes aos das chaves corretas. Alguns dos certificados resultantes também foram enviados à Sectigo para cross-signing, ou seja, assinatura cruzada por outra autoridade.

A eMudhra afirmou que a maior parte dos intermediários afetados nunca entrou em produção e que não encontrou indícios de emissão de certificados para usuários finais. Ainda assim, atacantes poderiam ter recuperado e abusado das chaves fracas desde a criação, em abril de 2025 — embora não haja evidência de que isso tenha ocorrido. Após a divulgação, a empresa revogou os oito certificados e interrompeu a emissão de novos sob a raiz G3.

A Mozilla bloqueou os certificados comprometidos pelo sistema OneCRL do Firefox em 17 de outubro, sem exigir atualização ou reinício do navegador. No mesmo dia, o Google Chrome bloqueou os seis intermediários comprometidos autorizados a emitir certificados TLS (Transport Layer Security, protocolo de segurança da camada de transporte). A Apple adicionou proteções em 19 de outubro. Em 20 de outubro, a Mozilla lançou o Firefox 158.0.1 e atualizações das versões ESR para quem não recebia as revogações anteriores por causa da configuração do navegador.

Softwares que usam seus próprios repositórios de certificados ou não verificam revogações podem continuar confiando nos intermediários até serem atualizados. A equipe do Go liberou as versões 1.27.3 e 1.26.10 para o problema, registrado como CVE-2026-111943. O engenheiro de criptografia da Mozilla Dennis Jackson publicou um site de acompanhamento com softwares afetados e correções. Ele também alerta que o utilitário curl embutido no macOS pode seguir confiando nos certificados comprometidos porque o pacote de certificados não checa informações de revogação.

O que isso pode mudar

O episódio tende a reforçar a pressão por auditorias mais rigorosas na geração de chaves e por mecanismos de revogação que cheguem rápido a navegadores e bibliotecas. Administradores e usuários provavelmente precisarão instalar atualizações disponíveis para garantir que os certificados comprometidos deixem de ser confiáveis — sobretudo em ambientes que não usam o store padrão dos grandes browsers.

Se a tese da eMudhra estiver correta, o risco nasceu de um erro operacional, e não de um ataque externo à infraestrutura. Mesmo assim, a janela entre abril de 2025 e a descoberta em outubro de 2026 mostra o quanto chaves fracas, uma vez públicas na cadeia de confiança, podem permanecer exploráveis por longo período. Fabricantes de software e gestores de infraestrutura podem, daqui para frente, tratar a verificação de revogação e o monitoramento de certificados intermediários como prioridade rotineira.

Fontes: BleepingComputer.

Fontes: BleepingComputer

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